quinta-feira, 5 de abril de 2018

A CERTEZA DA FÉ NAS HORAS DAS INCERTEZAS DA VIDA, DO MUNDO E DA HISTÓRIA

Estamos vivendo a alegria do Tempo Pascal, cinquenta dias para degustar parcimoniosamente o mistério da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Distendemos no tempo a intensidade do único Mistério Pascal para poder absorvê-lo segundo os limites de nossa natureza humana e de nossa humana fé. Um tempo de gratidão, de alegria e de esperança. Agradecemos a Deus Pai a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos alegra, Ele está vivo, é esperança da nossa ressurreição: n’Ele morremos para com Ele vivermos plenamente aqui, agora e na eternidade, na expectativa da ressurreição na parusia. “Vem Senhor Jesus! ”

Se um número relativamente grande de pessoas vive na alienação, preocupadas unicamente, por razões diversas, com sua sobrevivência pessoal e com as necessidades imediatas da vida, muitas vezes embaladas por algum tipo de “droga”, enxergando pouco ou nada além de si mesmas, outras sentem com mais intensidade e razoabilidade as incertezas da vida, do mundo e da história, que nos fazem viver em uma contínua “corda bamba”, sem sabermos ao certo o que será do amanhã, ou se haverá amanhã.

Há uma névoa escura e densa que nos encobre e nos deixa confusos, desnorteados, com pouco ou nenhum horizonte, que tem como origem o “enigma” da existência cotidiana, abjeta, mundana, sem sentido e significação. As incertezas da vida fazem a vida incerta. Quem não se aliena, sofre as dores do viver consciente e responsável, e se não for sustentado pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, não permanecerá em pé, mas viverá uma existência inautêntica e tediosa.

A história, fruto da ação humana no mundo, ressente do nosso modo de vida, é um eco cristalizado do modo como vivemos e estabelecemos as mais diversas relações na sociedade. Esta história, a partir do modo como é apresentada pelos meios de comunicação, parece estar à beira de um abismo iminente. Se a pessoa humana não está bem, também não vai bem a história. A boa ou má história influencia também a maldade ou bondade humana. A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo nos ajuda a compreender que a história tem um sentido, tem um rumo, caminha para um destino bom e saudável, apesar do pecado e de suas consequências nefastas.

Ora, a alienação das pessoas e a consequente construção de uma história sem paradigmas transcendentais afeta o mundo, fazendo dele objeto de exploração irracional, comprometendo a sua qualidade e sua própria existência. Não há acaso na exploração que leva a terra à exaustão e nos desastres ambientais. A confluência da ambição humana e das sociedades é o combustível das certas incertezas que rondam o planeta terra, que tem seu amanhã colocado em dúvida. Através da ação do Divino Espírito Santo nos cristãos, a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo atinge também o mundo, transfigura-o, retirando-o do influxo do pecado que o corrói como ferrugem.

Celebrar o mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo glorificado pela cruz e ressurreição é deixar-se iluminar por Ele e pelo que Ele nos legou nos evangelhos, vivendo na fé, caridade e esperança, fundamentos de uma história melhor e que não danifica o mundo. Que Nossa Senhora da Alegria, tão presente em nós no mês de maio, nos ajude a realizar o desejo do Divino Salvador: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. ” (Mc 16, 15-16).

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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