segunda-feira, 9 de novembro de 2020

{ PALAVRA DO BISPO } IV JORNADA MUNDIAL DOS POBRES

“ESTENDE A TUA MÃO AO POBRE, 
PARA QUE A TUA PROPICIAÇÃO E TUA BÊNÇÃO SEJAM PERFEITAS” (Eclo 7,36)

 

Verdadeira a palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Os pobres sempre tendes convosco e podeis fazer-lhes o bem quando quiserdes. Mas a mim não tereis sempre”(Mc 14,7). Encontramos no mundo uma profusão incontável de empobrecidos, em todos os lugares e de todos os tipos. A complexificação do mundo gera uma complexidade de pessoas empobrecidas. Ninguém é naturalmente pobre, mas somos empobrecidos historicamente, somos frutos da sociedade que criamos e alimentamos.

Em outra ocasião, Nosso Senhor Jesus Cristo afirma: “Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa;  estava nu e me vestistes; doente e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me. (...) Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 35-36.40). Estender a mão ao pobre, de qualquer tipo, é estender a mão a Nosso Senhor Jesus Cristo.




Nos ambientes acadêmicos, a pobreza é objeto de estudo, nas suas causas e consequências, mas a universidade está longe dos empobrecidos e é inacessível a eles. Os governos, em todas as esferas, encaram o empobrecido como um problema, desenvolvem ações sociais para atende-lo, possuímos até secretarias de ação social, mas não surtem os efeitos necessários. Há uma globalização da pobreza, mas ninguém quer os empobrecidos, que são obrigados a migrações internas e externas. Há mais narrativas sobre os empobrecidos do que oportunidades concretas para emergirem da pobreza.

A pobreza pode ser um problema, de natureza econômica e social, fruto de históricas  exclusões e marginalizações, de múltiplas matizes, mas o empobrecido é uma pessoa, única, singular, irrepetível. Se para as narrativas o tempo pode passar devagar, para os empobrecidos há uma urgência, imediata, que determina o viver e o morrer. O empobrecido, nas suas necessidades básicas, não pode esperar, para ele só existe o hoje, mais do que isso, o agora. O descuido com o empobrecido, fruto da indiferença, do escondimento e negação social, alimenta o grupo dos miseráveis, que são desfigurados e despojados, como se perdessem a humanidade, o que não é possível, pois são sempre pessoas.

Estamos em período eleitoral, municipal, onde a “vida” acontece mais próxima a nós. Seria bom verificar onde estão os empobrecidos e miseráveis nos programas de governo de cada candidato ao executivo, e nas propostas para o legislativo, em cada aspirante às câmaras municipais. Se fazemos isso, estamos advogando a causa mesma de Nosso Senhor Jesus Cristo. E seria um ótimo meio de viver o IV Dia Mundial do Empobrecido, conclamado pelo Papa Francisco, para o dia 15 de novembro deste ano de 2020.

 

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP     

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