quinta-feira, 28 de março de 2019

O EXERCÍCIO ESPIRITUAL DA VIA-SACRA

Denominamos de Via-Sacra, caminho sagrado, o trecho percorrido por Nosso Senhor Jesus Cristo desde a sua condenação, na casa de Pilatos, até ao local do seu sepultamento. É o caminho da expressão maior da condenação e sofrimento do justo inocente, da morte na cruz e da escuridão silenciosa do sepulcro. Mas é também a revelação da misteriosa misericórdia de Deus, que não deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
Todo dia é dia para rezar a Via-Sacra, mas não há tempo melhor que a quaresma para fazê-la de modo individual ou comunitariamente. São quatorze estações, ou momentos, que nos permitem contemplar e participar do mistério de Cristo sofredor, desde a sua condenação até o seu sepultamento. A cada semana da quaresma, a sexta-feira é o dia adequado para rezarmos a Via-Sacra.
A nossa vida de fé é também feita de orações. Orações litúrgicas e não litúrgicas, propostas ou não diretamente pela Igreja. Muitas orações chegam até nós através da piedade popular. É isto o que ocorre com a Via-Sacra, uma fórmula de oração que chegou até nós através da piedade popular, também recomendada pela Igreja, e que deve ser redescoberta e revalorizada no nosso dia a dia, mas sobretudo no tempo da quaresma. Fazer a Via-Sacra é voltar no espaço e no tempo e ir ao encontro de Jesus sofredor e fazer-se participante espiritual do seu caminho de dor e morte.
A oração da Via-Sacra é cristocêntrica, dirige nosso olhar e coração para a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É marcada pela leitura de textos da Sagrada Escritura que ilustram os quatorze momentos da paixão do Divino Salvador até a sua sepultura. Cada estação é uma pequena leitura orante da Sagrada Escritura, que nos ajuda a compreender corretamente a glorificação de nosso Redentor.
Após a meditação bíblica de cada estação, um momento de oração, sempre concluído com as orações do Pai Nosso, da Ave Maria e da invocação da Santíssima Trindade. No início, após o anúncio do fato recordado em cada estação, há a recitação de uma jaculatória: “Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos; porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.” Enquanto rezamos a jaculatória fazemos uma alongada genuflexão, isto é, colocamos o joelho direito no chão. Enquanto se dirige de uma estação para outra, há um canto, um lamento, que nos introduz na nova meditação. O refrão é uma prece de perdão elevada a Cristo, através da intercessão de Nossa Senhora das Dores: “Pela Virgem Dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus!”
São estas as quatorze estações da Via-Sacra: Jesus é condenado à morte; Jesus toma a sua cruz; Jesus cai pela primeira vez; Jesus encontra a sua mãe; o Cirineu auxilia Jesus; a Verônica limpa o rosto de Jesus; Jesus cai pela segunda vez; Jesus consola as santas mulheres; Jesus cai pela terceira vez; Jesus é desnudado; Jesus é crucificado; Jesus morre na cruz; Jesus no regaço de Maria; Jesus é sepultado. Em alguns lugares, foi acrescentado uma décima quinta estação, recordando a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ao menos na sexta-feira de cada semana da quaresma, ou em outro dia melhor para cada um, retiremos meia hora para rezarmos a Via-Sacra, em casa, na nossa rua, no prédio ou no condomínio, ou na igreja, deixando que a sua dinâmica nos conduza ao mistério da paixão, morte e sepultamento do Senhor. Se assim fizermos, também estaremos nos preparando para celebrar o mistério pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

segunda-feira, 18 de março de 2019

O que a Igreja diz sobre a teoria da evolução?


