quinta-feira, 28 de março de 2019

O EXERCÍCIO ESPIRITUAL DA VIA-SACRA

Denominamos de Via-Sacra, caminho sagrado, o trecho percorrido por Nosso Senhor Jesus Cristo desde a sua condenação, na casa de Pilatos, até ao local do seu sepultamento. É o caminho da expressão maior da condenação e sofrimento do justo inocente, da morte na cruz e da escuridão silenciosa do sepulcro. Mas é também a revelação da misteriosa misericórdia de Deus, que não deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
Todo dia é dia para rezar a Via-Sacra, mas não há tempo melhor que a quaresma para fazê-la de modo individual ou comunitariamente. São quatorze estações, ou momentos, que nos permitem contemplar e participar do mistério de Cristo sofredor, desde a sua condenação até o seu sepultamento. A cada semana da quaresma, a sexta-feira é o dia adequado para rezarmos a Via-Sacra.
A nossa vida de fé é também feita de orações. Orações litúrgicas e não litúrgicas, propostas ou não diretamente pela Igreja. Muitas orações chegam até nós através da piedade popular. É isto o que ocorre com a Via-Sacra, uma fórmula de oração que chegou até nós através da piedade popular, também recomendada pela Igreja, e que deve ser redescoberta e revalorizada no nosso dia a dia, mas sobretudo no tempo da quaresma. Fazer a Via-Sacra é voltar no espaço e no tempo e ir ao encontro de Jesus sofredor e fazer-se participante espiritual do seu caminho de dor e morte.
A oração da Via-Sacra é cristocêntrica, dirige nosso olhar e coração para a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É marcada pela leitura de textos da Sagrada Escritura que ilustram os quatorze momentos da paixão do Divino Salvador até a sua sepultura. Cada estação é uma pequena leitura orante da Sagrada Escritura, que nos ajuda a compreender corretamente a glorificação de nosso Redentor.
Após a meditação bíblica de cada estação, um momento de oração, sempre concluído com as orações do Pai Nosso, da Ave Maria e da invocação da Santíssima Trindade. No início, após o anúncio do fato recordado em cada estação, há a recitação de uma jaculatória: “Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos; porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.” Enquanto rezamos a jaculatória fazemos uma alongada genuflexão, isto é, colocamos o joelho direito no chão. Enquanto se dirige de uma estação para outra, há um canto, um lamento, que nos introduz na nova meditação. O refrão é uma prece de perdão elevada a Cristo, através da intercessão de Nossa Senhora das Dores: “Pela Virgem Dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus!”
São estas as quatorze estações da Via-Sacra: Jesus é condenado à morte; Jesus toma a sua cruz; Jesus cai pela primeira vez; Jesus encontra a sua mãe; o Cirineu auxilia Jesus; a Verônica limpa o rosto de Jesus; Jesus cai pela segunda vez; Jesus consola as santas mulheres; Jesus cai pela terceira vez; Jesus é desnudado; Jesus é crucificado; Jesus morre na cruz; Jesus no regaço de Maria; Jesus é sepultado. Em alguns lugares, foi acrescentado uma décima quinta estação, recordando a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ao menos na sexta-feira de cada semana da quaresma, ou em outro dia melhor para cada um, retiremos meia hora para rezarmos a Via-Sacra, em casa, na nossa rua, no prédio ou no condomínio, ou na igreja, deixando que a sua dinâmica nos conduza ao mistério da paixão, morte e sepultamento do Senhor. Se assim fizermos, também estaremos nos preparando para celebrar o mistério pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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