“CORAÇÃO SANTO, TU REINARÁS, O NOSSO ENCANTO, SEMPRE SERÁS!”

 

“Um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19, 34).

 

Entre os símbolos usados, ao menos na cultura ocidental, o coração, em suas mais diversas representações, ocupa um lugar singular. Mesmo sem o respaldo da ciência, convencionou-se ver o coração como centro e fonte da vida e do sentimento para a pessoa humana. A imagem do coração foi assimilada pela cultura e pela arte, nas suas mais diversas expressões, assumindo significados distintos, mas relacionados, como vida e amor, sede originária da bondade ou maldade humana: “Quem é bom, tira o bem do bom tesouro do coração; mas quem é mau, tira o mal do seu mau tesouro, pois sua boca fala da abundância do coração” (Lc 6, 45).

Na igreja Católica Apostólica Romana, um dos modos mais peculiares de olhar para a pessoa do Divino Salvador, é através da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, socializada pelo Apostolado da Oração, durante muito tempo sob a orientação dos Jesuítas. Ainda hoje, dificilmente se encontrará uma paróquia que não tenha um grupo do Apostolado da Oração, que acaba se constituindo como um exército espalhado por diversas partes do mundo, que recebe atenção mensal do Papa, na formulação da intenção para o mês, e na primeira sexta feira de cada mês, se encontra para a confissão, a missa, a adoração, a comunhão reparadora e a oração pela conversão dos pecadores, pela paz no mundo e pela santificação dos sacerdotes.

Embora diferentes, ao olharmos para as imagens representativas do Sagrado Coração de Jesus, percebemos: Jesus está vivo; suas mãos estão em movimento, uma direcionada para seu coração, enquanto a outra aponta para o alto ou para o fiel que contempla; vestes são branca, túnica, e vermelha, manto; o seu coração está ferido e exposto e nele se vê sangue, espinhos, luz, fogo e resplendor. Há um amálgama de simbolismos que compõem a imagem e que suscita um sentimento peculiar nos fiéis, num misto de maravilhamento, admiração, estupefação, compaixão, dor, alegria, paz, contemplação, adoração e missão, remetendo a diversos momentos da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, sobretudo os da paixão, morte e ressurreição.

Na espiritualidade que brota do Sagrado Coração de Jesus, são fortes as palavras pronunciadas pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso.  Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 28-30). Antes de tudo, e sobretudo, encontramos nas palavras do Divino Mestre, a razão explicativa para o deslumbramento dos fiéis, que continuamente experimentam aflições, desolações, cansaço e noite escura ao longo da vida. O Sagrado Coração de Jesus é refúgio para nós míseros pecadores, que vemos na sua misericórdia, nossa tábua de salvação, fortaleza para prosseguir no caminho para a eternidade, sem perder a esperança e sem recorrer a atalhos.

Podemos recorrer diariamente ao Sagrado Coração de Jesus na meditação, contemplação, com nossa oração espontânea, com a recitação da sua ladainha, mas também com as jaculatórias: “Sagrado Coração de Jesus, eu tenho confiança em vós!”; “Sagrado Coração de Jesus, tende piedade de nós!”; “Jesus, manso e humilde de coração, fazei meu coração semelhante ao vosso!” São modos simples de rezar, que podemos usar em diversos momentos do dia, interrompendo por instantes os nossos afazeres. Que o Sagrado Coração de Jesus, nos ajude a viver este tempo pandêmico, restaurando as nossas forças físicas, psíquicas e espirituais, sem nos deixar cansar, desanimar ou perder a esperança: “Aos teus pés venho, se tu me deixas, sentidas queixas, humilde expor”.

 

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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