EUCARISTIZADOS PARA UMA VIDA EUCARÍSTICA.

 



“Na última ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue. Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o sacrifício da cruz, confiando destarte à Igreja, sua dileta esposa, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento do amor, sinal da unidade, vínculo da caridade, banquete pascal em que Cristo é recebido como alimento, o espírito é cumulado de graça e nos é dado o penhor da glória futura” (SC 47).

 

A solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma oportunidade singular para nos aproximarmos do sacramento da Eucaristia, alimento para os pecadores, que conduz à vida eterna, mas que nos oferece vida plena, desde aqui e agora. Em tempos pandêmicos, com inumeráveis desafios e sofrimentos, mais do que nunca, precisamos deste alimento salutar, para manter viva a fé, a esperança e a caridade.

Na missa, assembleia eucarística, após os ritos introdutórios, a Liturgia da Palavra e a apresentação das oferendas, chegamos à Oração Eucarística, também denominada de anáfora, oração de ação de graças e de consagração, centro e ápice da celebração. Vejamos o que ensina a Igreja, no Catecismo da Igreja Católica, entre os números 1348-1355:

1.      No prefácio, a Igreja rende graças ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, por todas as suas obras, pela criação, a redenção, a santificação. Toda a comunidade junta-se então a este louvor incessante que a Igreja celeste, os anjos e todos os santos cantam ao Deus três vezes santo.

2.     Na epiclese, a Igreja pede ao Pai que envie o seu Espírito Santo sobre o pão e o vinho, para que se tornem, por seu poder, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, e para que aqueles que tomam parte na Eucaristia sejam um só corpo e um só espírito.

3.      No relato da instituição, a força das palavras e da ação de Cristo, e o poder do Espírito Santo, tornam sacramentalmente presentes, sob as espécies do pão e do vinho, o Corpo e o Sangue de Cristo, seu sacrifício oferecido na cruz uma vez por todas.   

4.     Na anamnese, a Igreja faz memória da Paixão, da Ressurreição e da volta gloriosa de Cristo Jesus: apresenta ao Pai a oferenda do seu Filho que nos reconcilia com ele.

5.       Nas intercessões, a Igreja exprime que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja do céu e da terra, dos vivos e dos falecidos, e na comunhão com os pastores da Igreja, o Papa, o Bispo da diocese, seu presbitério e seus diáconos, e todos os Bispos do mundo inteiro com as suas igrejas.

6.       Na comunhão, precedida pela oração do Senhor e pela fração do pão, os fiéis recebem “o pão do céu” e o “cálice da salvação”, o Corpo e o Sangue de Cristo que se entregou “para a vida do mundo” (Jo 6,51).

São Justino afirma: “Porque este pão e este vinho foram, segundo a antiga expressão, ‘eucaristizados’, chamamos este alimento de Eucaristia, e a ninguém é permitido participar na Eucaristia senão aquele que, admitindo como verdadeiros os nossos ensinamentos e tendo sido purificado pelo Batismo para a remissão dos pecados e a regeneração, levar uma vida como Cristo ensinou.” (S. Justino, Apol., 1,66, 1-2).

No Brasil, não é grande o número dos católicos que se aproximam com assiduidade da mesa do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Há um longo caminho de missão a ser percorrido, para que mais fiéis se aproximem da Eucaristia. Entre os que recebem a comunhão eucarística, precisa crescer a consciência de que somos eucaristizados para viver uma vida eucarística, isto é, somos alimentados com a Eucaristia para construir uma vida oblativa, que se constitua em uma oferenda agradável a Deus, à semelhança da vida e da oblação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, mais que atual e necessária a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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