COMUNICAR ENCONTRANDO AS PESSOAS ONDE ESTÃO E COMO SÃO

 

“COMUNICAR ENCONTRANDO AS PESSOAS ONDE ESTÃO E COMO SÃO”

 

“Vem e verás!” (Jo 1,46)

Na Igreja Católica Apostólica Romana, na solenidade da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, 16 de maio, realizamos o 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Para esta ocasião, o Santo Padre, o Papa Francisco, nos enviou uma mensagem, que pode ser encontrada nas mais diversas mídias católicas. Sugiro que você possa ler, meditar e agir a partir dela. O tema é: “Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são.” E o lema: “Vem e verás!” (Jo 1, 46).

A comunicação faz parte da vida humana, somos pessoas que comunicam, e da vida da Igreja, que existe para comunicar os mistérios da fé. A própria natureza de Deus implica um mistério de comunicação de amor e salvação, que através da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo chega até nós. Ao longo da história, a Igreja Católica Apostólica Romana sempre esteve envolvida diretamente com a comunicação, às vezes sendo pioneira em alguns meios. Ao mesmo tempo, elaborou conteúdos e textos preciosos sobre este assunto.

Nas dioceses e paróquias temos os grupos da Pastoral da Comunicação, denominados de PASCOM. São pessoas voluntárias que ajudam nos processos de comunicação na Igreja: elaboração de jornal, revista, sites, blogs, programas radiofônicos, construção de vídeos, folders e flyers, alimentam as novas mídias com notícias e informações, transmitem missas e outras atividades religiosas, como palestras, momentos orantes e de formação, catequese “on line”. Somos imensamente gratos pelo precioso serviço que prestam ao Povo de Deus.

Em âmbito nacional, uma menção especial aos construtores das televisões, rádios, revistas, jornais e “novas mídias” de inspiração católica, presentes em todo o Brasil, que realizam um prestimoso trabalho de evangelização, fazendo chegar aos outros a pessoa e o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso reconhecimento às congregações religiosas e novas comunidades que fazem da comunicação um elemento do carisma que lhes é próprio. Em nossa Diocese de São José do Rio Preto, somos gratos à Rede Vida de Televisão, à Rádio Difusora Aparecida, Rádio Interativa e Rádio Espaço Aberto, bem como às mídias diocesanas possibilitadas pela internet. Deus recompense os que nelas trabalham.

A palavra que o Papa Francisco nos dirige abre um novo horizonte aos comunicadores católicos: ir ao encontro das pessoas, onde se encontram, acolhê-las como são, dando-lhes voz e vez. É grande a tentação de acomodar-se a narrativas construídas em escritórios, normalmente patrocinadas, e repeti-las à exaustão, mas que não nascem das pessoas e das situações existenciais em que elas se encontram. É preciso, afirma o Papa, não agir como expectador ou a partir de um “ouvir dizer”, mas “gastar as solas dos sapatos”, encontrar as pessoas e suas histórias, vendo com os próprios olhos, inteligência e coração o que vivem: “(...) para conhecer, é preciso encontrar, permitir à pessoa que tenho à minha frente que me fale, deixar que o seu testemunho chegue até mim”.

Vivemos o grande risco de uma comunicação não verificável, impessoal: “Há tempo que nos demos conta de como as notícias e até as imagens sejam facilmente manipuláveis, por infinitos motivos, às vezes por um banal narcisismo. Uma tal consciência crítica impele-nos, não a demonizar o instrumento, mas a uma maior capacidade de discernimento e a um sentido de responsabilidade mais maduro, seja quando se difundem seja quando se recebem conteúdos. (...) A palavra só é eficaz, se se vê, se te envolve numa experiência, num diálogo. Por esta razão, o ‘vem e verás’ era e continua a ser essencial.”

São Paulo, Apóstolo, foi um grande arauto da difusão do Evangelho, pois foi ao encontro das gentes, viajando muito, “missionariando”, e as pessoas se encantavam pelo modo como transmitia a boa nova da salvação.  “Foram a sua fé, esperança e caridade que impressionaram os contemporâneos que o ouviam pregar e tiveram a sorte de passar algum tempo com ele, de o ver durante uma assembleia ou numa conversa pessoal.” Santo Agostinho afirmava: “Nas nossas mãos, temos os livros; nos nossos olhos, os acontecimentos”.  O Papa Francisco, conclui a sua mensagem afirmando: o “desafio que nos espera é o de comunicar, encontrando as pessoas onde estão e como são.”

Diante de um ambiente social plural, secularizado e polarizado, à luz da fé, precisamos ser seletivos diante dos conteúdos, mas também diante dos meios de comunicação, optando pelos que mais se adequam à natureza da fé cristã. Temos muitos “lobos disfarçados de ovelhas” que não desejam o bem do Povo de Deus, da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que não pautam a sua ação pelos valores éticos e cristãos. No que diz respeito aos meios de comunicação, saber escolher é um direito e um dever para os cristãos e católicos.

 

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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