quarta-feira, 28 de junho de 2017

JUBILEU ÁUREO DA RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA.

Há cinquenta anos passados, nos Estados Unidos da América, surgiu o movimento, no interior da Igreja Católica Apostólica Romana, denominado de Renovação Carismática Católica, no Brasil, conhecido pelas iniciais RCC, com uma espiritualidade cristológica, porém voltada à ação do Espírito Santo na vida do fiel, comunicando-lhe dons, carismas e serviços.

No Brasil, encontramos em toda parte membros da Renovação Carismática Católica desde o seu surgimento. Hoje, praticamente, não encontramos uma paróquia que não tenha algum grupo de oração ou de apostolado que se inspire direta ou indiretamente neste movimento. Na Diocese de São José do Rio Preto encontramos diversas expressões da Renovação Carismática Católica, e somos felizes por isso, são uma bênção para nós.

O surgimento e desenvolvimento da Renovação Carismática Católica no mundo, portanto também no Brasil, é uma doce e bela expressão da presença e atuação do Espírito Santo na Igreja e no mundo. A Igreja não seria o que é hoje se não contasse também com a presença e ação dos membros da Renovação Carismática Católica. Eles são Igreja, vivem nela e dela, e a partir dela, como leigos, se inserem no mundo como sinal de luz e fermento.

No Brasil, a distribuição de Bíblias e o acesso dos fiéis à Palavra de Deus se deve muito à ação dos membros da Renovação Carismática Católica, através dos grupos de oração que se disseminaram por todo o território nacional. Neles se faz uma “leitura existencial” da Palavra de Deus, procurando acolhê-la como luz que clareia as encruzilhadas da vida, fortalece nas dores e enriquece os empobrecidos, material e ou espiritualmente. Eles realizam, sem menosprezar a inteligência racional, uma “leitura afetiva” da Sagrada Escritura, bem próxima do cotidiano sofrido e desafiante dos fiéis. Neles e através deles, o Espírito Santo dá vida à Palavra, não só em sentido transcendente, mas existencialmente, torna-se Palavra viva e vivida, eficaz e eficiente. É, sem dúvida, um modo popular da leitura orante da Palavra de Deus.

A multiplicação dos grupos de oração, como espaço de encontro com Deus através da Bíblia e da oração, faz com que muitos se convertam, com uma aproximação ativa e efetiva à Jesus Cristo, à Igreja e aos sacramentos. Através da ação dos membros da Renovação Carismática Católica, muitos fiéis se sentiram chamados à conversão, se aproximaram dos sacramentos, sobretudo da confissão, da eucaristia e do matrimônio. Muitos deixaram a vida de pecado nas drogas, na bebida, na prostituição, tornando-se fiéis arrependidos e empenhados em viverem uma vida de santidade moral. Muitos fiéis que se encontravam distantes da dimensão comunitária da fé retornaram à Igreja graças a ação dos “carismáticos”, como são carinhosamente chamados os que participam deste movimento.

A organização mais sistemática da Renovação Carismática Católica no Brasil coincide com o surgimento e multiplicação dos grupos que se autodenominam “Novas Comunidades”, que se desvinculam da organização e supervisão da coordenação nacional e diocesana da Renovação Carismática Católica, mas conservam a sua espiritualidade, seus símbolos, seus cantos, seus gestuais e seu modo de rezar. Estas novas comunidades, de modo geral, salvo as exceções, são frutos da Renovação Carismática Católica.

Na celebração dos cinquenta anos da Renovação Carismática Católica é preciso refletir sobre a natureza das novas comunidades e sua autoproclamada independência do movimento que as inspira. São muitas as expressões das novas comunidades, não se encontram todas no mesmo estágio de desenvolvimento e amadurecimento. Poucas, se levamos em conta o número das existentes, possuem um reconhecimento formal diocesano ou pontifício. Algumas, ainda incipientes, em nada diferem de um grupo de oração e, no entanto, querem ser independentes das orientações e supervisão da coordenação geral e local da Renovação Carismática Católica. Não poderiam ser, algumas destas “novas comunidades”, uma forma e um meio para responder aos apelos voluntários de alguns líderes?