Reflita, através dos pensamentos da Igreja, sobre a origem da vida
Na Encíclica “Fides et ratio” (1998), o Papa São João Paulo afirma que “a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou, no coração do homem, o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, conhecê-Lo, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio”. O Papa estimula um diálogo honesto e aberto entre a fé e a ciência, e que não pode haver contraposição, pois buscam a verdade e, de modo diferente, devem chegar a Deus. Graças à investigação científica, compreendemos muito melhor a grandeza do universo e a presença de Deus. A Igreja Católica é “apaixonada” pelas diversas ciências.
A teoria da evolução é um tema relevante nos debates em torno da vida e mais especificamente, do início da vida humana, e envolve questões científicas, filosóficas e teológicas, cada uma com sua especificidade e autonomia. Deve-se haver uma aproximação entres os diferentes campos de investigação sem a sobreposição de um sobre o outro. Não podemos fazer uma leitura materialista e redutiva nem mesmo leituras espiritualistas sobre a origem do ser humano. A Igreja acredita que não existe, a priori, contraposição entre fé e a ideia da evolução, ainda que o Papa Bento XVI não compartilhe das teorias que explicam a existência da humanidade só como resultado do acaso e que, para São João Paulo II, Darwin não bastasse para explicar a origem do homem. No entanto, as autoridades religiosas encorajam um diálogo franco e respeitoso com os saberes e a cultura científica do nosso tempo.
Em sua Encíclica “Humani generis” (1950), Pio XII afirmava que “o magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente (pois a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus), segundo o estágio atual das ciências humanas e da sagrada teologia, de modo que as razões de uma e outra opinião, isto é, dos que defendem ou impugnam tal doutrina, sejam ponderadas e julgadas com a devida gravidade, moderação e comedimento”.1 Pio XII encorajava um confronto “sério, moderado e temperado”, porém, o Pontífice insistia em afirmar que “a fé católica manda defender que as almas são criadas imediatamente por Deus no momento da concepção”.
Com os avanços científicos, as novas descobertas neste campo e a exegese bíblica, levam ao reconhecimento da teoria da evolução como mais do que uma hipótese. Esta teoria tem sido mais aceita pelos pesquisadores, fundamentados em uma série de descobertas em vários campos do conhecimento e com argumentos significativos na defesa dessa teoria.
O que disse os papas?
Em 22 de outubro de 1996, São João Paulo II fez um discurso na Pontifícia Academia das Ciências afirmando que a evolução “já não era uma mera hipótese, mas uma teoria”. O Papa declarou que a Igreja estava interessada diretamente na questão da evolução, porque esta influi na concepção do homem, “sobre o qual a Revelação mostra que foi criado à imagem e semelhança de Deus”. Continua o Papa: “Não basta a evolução das espécies para explicar a origem do gênero humano, como não basta a casualidade biológica para explicar por si só o nascimento de uma criança”.
Papa Bento XVI afirma que chegamos à fé por meio da razão, apoiando o diálogo entre fé e ciência. O Pontífice não concorda, no entanto, com o evolucionismo radical. Em visita à Alemanha, em setembro de 2006, criticou o que chamou de “essa parte da ciência que se empenha em buscar uma explicação do mundo na qual Deus é supérfluo”. Joseph Ratzinger considerou, na ocasião, “irracionais” as teorias que consideram a existência da humanidade um “resultado do acaso” e destacou que, para os cristãos, “Deus é o criador do céu e da terra, e que para entender a origem do mundo é preciso ter Deus como ponto de referência”.
