terça-feira, 7 de agosto de 2018

Matrimônio, Paternidade e Família






           
Ocorre na atualidade um desconhecimento da natureza do sacramento do matrimônio, da paternidade e da família sob o ponto de vista cristão, tal como são compreendidos pela Igreja Católica Apostólica Romana. Há uma pluralidade de modos de união entre pessoas e que dão origem a múltiplas formas de núcleos de convivência que se distanciam das propostas cristãs.
Segundo a Sagrada Escritura e o ensinamento da Igreja, no projeto de Deus o homem e a mulher existem um para o outro, para uma vida de comunhão de amor, para a procriação e a educação da prole. Esta união é querida e abençoada por Deus. É bom ser homem. É bom ser mulher. É boa a união de ambos, pois foram feitos um para o outro. É bom ter e educar os filhos.
Nosso Senhor Jesus Cristo elevou a união do homem e da mulher a sacramento, realidade sagrada, sinal de sua união com o Povo de Deus. Esta união não se realiza de qualquer modo, mas é uma vocação, vocação ao sacramento do matrimônio, que é o modo “natural” para o católico iniciar um novo núcleo familiar. Buscar livre e conscientemente o sacramento do matrimonio é passo seguro e estável para iniciar uma família católica.
O sacramento do matrimônio não deve ser improvisado pelos nubentes, mas ser precedido por um bom tempo de namoro e razoável tempo de noivado, tempos necessários de conhecimento, projeção e organização da vida em família. Matrimônio não se realiza da noite para o dia e nem se experimenta antes da bênção sacramental. No matrimônio a improvisação e a pressa são erros que comprometem o futuro.
A família cristã, constituída pelo pai, mãe e filhos, se inicia com o sacramento do matrimônio. A família é a casa do amor, onde sendo amados, aprendemos a amar. Como fiel guardiã do amor, a família garante às novas gerações a genuinidade da caridade. O ligame dos elos familiares é o amor oblativo, tal como contemplamos no Cristo crucificado que se entrega pelo Povo de Deus.
A família é Igreja doméstica, primeiro espaço de vivência da dimensão comunitária da fé, lugar de oração, reflexão e experiência dos mistérios da fé, escola da escuta orante da Palavra de Deus. Nela vivemos o cuidado recíproco e aprendemos a zelar uns dos outros, abrindo-nos à acolhida aos empobrecidos e a quantos vivem na periferia existencial. A família é a natural transmissora e primeira educadora da fé dos filhos e netos.
No contexto da família, a paternidade é um dom e uma responsabilidade. É bom ser pai, o homem não deve ter medo ou receio de ser pai. Ser pai é participar da atividade criadora e educadora de Deus Pai. Para nós cristãos católicos a paternidade deve ser vivida no contexto do sacramento do matrimônio e da família bem constituída, pois ser pai não é só procriar, mas também educar e transmitir valores humanos e cristãos.
Os “pais solteiros” e os “pais divorciados” não devem e não podem abandonar os seus filhos. Não basta e não é suficiente “pagar a pensão”, determinada pela justiça civil. É preciso dar amor, ser amor para os filhos, estejam eles com você ou não. Ser amor para os filhos é ser tempo para eles, deles cuidar amorosamente, acompanhá-los nas diversas fases de suas vidas. Filhos são prioridade antes de qualquer outra prioridade. Um pai não pode antepor nada ao cuidado e atenção aos seus filhos.
A semana nacional da família, de doze a dezoito de agosto, é uma ocasião oportuna para recuperarmos o sentido e a natureza do sacramento do matrimônio e da família cristã. Ser família, viver em família é bom e saudável. Sem família bem constituída, não há sociedade estável e Igreja missionária. Deus abençoe as nossas famílias!


+Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto 

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