Embora em pequeno número, mas em alguns grupos de oração e novas comunidades, ligados ou não à Renovação Carismática Católica, se desenvolve um modo de rezar, no conteúdo e na forma, que vai se distanciando do modo de rezar da tradição da Igreja. Algumas fórmulas, gestos, cantos, posturas e conteúdo de seus momentos orantes vão assumindo um formato, não só externo, que mais se aproxima do neopentecostalismo que da fé cristã da Igreja Católica Apostólica Romana. Este é um segundo ponto que precisa ser cuidado e acompanhado com carinho para evitar eventuais distorções futuras que possam comprometer a unidade da fé e da Igreja, ainda que em âmbito local, confundindo os fiéis bem intencionados.

Em ação de graças e com alegria, participo do jubileu áureo da Renovação Carismática Católica no Brasil e no mundo. Sou muito agradecido a Deus pelo bem que seus membros realizam na Diocese de São José do Rio Preto. Desejo a eles uma vida santa e missionária, continuando a fazer o bem e a aproximar outras pessoas de Nosso Senhor Jesus Cristo e do seu evangelho de salvação. Obrigado pela frutuosa presença e ajuda que oferecem a esta Igreja Particular ao longo destes cinquenta anos.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Concentração Diocesana do Apostolado da Oração na Catedral de São José


Aconteceu na Catedral de São José no dia 25 de julho sob a assessoria do Padre Jeová, o encontro festivo e com muita espiritualidade dos membros do Apostolado da Oração de nossa diocese. Dom Tomé Ferreira da Silva presidiu a Eucaristia das 10h e em seguida fez a acolhida das comunidades presentes com palavras de incentivo a todos. A espiritualidade do Apostolado da Oração vai além da simples devoção de recitar orações ou pautar a vida cristã nas doze grandes promessas reveladas a Santa Margarida Maria. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem sua fonte nos santos evangelhos. Todos os atos de Cristo amor, perdão, acolhimento, misericórdia, curando, libertando ou devolvendo a dignidade humana sem condenar, são atitudes que revelam os sentimentos que dominavam o Coração do Divino Mestre. Ele mesmo indicou seu Santo Coração como modelo e exemplo a ser imitado: "aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração" (Mt 11,29). Que a santas devoções tornem-se então, meios para uma espiritualidade mais profunda e forjem em nós um coração misericordioso a exemplo do Coração de Jesus.
"Jesus manso e humilde de Coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso"


Irmã Isilda




Visita Pastoral: Paróquia São Pedro e São Paulo.


Seminaristas João Carlos Santos e Thiago Batista recebem ministério do leitorato na paróquia São Pedro e São Paulo, em SJRP.


Encontro Diocesano com lideranças das Capelas Rurais.

Vigília Mariana Diocesana


No ano Mariano, vivenciado em nosso país, pelos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, a nossa diocese celebrando sua padroeira, Imaculado Coração de Maria, realizou a Vigília Mariana, que teve várias atividades como o terço, procissão das flores, pregação com o padre Douglas, emocionante foi a coroação de Nossa Senhora, a animação ficou por conta da banda Trilhos do Céu e encerrou com a Santa Missa, presidida pelo nosso bispo Dom Tomé, que na sua homilia destacou com muita profundidade três virtudes do Coração de Maria sempre em sintonia com o Coração do seu Filho Jesus: coração puro, coração humilde e manso.



É bom lembrarmos que a devoção ao Imaculado Coração de Maria consiste na veneração do Coração de Maria, mãe de Jesus, e ganhou grande destaque com as aparições de Fátima, mas a origem deste culto pode ser encontrada nas palavras do evangelista Lucas, onde o Coração de Maria aparece como uma “arca de tesouros” (Lc 2,19) que guarda as mais santas lembranças.



Deus escolheu o Imaculado Coração de Maria, sem mancha e sem pecado, para que, assim como a salvação do mundo veio por Ela na pessoa de Jesus Cristo, também é por meio dela que nós haveremos de ser salvos. 



Celebrar a padroeira de nossa diocese, o Imaculado Coração de Maria é forte sinal para todos os devotos diocesanos. Convite a aceitarmos o amor, a voltarmos ao amor, a dizermos não a tentação e sedução do mal da violência, da morte, da arrogância e do poder do mal. Maria é voz da boa nova a anunciar que Cristo está vivo. Ela continua a ser presença da força do mistério pascal de Cristo, que vence o pecado e a morte. A Vigília Mariana foi uma grande manifestação de amor e veneração do nosso povo, aquela “que todas as gerações a chamaram de bendita”. 



Em nome do nosso bispo, de toda equipe organizadora, queremos expressar os nossos sinceros agradecimentos a todos indistintamente, pelo amor e dedicação nos diversos serviços para que tudo acontecesse da melhor forma possível, gratidão a todos pela participação. Sejam todos ricamente abençoados e recompensados pela proteção amorosa do Imaculado Coração de Maria, que nos revela Jesus.



Pe. Deusdet Aparecido Zanfolim
Cura da Catedral de São José

sexta-feira, 23 de junho de 2017


Dom Tomé faz visita pastoral à Paróquia São Pedro e São Paulo em São José do Rio Preto.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Na manhã de hoje, o Núcleo PAEC Vitória Régia da Cáritas Diocesana, recebeu a visita de dom Tomé Ferreira da Silva.

Dom Tomé conheceu as dependências do local, conversou com pais, colaboradores e crianças assistidas pelo projeto que realizaram uma apresentação musical com vozes de violões.

Ao final da visita, dom Tomé comunicou a doação de recursos financeiros para reforma da quadra esportiva, que atualmente se encontra sem condições de uso, e compra de doces para as crianças.








terça-feira, 20 de junho de 2017

Dom Tomé visita a Paróquia Maria Mãe de Deus

Dom Tomé pede ação do católico cristão em tempos de crise na política e na sociedade, durante visita na Paróquia


Dom Tomé Ferreira da Silva conclui visita pastoral na paróquia Maria Mãe de Deus destacando que o cristão deve ser exemplo de fé e retidão de conduta ainda mais em tempos de crises morais e éticas. Dom Tomé se reúne com leigos da Paróquia Maria Mãe de Deus para um bate-papo informal no último dia da visita.


O bispo de Rio Preto enfatiza na conversa com os paroquianos que é justamente nestes períodos de crises na política e na sociedade que o cristão leigo precisa ser ainda mais atuante! “O cristão precisa ser exemplo e dar o seu testemunho de fé e retidão de conduta!”, afirma. Dom Tomé também pede aos paroquianos que saiam dos templos em missão, assim como quer o Papa Francisco. “Hoje em dia, precisamos buscar os novos cristãos católicos fora da Igreja. A ordem se inverteu. Devemos sair dos templos mostrando um Cristo vivo e salvador!”, alerta Dom Tomé.


A visita do bispo de Rio Preto à Paróquia Maria Mãe de Deus integra o plano de visitas pastorais de Dom Tomé Ferreira da Silva na diocese.


Paulo Júnior | Jornalista

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Dom Tomé preside Missa Solene de Corpus Christi na paróquia Maria Mãe de Deus, em São José do Rio Preto.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Festa de Santo Antônio - Haiti

" Aqui o pão de santo Antônio tem outro sentido, não é um símbolo,  não é superstição,  não dá tempo de guardar um pedaço junto a lata de arroz. Após a bênção. .. distribuímos sacos com pães enriquecidos com abóbora, cenoura ou beterraba,  e logo eram abertos para serem consumidos, juntamente com um copo de leite.
Os pães foram produzidos em nossa padaria, pelo frei Gabriel junto com as 15 mulheres que ali tiram seu sustento.
Santo Antônio - rogai por nós,  para que a partilha do pão nunca acabe em nós."

Frei Afonso Lamberti
Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Dom Tomé participa da 80ª Assembleia do Regional Sul 1

Começou na tarde de ontem, a 80ª Assembleia do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP).

Os bispos do episcopado paulista estarão reunidos até o dia 8 de junho para refletir sobre o tema central do evento “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade: Sal da terra e luz do mundo”; o ano do laicato de 2018; a recepção e as implicações para as dioceses do Regional Sul 1”.
 
 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Crisma na Paróquia Divino Espírito Santo, em São José do Rio Preto.


Missa da Vigília de Pentecostes na Catedral de São José e encerramento da Jornada Diocesana com Catequistas de Crisma.




Padre José Riva completa 100 anos

Nasceu na cidade de Brescia na Itália, no dia 04 de junho de 1917, Giusseppe Erminio Riva (nome original, aportuguesado para José) se ordenou presbítero como religioso Pavoniano em 1942, aos 25 anos. Em 1950, com 33 anos veio como missionário para o Brasil. Também teve uma irmã Madre Fernanda Riva que tornou-se religiosa canossiana e foi missionária na Índia, onde faleceu em 1956. Já o padre José Riva passou 19 anos trabalhando em comunidades carentes de Vitória (ES). Depois assumiu o trabalho missionário em Cáceres (MT). No Mato Grosso iniciou quatro paróquias, ajudou a construir 110 casinhas e contraiu três vezes a doença da malária. Em 1983 foi para Anápolis (GO) onde permaneceu por cinco anos. Durante sua estadia em Goiás trabalhou como vice pároco e Prefeito de Disciplina no Seminário Diocesano de Anápolis. Em 1988 muda-se para São José do Rio Preto e até o ano de 2008 trabalhou como Capelão assistindo doentes no Hospital de Base, Santa Casa de Misericórdia, Ielar e outros hospitais, asilos e entidades da diocese, principalmente Potirendaba, Nhandeara e Votuporanga. 

Padre Riva quando chegou em Rio Preto não tinha dinheiro para comprar um carro, para não interromper sua atividade missionária comprou uma bicicleta para realizar sua missão. Como morava na Paróquia Santa Terezinha, no Bairro São Deocleciano pedalava até o Hospital de Base que fica no bairro Nova Redentora. O percurso tem cerca de cinco quilômetros. Ainda no Hospital de Base, após celebração diária da Eucaristia fazia questão de percorrer os sete andares, entrando nos mais de 600 quartos. Ganhou dos pacientes, médicos e funcionários o apelido de “formiguinha atômica” devido a rapidez e disposição com que realizava as visitas.

Padre Riva possui uma crença no ser humano devido a sua fé inabalável em Deus, dizia sempre que onde há alma há salvação e que o segredo da longevidade é a fé em Deus e a vontade de salvar almas.
Está na Diocese há 29 anos e desde 2007 mora em Jaci, no Hospital Mãe da Divina Providência que está aos cuidados do Frei Francisco. E hoje depois de cuidar de tantos doentes não possui mais condições física para realizar o trabalho missionário de visitas que exerceu durante tanto tempo. 

Mas continua testemunhando pela fé, esperança e caridade que bela é a vida com Deus e é bela até a morte.

OS INDIVÍDUOS, OS FATOS E AS IDEIAS.

Uma sociedade organizada é resultado da complexidade de relações ordenadas que se estabelecem entre pessoas, organizações e instituições, estas, das mais variadas espécies. A pessoa é fonte e fim das realidades históricas de qualquer natureza. A pessoa é irredutível: a sociedade, e tudo o que nela se faz, existe para a pessoa, não a pessoa para a sociedade. Há uma primazia natural, ontológica e antropológica da pessoa sobre a sociedade.

Produto singular, o mais nobre e tipicamente humano, a cultura, como conjunto de valores enraizados no tempo, embora mutáveis, é paradigma estável para a organização da sociedade, de um povo, de uma nação e de um estado. Ao mesmo tempo produtora da cultura, a pessoa é também dela, de algum modo e intensidade, produto. Há uma relação de dependência e complementariedade entre a cultura, como valor, e a pessoa.

Por não ser apenas um produto cultural, ontologicamente pensando, a pessoa antecede e é mais que a cultura, que é seu produto. A cultura, por sua vez, inspira ideias, contextualiza fatos, configura a história, sustenta a sociedade, dá identidade a uma nação e legitima os estados. Assim, a pessoa é fonte e razão de ser das realidades históricas acima mencionadas, pois os valores que as informam têm nela a sua nascente.

Conectados com o mundo, nós brasileiros vivemos um tsunami de fatos sociais negativos, sobretudo na política e na economia, mas estes fundados na vida social e pessoal dos cidadãos, visibilizados pelos meios de comunicação em tempo real, criando uma “pararealidade” onde se encontram verdades, “meias verdades”, se é que isto é possível, e também mentiras, que são apresentadas como se verdades fossem, que se cristalizam como respostas aos mais diversos interesses, não só econômicos e políticos, mas ideológicos e até religiosos.