Para Bento XVI, a fundação do cosmos e sua evolução estão na sabedoria divina, isto é, “não quer dizer que a criação só tem a ver com o começo do mundo e da vida”…, implica também que Deus abarca essa evolução e a apoia, a sustenta continuamente, completou o Papa na Pontifícia Academia das Ciências. Para o Papa não há oposição entre “a fé da compreensão da criação e a evidência empírica da ciência”. Em uma homilia do Papa Bento XVI, na Solenidade da Epifania do Senhor, quinta-feira 6 de janeiro de 2011, lemos: “Não deveríamos deixar limitar a nossa mente por teorias que chegam apenas a um certo ponto e que, se olharmos bem, não estão de modo algum em concorrência com a fé, mas não conseguem explicar o sentido derradeiro da realidade. Na beleza do mundo, no seu mistério, na sua grandeza e na sua racionalidade não podemos deixar de ler a racionalidade eterna, e não podemos deixar de nos fazer guiar por ela até ao único Deus, Criador do céu e da terra”.
O que podemos concluir?Sabemos que a Bíblia não pretende explicar cientificamente a criação do mundo. Os relatos do Gênesis são uma história religiosa que fala de todas as criaturas, que afirma que todas têm origem em Deus e na Sua palavra criadora.
A Igreja reconhece a existência de um processo evolutivo, mas também insiste em afirmar “o envolvimento de Deus” nesse processo. Para a Igreja, ter fé não significa ser contra a teoria da evolução, desde que seja entendido que esta evolução foi querida por Deus, programada e executada por Ele. Podemos falar de projeto inteligente de Deus, ou seja, a inteligência divina fez com que as coisas mudassem com a intervenção de Deus direta, gradual, pedagógica e providencial.
O magistério católico não aceita a teoria da eternidade do universo, pois faria dele um absoluto, um deus. Só Deus é eterno; só Deus não teve começo e não terá fim. O eterno é perfeito, não evolui. O universo evolui, teve início e terá fim. Admitimos um evolucionismo teísta, ou seja, que tem Deus como origem, condução e fim. Deus revela-se na criação. É bom e útil para nós deter-nos a contemplar a grandeza e as maravilhas de Deus nas suas obras pequenas e grandes. Devemos compreender que admitir a evolução não significa não acreditar na alma humana, imortal e racional, criada diretamente por Deus e colocada no momento da concepção do ser humano.
A Igreja entende a visão científica da evolução como “causas materiais”. A teoria da evolução, por exemplo, explica como as espécies vieram a ser e como, em determinados contextos, elas deixaram de ser. Como o Papa João Paulo II observa, na mensagem à Pontifícia Academia das Ciências, a teoria da evolução não explica a natureza do ser humano, dotado de uma alma intelectual que anseia por sobreviver à morte do corpo. A natureza do ser humano é mais que biológica, vai além do material. Entender o ser humano na complexidade de sua natureza que não se reduz à matéria é tarefa da filosofia e da teologia, e não dos cientistas. A teoria científica da evolução não oferece explicações da iniciativa de um Deus que cria o cosmos por amor, a partir do nada. Origem da matéria é uma coisa, porém da alma é tema da filosofia e teologia.
Toda teoria científica que nega a imaterialidade da alma humana ou que afirma que a teoria da evolução exclui a noção de um Deus criador não está de acordo com a fé católica, tanto no campo científico quanto no filosófico e no teológico. A Igreja está sempre aberta ao diálogo com as teorias da evolução que ajudam a explicar os aspectos materiais do universo.
1 Cf. Alocução à Academia das Ciências, 30 nov 1941; AAS, 33(1941), p.506.
Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 15 de março de 2019

