segunda-feira, 3 de junho de 2019

O DIVINO ESPÍRITO SANTO


O Divino Espírito Santo é uma pessoa. A Sagrada Escritura mostra que o Divino Espírito Santo se manifesta na História da Salvação em forma de pomba e de línguas de fogo. Não são poucos que confundem as formas da manifestação com o próprio Divino Espírito Santo; por isso, é preciso reafirmar que Ele não é pomba e nem fogo, mas uma pessoa. Toda pessoa é um mistério, quanto mais é mistério as pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo. Mistério não é ausência, mas excesso de razão. Na Sagrada Escritura e na Tradição, o Divino Espírito Santo é denominado de diversos modos: água, unção, fogo, nuvem, luz, selo, mão, dedo e pomba (cf Catecismo da Igreja Católica 694-701).
“O que está em Deus, ninguém o conhece senão o Espírito de Deus”(1Cor 2,11). Partindo desta afirmação, eis o que diz o Catecismo da Igreja Católica: “Ora, seu Espírito que o revela nos dá a si mesmo. Aquele que ‘falou pelos profetas’ faz-nos ouvir a Palavra do Pai. Mas ele mesmo, não o ouvimos. Só o conhecemos no movimento em que nos revela o Verbo e nos dispõe a acolhê-lo na fé. O Espírito de Verdade que nos ‘desvenda’ o Cristo ‘não fala de si mesmo’ (Jo 16,13). Tal apagamento, propriamente divino, explica por que ‘o mundo não pode acolhê-lo, porque não o vê nem o conhece’, enquanto que os que creem em Cristo o conhecem, porque ele permanece com eles (Jo 14,17).”
O Divino Espírito Santo é o educador, nos conduz à verdade. “Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 14, 25).   “ Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16, 13). A verdade é uma pessoa, Nosso Senhor Jesus Cristo : “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6). O Divino Espírito Santo nos conduz à verdade que é Nosso Senhor Jesus Cristo, que, por sua vez, nos revela a verdade do Pai e nos faz participantes de sua vida (cf Jo 17, 25-26). O Divino Espírito Santo nos educa na verdade, nos capacita para o discipulado, conduzindo-nos a participar da vida mesma de Deus, do mistério da Santíssima Trindade.
O Divino Espírito Santo é o nosso defensor, advogado, paráclito, consolador. A vida dos discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo não é isenta de tribulações (cf Jo 16, 33). A decisão pessoal de conhecer, amar, seguir e anunciar o Divino Salvador, implica participar do mistério da Cruz de Nosso Senhor. Nas tribulações resultantes da vida de fé, temos um defensor, um advogado, um consolador, um paráclito: o Divino Espírito Santo (cf Jo 14, 16.26; 15, 26; 16,7). Em nossa vida de união a Nosso Senhor Jesus Cristo, o Divino Espírito Santo nos consola e nos capacita e envia a consolar os que sofrem por causa da fé. Na Igreja, somos chamados a sermos paráclitos uns dos outros, pois o Divino Espírito Santo nos dá o amor e a capacidade de amar. O amor provoca êxtase e êxodo. Sinal de termos recebido o Divino Espírito Santo é amar e promover a qualquer custo a unidade da Igreja.
O Divino Espírito Santo nos santifica e nos faz testemunhas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao recebermos o Divino Espírito Santo, no batismo e na crisma, sacramentos necessários para a nossa salvação, somos santificados e inseridos no Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como membros do Povo de Deus, pela vida e pela palavra, somos testemunhas do Divino Salvador. A superação da ignorância a respeito de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Evangelho, que atinge dois terços da humanidade, depende do nosso ânimo missionário, da nossa disponibilidade de viver como apóstolos incansáveis: “ Proclama a Palavra, insiste oportuna ou inoportunamente, convence, repreende, exorta, com toda a paciência e com a preocupação de ensinar” (2 Tm 4, 2).
O Divino Espírito Santo é o mestre da oração.  “O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26). Diariamente, invoquemos a presença do Divino Espírito Santo para que ilumine nossa inteligência e fortaleça nossa vontade para conhecer e escolher o bem e rejeitar o mal em nossa vida. Que Ele nos conceda a graça de seus dons: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Que habitando em nós, nos ajude a produzir os frutos: caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade ( cf Gl 5, 22-23).

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP  

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