Fato é fato, uma vez ocorrido, não pode ser negado. A partir do momento que os fatos são apresentados eles não podem ser assimilados tal como são comunicados. A apresentação de um fato não se identifica com o fato. Entre o ocorrido e a sua comunicação há a inserção de outras realidades que impossibilitam a captação do fato tal como de fato ocorreu. E não tem como ser diferente. A “desfiguração” do fato é condição para que possa ser comunicado, pois o fato em si mesmo não pode ser acolhido e comunicado. O que se comunica é uma visão ou uma versão do fato, sempre. Não há comunicação neutra, ela será sempre contextualizada.

Os meios de comunicação têm cumprido exemplarmente com a missão de comunicar os fatos. Porém não basta. Estamos “desorientados” entre tantos fatos apresentados, com tantas versões e matizes. O caminho mais simples, com esta “confusão natural”, é voltar a atenção só para as pessoas envolvidas nos fatos, o que não é errado, mas não é tudo. Não basta tomar conhecimento do fato e dos seus atores. Discordar dos fatos é necessário para toda pessoa de bom senso. Mas só identificar, julgar e punir os atores, informal e formalmente, não é suficiente.

Não desplugados do mundo, nós brasileiros precisamos olhar para os horizontes que se situam para além dos fatos e das pessoas. É necessário compreender a natureza e o funcionamento da sociedade, o que ainda não é possível para a imensa maioria de nós brasileiros. Não temos muitas estruturas e ferramentas às mãos que nos ajudem nesse empreendimento. Os bastidores do Brasil são acessíveis a poucos privilegiados, por culpa da organização e da ação dos que se fazem proprietários do estado.

É preciso ser sujeito da história, o que é negado aos brasileiros, não só pelo modo como é organizado o estado, mas por sermos historicamente privados de educação de qualidade que favoreça o desenvolvimento da inteligência pessoal e não só transmita informações que contribuem tão somente para armazenar e aumentar uma pequena coleção de elementos de saber acadêmico.

Não somos uma enciclopédia, um pen-drive, um CD, para armazenar dados. Hoje estes são armazenados na “nuvem” e podem ser requisitados em qualquer tempo e lugar. Um homem culto não é necessariamente um homem inteligente. A nação brasileira não pode contentar-se com homens cultos, informados pelos meios de comunicação, mas necessita promover condições justas e iguais para o aprimoramento da inteligência para todos, a cada um na medida das suas potencialidades.

Não basta alterar os personagens e variar o script dos fatos. Brasileiros, não devemos ser consumidores de roteiros, ainda que medianamente elaborados, seja pela elite do saber, por grupos econômicos, por empresas de comunicação, partidos políticos ou ideologias cristalizadas. Não basta sermos atores e consumidores de saber selecionado, queremos e devemos ser autores e diretores do nosso destino, cidadãos iguais, produtores de história.

Para além dos indivíduos e dos fatos, existem ideias, que brotam da vida das pessoas, vivida e lida com inteligência, que agrega fé e razão. São ideias assim que nos levam a construir a cultura como conjunto de valores que fundam um povo, uma nação e um estado chamado Brasil. Pessoas inteligentes produzem ideias razoáveis que se tornarão sementes de valores que perdurarão e serão suficientes para mudanças sociais, paradigmas de educação séria, referências para a nação e garantia para o estado.

A crise que hoje experimentamos não é o fim do poço. O fim do poço está na crise de ideias e de ideias programáticas, na crise da cultura como conjunto de valores. Para além dos indivíduos e dos fatos, é isto que precisa ser construído, cultivado e disseminado, ideias e valores.

A mudança dos atores pode ser um passo, mas não será significativo, pois o script, o roteiro vigente, é o mesmo viciado das últimas décadas. Para novos fatos e roteiros precisamos de ideias e valores, o que falta não só aos governantes e aos que ocupam funções públicas, mas tem sido escasso na sociedade, na nossa nação e no estado brasileiro.



+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

V Café Teológico reúne cerca de 500 pessoas na Catedral de São José.