Dom Tomé faz reunião com os padres que acolhem seminaristas para estágio pastoral

Dom Tomé se reuniu nesta sexta-feira, dia 15, com os 18 sacerdotes que acolhem seminaristas nos finais de semana para estágio pastoral em diversas paróquias e comunidades, tanto na cidade de São José do Rio Preto, como também em outras cidades da diocese.

O assunto tratado, segundo informou o reitor do Seminário Maior Diocesano, padre Leonel Brabo, foi o de "acompanhamento do processo de estágio Pastoral que os padres exercem acolhendo os seminaristas nos fins de semana, como um trabalho de formação pastoral". Esta foi a primeira reunião deste ano com os padres.




quinta-feira, 14 de março de 2019

Nova pesquisa revela os efeitos da fé no cérebro

A fé traz benefícios psicológicos e físicos, de acordo com estudos científicos
Um artigo da edição de março da revista italiana Benêsse, la saudé con l’anima nos oferece a oportunidade de aprofundar uma perspectiva científica sobre os efeitos psicofísicos da fé, revelando um panorama verdadeiramente encorajador.
O autor é o jornalista científico Piero Bianucci, que desde o início deixa claro que não está tentando tirar uma conclusão exagerada e utilitarista como: “Se você acredita em Deus, não terá nenhum problema de saúde”. Em vez disso, ele quer compartilhar conosco os resultados interessantes de experimentos neurocientíficos que mostram o impacto positivo da experiência religiosa.
Ressonância espiritual
O artigo é amplamente baseado no livro Psychothérapie de Dieu, escrito pelo psiquiatra francês Boris Cyrulnik, que revela que, através do uso de simples e não invasivos exames de ressonância magnética, tornou-se claro que a oração e outras experiências emocionais relacionadas à fé ativam uma área específica do cérebro: os lobos pré-frontais, que estão conectados com o sistema límbico – a área de memórias e emoções fortes (altamente estimuladas na infância).
Como consequência, ele diz, “estudos de circuitos cerebrais não revelam a existência de uma ‘zona de Deus’ ou uma ‘zona de religião’, mas mostram que um ambiente estruturado pela fé religiosa deixa uma marca biológica em nosso cérebro e torna mais fácil redescobrir sentimentos de êxtase ou transcendência adquiridos na infância”.
Isso leva a uma reflexão interessante. É como se tivéssemos um baú dentro de nós, pronto para ser aberto quando precisamos. Atividades como dizer suas preces noturnas quando criança, rezar o Rosário com sua avó ou ir à missa com seus pais não são momentos que desaparecem no ar com a adolescência e a idade adulta.
Mesmo quando nossos filhos adultos rejeitam nosso convite para orar, ou dão as costas decisivamente para a religião, podemos ter certeza de que as boas experiências que tiveram quando crianças, compartilhando conosco atividades baseadas na fé, continuam impressas em seus cérebros, e estarão prontas para reaparecer assim que o filho pródigo sentir a necessidade de voltar para casa.
Cantar nos une
A ideia de que a repetição é necessariamente entediante é um estereótipo muito errado. Quem conhece a beleza e a alegria de rezar o Rosário sabe que essa oração “repetitiva” nos torna como um alegre camponês que está cultivando um campo. Ao capinar e plantar, todo movimento parece repetitivo, mas é somente através dessa constante repetição que o campo é cultivado e semeado, e se torna fértil e frutífero.
A neurociência também descobriu o valor reconfortante e encorajador dos rituais. “A oração e as fórmulas sagradas dissolvem o sofrimento que vem com o isolamento. Quando você canta um hino, você não está sozinho. Objetos sagrados simbolizam a possibilidade de ter acesso àquele que protege a todos. Atos de fé nos inspiram a um sentimento de pertencer. O sentimento de fraternidade cura nossa ansiedade”.
Os relacionamentos são o motivador humano mais importante e são mais eficazes quando o companheirismo é real, na carne. Se as redes sociais nos dão a impressão de estarmos juntos e nos dão fóruns de partilha em que cada um expõe sua opinião, a Santa Missa é um gesto revolucionário, a manifestação de ser um coro, unido em harmonia, no qual reconhecemos um ao outro como iguais, com limites e necessidades compartilhados. Somos alegres porque juntos temos palavras para expressar nossa gratidão e louvor, palavras que funcionam para todos nós e que são verdadeiras para todos e cada um de nós.
Irmã Longevidade, Irmão Bem-Estar
A última notícia surpreendente encontrada no artigo de Piero Bianucci refere-se ao mundo do claustro.
Há muitas histórias de pessoas que nos últimos anos, não apenas no passado, fizeram a escolha contra-cultural de deixar para trás sua liberdade no mundo para se enclausurar em um convento ou mosteiro. Essas pessoas tornaram-se testemunhas, transbordando de alegria, revelando que não estão realmente longe do mundo; eles estão mais presentes no mundo, apesar de estarem às margens.
Os cientistas agora têm uma visão dessa forma entusiasta da vida, que aparentemente produz efeitos físicos e psicológicos: “Um grupo de pesquisadores ficou curioso quando descobriu que a expectativa de vida das freiras é particularmente alta, enquanto a taxa de ocorrência da doença de Alzheimer é incomumente baixa. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que era o ambiente do convento, estruturado na fé e nos rituais, que favorece um maior tempo de vida e que mantém o cérebro das irmãs funcionando de maneira eficiente”.
É lindo saber que esses servos do bem possuem reservas incomuns de perseverança, entusiasmo e força para continuar sua missão e ajudar-nos em nossas dificuldades diárias por meio de suas orações.
Fonte: Aleteia

quarta-feira, 13 de março de 2019

Orientações para os padres coordenadores de regiões pastorais e assessores de pastorais, movimentos e associações religiosas - Março de 2019




Caro Padre.

