segunda-feira, 27 de maio de 2019

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE CRISTÃ E O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO



“Procurarás a justiça, nada além da justiça “ (Dt 16,18-20)

Entre os dias 02 e 08 de junho, da solenidade da Ascensão de Jesus à solenidade de Pentecostes, realizamos no Brasil, a “Semana de oração pela unidade cristã”. Esta oportunidade é também uma saudável provocação para a promoção do diálogo inter-religioso. 

No Brasil, o diálogo ecumênico se realiza entre as igrejas que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil: Católica Apostólica Romana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e Aliança de Batistas do Brasil. O diálogo inter-religioso se estabelece, ou pode se estabelecer, com outras igrejas cristãs ou não cristãs, de forma bilateral ou em grupos específicos.  

Encontramos no Brasil uma pluralidade de experiências religiosas: catolicismo, protestantes históricos, diversas denominações cristãs, evangélicas e pentecostais, e várias expressões religiosas não cristãs. Esta diversidade religiosa manifesta-se presente na família, na escola, no trabalho, no bairro, no condomínio e nos mais diversos ambientes e espaços da sociedade. É possível encontrar em um único espaço ou ambiente, pessoas que professam distintas convicções religiosas.

O tema para a Semana de oração pela unidade cristã – 2019 é a justiça, partindo do lema “Procurarás a justiça, nada além da justiça”, retirado do livro do Deuteronômio capítulo dezesseis, versículos dezoito a vinte. Não há uma equivalência, oposição ou contradição entre o conceito de justiça humana e justiça divina, mas são realidades distintas. A justiça divina é restauradora, centrada na pessoa, compreendida como sujeito social. 

A partir do olhar da fé, da justiça divina, “os interesses individuais ou de grupos econômicos não podem ser colocados acima dos seres humanos, da integridade da criação e do bem-estar da humanidade (...) A justiça precisa garantir a dignidade e a integridade de todas as expressões culturais e religiosas e precisa zelar pela criação de Deus (...) Necessitamos recuperar o espírito da coletividade, a solidariedade, empatia, a compreensão de que nós, seres humanos, somos uma pequena parte da criação de Deus”.

Na promoção do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, a partir da família, da escola, do trabalho e de outros espaços e ambientes sociais, a justiça divina nos convoca ao amor misericordioso, que produz frutos bons e abundantes, necessários para a unidade na diversidade religiosa e social: verdade, diálogo, compreensão, respeito, paz, perdão, cooperação e solidariedade. A partir dos nossos espaços e ambientes de convivência, sejamos promotores desta unidade desejada por Nosso Senhor Jesus Cristo: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21).

Partindo da oração, sejamos promotores do diálogo ecumênico e inter-religioso. Que o Divino Espírito Santo, dom de Jesus Cristo ressuscitado à Igreja, nos dê luz e sabedoria para construirmos os caminhos que conduzem à unidade na diversidade.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP   

terça-feira, 21 de maio de 2019

53º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS


“ ‘Somos membros uns dos outros’ (Ef 4,25): das comunidades de redes sociais à comunidade humana. ”

No próximo dia 02 de junho, solenidade da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo ao céu, realizamos o 53º Dia Mundial das Comunicações Sociais, uma iniciativa do Santo Padre o Papa Francisco, que escreveu uma mensagem para esta ocasião, convidando para irmos das comunidades de redes sociais à comunidade humana.
A pessoa humana carrega consigo o desejo de uma vida comum, de pertença a uma comunidade, pois é criada à imagem e semelhança de Deus, que é comunhão e comunicação de si. Deus não é solidão, mas comunhão, amor que se comunica para encontrar o outro.
Somos a Igreja de Jesus Cristo, seu povo, membros de seu corpo. Não somos concorrentes uns dos outros. O outro não é um adversário, mas um companheiro, “parte integrante e condição da relação e da proximidade”, que faz dele não um indivíduo, mas uma pessoa.
“Da fé em Deus que é Trindade, segue-se que, para ser eu mesmo, preciso do outro. Só sou verdadeiramente humano, verdadeiramente pessoal, se me relacionar com os outros. ”  Humanizamos se passamos de indivíduo a pessoa, se sentimos o outro não como rival, mas companheiro de viagem.
Como pessoas de fé, somos chamados a manifestar nossa identidade através da busca e da promoção da comunhão, pois somos membros uns dos outros. Através da internet, social web, na rede e através da rede, devemos investir na cultura do encontro, através da escuta e do diálogo, na busca e promoção da verdade, com o uso responsável da linguagem.
Na social web não podemos e não devemos ceder às tentações do cyberbullyng, do autoisolamento, tornando-nos eremitas sociais, de fazer do outro um adversário, de criar e propagar a mentira, de alimentar a espiral do ódio e da violência.
Somos convocados a promover um uso positivo da social web, a serviço da verdade, da promoção da comunhão e da solidariedade, conscientes que ela é complementar e não pode substituir o encontro em carne e osso, através do corpo, a que somos chamados na família, na escola, no trabalho, na Igreja e nos organismos da sociedade humana.
“Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos (likes), mas na verdade, no amém com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros. “
Não perder de vista que “a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos fatos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito. “ Na social web, há o grande risco de manipular os dados das pessoas visando benefícios escusos, até mesmo de natureza política e econômica, quando não para um linchamento público de pessoas e instituições.
Ouçamos o Papa Francisco e façamos um uso positivo e propositivo da social web, na promoção da comunhão, através do diálogo e do encontro, na construção de um mundo melhor. Nossa saudação aos que trabalham nos Meios de Comunicação Social, de modo especial, neste ano, aos que se encontram vinculados às novas mídias.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP