terça-feira, 21 de agosto de 2018

Votar, um direito e um dever - Eleições 2018


A eleição se constitui num instrumento peculiar dos países democráticos usado para a escolha dos governantes, do executivo e legislativo, nos diversos âmbitos: municipal, estadual e federal. É um meio através do qual o cidadão participa efetivamente da construção do seu país. No Brasil, o voto é obrigatório, mas cresce a cada ano o número de pessoas que não se apresentam para votar e a quantidade de votos brancos e nulos é cada vez maior. 
Sou pessoalmente favorável à liberdade do cidadão escolher votar ou não. O voto livre, não obrigatório, pode contribuir para escolhas mais conscientes e responsáveis, livres do comércio e de escolhas aleatórias ou determinadas pela propaganda massiva veiculada através dos meios de comunicação. 

Mas na atual circunstância, não votar, votar em branco ou anular o voto, mesmo que seja sinal de protesto e discordância diante dos atuais governantes e legisladores, não fará bem ao Brasil. Diante desta necessidade e obrigatoriedade do voto, sugiro alguns pontos de reflexão para os fiéis Católicos Apostólicos Romanos da Diocese de São José do Rio Preto:

1.         Procure conhecer os partidos políticos, mesmo sendo muitos e sem consistência ideológica. Não há partido sem ideologia e nem toda ideologia é compatível com a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo frágeis, os partidos políticos são mediações necessárias na realidade política brasileira. Procure inteirar-se sobre a origem e a história dos partidos políticos. Verifique o programa de cada partido, sobretudo o que diz sobre questões éticas e importantes para o País. Veja se os ideais propostos não contrariam os princípios do Evangelho, tal como são compreendidos e propostos pela fé cristã guardada e transmitida pela Igreja Católica Apostólica Romana.

2.         Analise a vida do candidato: como ele vive em família? De onde ele retira o seu honesto sustento? Qual a origem do seu patrimônio? Seus bens são compatíveis com a sua trajetória familiar e profissional? Que serviços ele já prestou à sociedade onde se encontra? A sua história é marcada pela coerência? Ele é um bom esposo/esposa? Um bom pai/mãe? Ele responde por alguma ação na justiça?

3.        Procure saber dos vínculos do candidato com o partido no qual ele se encontra inscrito: Ele é fiel a seu partido há bastante tempo? Há uma coerência entre as suas propostas e o que se encontra no programa de seu partido? Suas “promessas” são viáveis? Elas podem ser executadas em um plano de ação de curto, médio e longo prazo?

4.        O partido do candidato defende a vida desde o seu inicio, no útero materno, até o seu fim natural? É contra o aborto e a eutanásia? Ele defende a liberdade religiosa e a ação social e caritativa das Igrejas? Ele respeita e defende a família, tal como é proposta por Nosso Senhor Jesus Cristo nos evangelhos? 

5.        O seu candidato se coloca contrário às manipulações da pessoa e da imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Nossa Senhora e dos santos? Ele tem se colocado favorável às causas humanitárias e de caridade propostas pela Igreja Católica Apostólica Romana? Ele é um fiel que participa efetivamente da Igreja? Ele defende publicamente a Igreja ou se envergonha dela?

6.        Que interesses são defendidos pelo partido de seu candidato? As ideias do partido podem ser executadas em um plano viável de ação? Seu candidato defende interesses de um grupo ou da sociedade? Quem financia o partido e o candidato? O partido e o candidato não estão envolvidos em corrupção? O candidato não usa do bem publico para beneficio privado?

7.        O candidato é de sua cidade ou região? Ele é uma pessoa acessível? Você já teve oportunidade de dialogar com ele? Ele já esteve em seu bairro? Já se reuniu com sua comunidade? Ele é sensível às questões sociais de sua região e ajuda a resolvê-las?

8.        Procure conhecer os projetos que o candidato ao legislativo, federal ou estadual, já apresentou ao longo de sua trajetória, se já teve um ou mais mandatos. Estes projetos foram sensatos e razoáveis? Eles representam o interesse comum ou apenas de um grupo? O candidato está sintonizado com as grandes questões nacionais ou “pensa pequeno”?

9.        O seu candidato ao Legislativo Federal apóia a reforma trabalhista? A reforma da previdência? A reforma tributária? A reforma política? Que tipo de reforma ele apoia? 

10.    O seu candidato é um “político profissional” ou possui outro meio de subsistência? Há quantos anos ele está em algum mandato? Não seria hora de mudar e buscar alguém novo? Ou ele ainda é merecedor de sua confiança?

11.    Não vote com o coração, mas com a razão. Não improvise a sua escolha, mas vá para a urna com os candidatos já bem definidos, após prévio e sensato discernimento. Veja as mulheres que são candidatas, procure valorizá-las, pois a sociedade brasileira precisa delas na realidade política, tanto no executivo quanto no legislativo.

12.    Ao votar, não se deixe levar pela opinião de outras pessoas. Não aceite que condicionem e direcionem o seu voto. Seja você mesmo o que analisa e exercita seu direito de escolha. 

Votar é um direito e um dever. Embora não seja a única solução, ele é um caminho indispensável para que a democracia se solidifique. Votar bem é uma responsabilidade moral, pois sua escolha afetará, bem ou mal, o conjunto da sociedade. Não use do voto para protestar, que ele seja positivo e propositivo, fruto de uma avaliação crítica; assim, você estará contribuindo para as soluções dos problemas da sociedade brasileira.

+Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto 

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