Agradeço imensamente ao Senhor pela sua ajuda fraterna na construção da comunhão eclesial, ao assumir um serviço de coordenação ou assessoria pastoral na Diocese de São José do Rio Preto. Deus lhe pague! Deixo aqui as ideias que conversamos no dia 13 de março, na Casa do Clero:

  1.  É preciso ter clara a distinção entre Pastoral, Movimento, Associação Religiosa e Nova Comunidade. A diversidade e pluralidade na Igreja é um bem, contribui para a unidade e a comunhão; são expressões diversas da manifestação do Divino Espírito Santo, como respostas aos sinais dos tempos. As pastorais estão sempre vinculadas estreitamente à CNBB, aos seus regionais e à Diocese. Os movimentos possuem uma organização mais ampla, internacional, possuem aprovação pontifícia e são acompanhados pela Santa Sé. As associações religiosas possuem organização internacional, com estatutos próprios, e são também reconhecidas pela Santa Sé. As novas comunidades são majoritariamente de direito diocesano, ainda não contempladas no Código de Direito Canônico, algumas são reconhecidas como associação privada ou pública de fiéis.
  2. O Padre assessor precisa estudar e estar seguro do carisma, natureza, objetivos e métodos do segmento que acompanha. A leitura dos estatutos, regulamentos, livros e artigos que explicitam a sua natureza é fundamental, para dar segurança no exercício do trabalho que realiza. A participação nos encontros de formação em âmbito nacional e estadual é importante, pois contribui para aperfeiçoar e atualizar seus conhecimentos, bem como possibilita a troca de experiências.
  3. É preciso trabalhar em equipe, na coordenação diocesana do segmento que você acompanha. Ainda que não seja possível uma equipe ideal e ampla, não podemos agir sozinhos. Na equipe, a alternância das funções, de acordo com o previsto nos estatutos e regulamentos, ou de acordo com as orientações da Diocese, não deve ser descurada, mas levada a sério. A presença de pessoas que pensam diferente não é um mal, mas um bem, que nos ajuda no equilíbrio e no bom senso.
  4. Seria salutar encontrar-se com assessores de outros grupos afins do segmento que você acompanha. Desta fraternidade poderiam surgir trabalhos comuns em âmbito diocesano, sobretudo de missão.
  5. É preciso cuidar com carinho e mais atenção de regiões e paróquias que são mais frágeis, isoladas, comunidades que estão sendo iniciadas ou que passam por momentos difíceis. É preciso estender ao largo o nosso olhar, pois são muitas as pessoas que nos esperam. Não tenha medo em investir em novos campos de trabalho. Gaste energias com o trabalho pastoral e com atividades que respondam às necessidades do Povo de Deus. Invista seu tempo para a promoção do bem.
  6. Precisa dar atenção às pessoas portadoras de deficiência, de todo tipo. Elas precisam ser integradas na vida da Igreja, receberem a pregação do evangelho e receberem os sacramentos. Não pode haver incúria de nossa parte, mas precisamos e devemos ir ao encontro destas pessoas, com solicitude pastoral.
  7. Temos que reduzir o convite a pregadores que venham de fora da Diocese. Tudo em excesso faz mal. É preciso encontrar o ponto de equilíbrio no convite a palestrantes e cuidar para que tenham ciência da vida pastoral da Diocese, através do Plano Diocesano de Pastoral. De qualquer forma, pregadores provenientes de outra Diocese precisam apresentar com antecedência a credencial oferecida pelo seu Bispo Diocesano. E quem convida, precisa do respaldo da Diocese de São José do Rio Preto, com consulta prévia e por escrito, através da chancelaria.
  8. Cada coordenação de pastoral deve contar com a presença de um seminarista da teologia, de comum acordo com o reitor do seminário maior. É um modo de aprendizado e de desenvolvimento de habilidades pastorais.
  9. Como meio de socialização dos trabalhos realizados no seu segmento, é preciso que você repasse fotos e textos para serem publicados pelo sistema de comunicação da Diocese: rádio, jornal, site, blog, face e instagram. É uma forma concreta de evangelizar e de partilhar as realizações. Este material deve ser enviado ao Thiago Melotti, na Cúria Diocesana.
  10. Preocupa alguns segmentos pastorais que estão presentes em um pequeno número de paróquias. É preciso investir para que possam chegar a outras paróquias e tenham de fato uma presença significativa na Diocese.

