segunda-feira, 8 de julho de 2019

MATRIMÔNIO E FAMÍLIA

O mês de agosto é temático para a Igreja Católica, no Brasil, nele recordamos as vocações: à vida sacerdotal, à paternidade, à vida consagrada e aos ministérios leigos, cada uma lembrada em uma semana, nesta ordem.
Há uma pluralidade de formas de relacionamento e convivência, hoje amparadas pela legislação civil, de modo que o matrimônio e a família católica se tornaram uma expressão entre outras. Acredito que ocorre entre os adolescentes e jovens um desconhecimento do que propõe a Igreja Católica sobre o sacramento do matrimônio e a família.
A pessoa humana, homem e mulher, possui sua origem no ato criador de Deus. São feitos um para o outro, para uma comunhão de vida no amor. É boa e desejada por Deus a união entre o homem e a mulher, para o amor e para a geração e educação dos filhos (cf Gn 1, 26-28).
A atração e a ternura que se estabelece entre o homem e a mulher, desde a adolescência, implicará escolhas ao longo do tempo, através da experiência do namoro, tempo do encantamento, que solidificado, desaguará no noivado, tempo próximo de preparação para o sacramento do matrimônio, a forma adequada de iniciar uma nova unidade familiar.
Como consequência natural da erotização da sociedade, ocorre uma perda progressiva do significado da afetividade, que fica reduzida a uma sexualidade ativa, não fundada no amor, mas restrita ao prazer. Neste contexto, ocorre também uma precocidade da iniciação à vida sexual das crianças, nem mesmo esperando pela adolescência.
A pessoa humana é chamada por Deus a viver uma sadia castidade, uma renúncia à vida sexual ativa, antes do sacramento do matrimônio. Não é uma negação da natureza humana, mas uma espera para viver a graça da sexualidade no contexto sacramental do matrimônio e da família católica então iniciada.
A maturidade da relação construída pelo namoro e noivado levará o casal à decisão de constituir uma nova unidade familiar, “deixando” os pais, e iniciando-a com o sacramento do matrimônio, pois Deus abençoa e santifica esta união, fundada no amor e que deve perdurar até a morte (cf Mt 19, 4-6).
Unidade e fidelidade são características do matrimônio e família católica. O que fundamenta esta unidade e fidelidade é o amor, vida de Deus em nós, colocado em nossos corações pelo Divino Espírito Santo, e que tem a sua maior expressão no mistério de Cristo crucificado, paradigma para a vida matrimonial e familiar. O casal é vocacionado a um amor fiel e a uma fidelidade amorosa.
O amor conjugal e a geração e educação dos filhos são fins naturais do matrimônio e família católica. A vida de amor do casal leva à consecução daquela unidade espiritual querida por Deus, tão bem vislumbrada no livro do Cântico dos Cânticos, da Bíblia, no Antigo Testamento. Esta vida de amor tem a bênção de Deus, e torna-se sinal do amor divino pelos seus filhos, tão bem expresso no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo pela Igreja (cf Ef 5, 25-33).
O amor entre os cônjuges deve ser fecundo. A abertura para acolher os filhos é parte constitutiva do casamento e família católica. Um fechamento radical aos filhos não faz parte da natureza da família no projeto de Deus. Acolher e educar os filhos é uma graça e contribui decisivamente para a realização e felicidade do casal. Para os que estão naturalmente impossibilitados de terem filhos, a adoção é uma resposta viável.
Expor aos filhos, a partir da Sagrada Escritura e do Catecismo da Igreja Católica, a natureza e a missão do sacramento do matrimônio e da família católica, é uma responsabilidade dos pais. Para tanto deve contribuir também a catequese, sobretudo na fase chamada “perseverança” e na preparação para o sacramento da crisma.
Os movimentos juvenis e as diversas modalidades de trabalho com casais e famílias, também devem assumir como missão a divulgação do ideal do matrimônio e família católica. Somente assim, entre tantas alternativas apresentadas massivamente pelo mundo, os jovens poderão conhecer, e consequentemente optar, pelo projeto de Deus para o matrimônio e família. Afinal, ninguém escolhe o que não conhece.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

Nenhum comentário:

Postar um comentário