sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Assembleia Diocesana de Pastoral

Anualmente, a Diocese de São José do Rio Preto realiza um Encontro Diocesano de Pastoral que, também chamamos de Assembleia Diocesana de Pastoral, que reúne Sacerdotes, Diáconos Permanentes, Religiosos e Leigos, para um dia de oração, encontro e partilha, reflexão, estudo e orientações pastorais. Neste ano de 2017 será no dia 30 de setembro, das 7h30 às 13h00, na Catedral, em São José do Rio Preto. O tema será “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade”, a partir do Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, publicado após a Assembleia Geral do Episcopado Brasileiro no ano de 2016.

“Sal da terra e luz do mundo, na Igreja e na sociedade! Os cristãos leigos e leigas receberam, pelo Batismo e pela Crisma, a graça de serem Igreja e, por isso, a graça de serem sal da terra e luz do mundo (MT 5, 13-14)”. Com estas significativas e belas palavras, Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário-Geral da CNBB, inicia a apresentação do documento que desenvolve uma reflexão teológico-pastoral do leigo e sua missão na Igreja e na sociedade. Ser “sal da terra e luz do mundo” não é um encargo, nem missão que se impõe de fora, mas uma bênção, participação no ministério mesmo de Nosso Senhor Jesus Cristo, tal missão é uma alegre necessidade, exigência interior, para o fiel cristão.

O leigo é Igreja, membro constituinte; por seu intermédio, ele recebe de Deus a graça da fé, alimentada pelos sacramentos, pela Palavra de Deus e pela caridade pastoral, que lhe são oferecidos como alimento indispensável para sua vida e missão. Antes e mais do que fazer, na Igreja, o leigo é chamado a ser configurado com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, a viver voltado para em tudo realizar a vontade do Pai, que deseja que ele viva da fé, da esperança e da caridade, tornando-se uma pessoa virtuosa no seu estado de vida, que será visível expressão de sua santidade moral. Ser santo e viver santamente é o fundamento sólido da vida do leigo que o predispõe para fazer e exercer serviços, de modo eficiente e eficazmente, em benefício do Povo de Deus, do qual ele é parte.

A ação do leigo na Igreja, se não é prolongamento da sua santidade, será uma caricatura, um faz de conta que pecará contra a autenticidade. O bom leigo na Igreja não é necessariamente o que faz coisas ou exerce serviços, mas aquele que deixa a fé iluminar a sua vida pessoal, familiar, no trabalho ou escola, e na vida social. O bom leigo é bom fiel, que se abre à maternidade e paternidade como dom de Deus, que transmite e educa a fé da sua prole, que impregna sua vida profissional dos valores incutidos em nós por Nosso Senhor Jesus Cristo: verdade, justiça, caridade, bondade, solidariedade, integridade e transparência.

O mundo é o munod, santificado e pecaminoso, espaço do bem e do mal. É neste contexto dramático que o leigo vive e testemunha a sua fé. Ser leigo é lutar contra a maré, é acreditar e viver do humanamente impossível, é não perder a esperança diante de tanta desesperança. A sociedade tem sua lógica própria. Nas estruturas da sociedade os leigos têm que entrar, como fizeram os cristãos nos primeiros séculos do cristianismo. Não fugir ou afastar-se da sociedade, mas entrar nela, fecundá-la com os valores da fé, fazer ruir pouco a pouco tudo o que é produto do pecado: a injustiça, a violência, a desigualdade social, o erotismo e o aproveitamento em benefício próprio do que pertence a todos.

Por que os leigos católicos se afastam da política partidária? Por que não estão nos conselhos municipais de saúde, da criança e do adolescente, da pessoa idosa? Por que não são vozes ativas nos conselhos de bairros e nas escolas dos filhos? Por que se afastam dos sindicatos? Por que se recusam ser voluntários nas obras sociais? Quantas interrogações poderíamos colocar aqui, certamente muitas outras. Diante dos desafios do mundo, o leigo católico não pode fugir dele. Ao contrário, devem ser sal da terra e luz do mundo: imergir nele, desconstruí-lo, dar-lhe nova significação que nasce da fé, refunda-lo a partir dos valores da caridade, da justiça, da paz, da solidariedade e da fraternidade.

O Ano Nacional do Leigo, que se iniciará em novembro, na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, deve animar os fiéis católicos não ordenados a viverem a sua vida de fé na Igreja e no mundo: missionários e testemunhas de Nosso Senhor Jesus Cristo onde se encontram, não se envergonhando de sua fé católica e contribuindo para um mundo melhor fecundado pelo mistério do Reino de Deus.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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