sexta-feira, 23 de março de 2018

NOSSA SENHORA DAS DORES

A tradição e a piedade popular, fundadas na Sagrada Escritura, apontam sete dores de Nossa Senhora, que percorrem o arco do tempo da apresentação de Jesus no templo, com a profecia do velho Simeão de que uma espada de dor traspassaria o coração de Maria (Lc 2,34-35), a primeira dor, até o sepultamento do Senhor, que seria a última.

Concentro-me naquela que seria a quinta dor: Maria aos pés da cruz participa da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Junto à cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’. A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu” (Jo 19,25-27).

Nossa Senhora está presente na hora crucial e decisiva de Nosso Senhor Jesus Cristo, sua crucifixão e morte, hora em que Ele sente a presença não presente do próprio Pai, ocasião em que gritou com voz forte: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? ” (Mc 15, 34).

Mais do que estar presente diante do Crucificado, Nossa Senhora é presença na morte do Crucificado, como foi presença em Nazaré e durante a vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estar presente não é sinônimo de ser presença. Diante da cruz Nossa Senhora é presença.

Nossa Senhora das Dores nos convida, pela sua postura, corajosa e implacável, a ser presença na vida do outro. Estar presente não é suficiente, pois seria ocasional, circunstancial, fixado meramente no exterior, movido por oportunismo, conveniência, por convenção ou obrigação familiar, de amizade ou de ofício. Ser presença é fazer-se um com o outro, em todas as circunstâncias, sobretudo quando ele experimenta os sinais dolorosos da contingência da criatura humana, o mal e a morte.

Somos presença na vida dos nossos pecadores? Somos presença quando os nossos são expostos à execração pública? Somos presença quando o outro experimenta os sinais do mal e os sintomas da morte? Afastamo-nos das pessoas quando elas incorrem em pecado, ou delas nos aproximamos com o bálsamo da correção fraterna?

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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