Acolha nosso abraço de gratidão e a certeza de nossas orações. Tudo por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, a serviço da Igreja, Povo de Deus e a Vinha do Senhor.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

terça-feira, 12 de março de 2019

O SACRAMENTO DA CONFISSÃO E A QUARESMA





O pecado é uma realidade que nos pertence enquanto construímos história no mundo, marca a nossa existência histórica do começo ao fim.  Não há pessoa humana que não experimente, em algum momento de sua vida, o pecado: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra” (Jo 8,7). Podemos pecar contra nós mesmos, o outro, as comunidades a que pertencemos, a sociedade e contra Deus. Não poucas vezes as estruturas que sustentam as sociedades estão também permeadas pelo pecado. O pecado pode ser pessoal, comunitário, social e estrutural, mas sempre passa pelo exercício da liberdade da pessoa humana.

Se de um lado ele abunda em nós e entre nós, diminui cada vez mais a consciência pessoal, comunitária e social do pecado. Pecamos e não sabemos, ou melhor, pecamos e não queremos saber que pecamos. O pecado tornou-se habitual em nós e entre nós, cotidianidade, algo encarado como normal. Anormal tornou-se não pecar. O que é uma ferida inserida na pessoa humana pelo arbítrio humano, acaba por ser considerado uma normalidade.  

No projeto de Deus, o pecado não faz parte da natureza humana, mas ele está tão socializado e arraigado em nós, que até parece ser natural à pessoa humana. Ao perder a consciência do pecado, perdemos também a capacidade de indignação e de luta contra ele. Assim, em vez de adversários do pecado, tornamo-nos aliados do pecado, terreno fértil para a sua propagação em nós, nas comunidades de pertença, na sociedade e nas suas estruturas.

O pecado não é absoluto e irreversível, ele não tem a última palavra, há solução para superá-lo em nossa vida, através da prática da caridade, da participação na santa Missa e no sacramento da confissão. A confissão, enquanto sacramento de cura, é o caminho ordinário para obtermos o perdão dos pecados. Ao confessarmos, o pecado é vencido pelo mistério da glorificação de Nosso Senhor Jesus Cristo, através da sua morte e ressurreição. A palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado aos apóstolos continua atual no ministério dos sacerdotes: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos” ( Jo 20,22-23).

Ao experimentarmos o pecado, somos vencidos pela tentação do demônio, que se nos apresenta continuamente. Cada pecado realizado é uma queda pessoal sob o influxo do tentador. O quanto pecamos é a demonstração de quão presente o tentador se encontra próximo a nós. O pecado é sempre um ato pessoal, consciente e deliberado, que acontece quando dizemos sim à tentação. O pecado é uma demonstração da fragilidade e susceptibilidade humana diante do espírito do mal.

A confissão é um percurso espiritual que realizamos sob o influxo do Divino Espírito Santo, pois é Ele que nos ajuda e predispõe para termos consciência do pecado, que nos leva ao arrependimento, que nos faz confessá-lo, nos fortalece para a penitência correspondente e nos permite reconstruir a vida sem nos deixar cativos do domínio do tentador. Na vida do pecador arrependido que busca o perdão há sempre a precedência da ação de Deus que vai ao encontro do filho desnorteado, porém não perdido, pelo pecado cometido.

Buscar o sacramento da confissão de modo habitual não nos faz menores, não é humilhação, mas ao contrário, nos coloca no nosso “quadrado” de pecadores arrependidos, nos coloca no caminho de volta para Deus, para o outro, para as comunidades e a sociedade. Não há tempo melhor do que a quaresma para buscarmos o perdão de Deus no sacramento da confissão, pois é um tempo penitencial, de conversão.

Confessado, sou uma pessoa restaurada pela ação do Divino Espírito Santo. A graça divina, através da confissão, reconstrói em mim, nos outros, na comunidade e na sociedade, o que foi corrompido ou destruído pelo pecado. Absolvido, sou mais livre: livre para ser amado por Deus, sem barreiras; livre para amar sem empecilhos.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.