segunda-feira, 13 de junho de 2016

MEIO ANO DO JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA.

Em 08 de dezembro de 2015, o Santo Padre o Papa Francisco iniciou, em Roma, na Basílica de São Pedro, o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que será encerrado no dia 20 de novembro do ano em curso. Assim, estamos praticamente no meio deste tempo especial de conversão à misericórdia de Deus.

Deus, Pai misericordioso, está de prontidão para, em Cristo, o rosto da misericórdia, acolher-nos, pobres pecadores. De que adianta a misericórdia divina, se a pessoa humana não tem consciência dos seus pecados, deles não se arrepende e não se dispõe a fazer o caminho da conversão? 

O rei Davi (cf 2Sm 11-12), em certo momento de sua vida, precisou da incisiva admoestação do Profeta Natã, para tomar consciência dos seus pecados, adultério com Betsabeia e morte de Urias. Ferido pela palavra audaciosa do profeta, que falou em nome de Deus, Davi reconheceu seus pecados, impôs-se grave penitência e mostrou sua contrição e desejo de vida nova.

Somos pecadores convertidos, pecadores em conversão, santificados por Deus no Batismo, pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, glorificado pela Cruz e Ressurreição, procurando responder a este dom sobrenatural por uma vida de retidão moral, sempre caindo e levantando, no drama da vida cristã, enquanto nos encontramos nesta existência dramática no mundo e na história, no dilema do “já” e do “ainda não”. Nesta condição, somos profetas, como Natã. 

Muitos pecadores, vítimas da ignorância, total ou parcial, de Nosso Senhor Jesus Cristo e do seu Evangelho de Salvação, esperam nossa intervenção testemunhal, pela vida e pela palavra, para que a fé seja despertada em suas vidas e possam então e também conhecer, amar e seguir o Divino Salvador.

Há uma tentação de não querermos enxergar, ou de ignorar, ou de nada fazer diante do pecador ou pecadora, ainda escravizados, que convivem conosco. Às vezes, achamos que cada um é “dono de sua vida”, por isso pode fazer o que quer e como quer. Tentação ainda pior e mais deletéria é aquela de não mais reconhecer a natureza do pecado, achar que ele não existe e que tudo é permitido. Por amor, não podemos abandonar os pecadores. 

Para que a misericórdia divina, doada a  nós através da obra salvífica de Nosso Senhor Jesus Cristo, chegue a todos os pecadores, precisamos agir como o Profeta Natã: partindo da Palavra de Deus, que instrui, mas também corrige e regenera, com a força e eficácia que lhe são próprias, chamá-los à consciência dos seus erros, ao arrependimento, a fazer o caminho de volta para Deus, Pai Misericordioso, através do conhecimento, do amor e seguimento ao Divino Mestre.

Não devemos permanecer insensíveis e inertes diante dos pecadores inveterados, não podemos deixá-los escravos do mal, abandoná-los à perdição no tempo e correndo o risco da danação eterna. Temos cinco meses, neste “Ano da Misericórdia”, para vivermos como profetas da misericórdia, indo ao encontro dos pecadores para conduzi-los à Nosso Senhor Jesus Cristo, o rosto da misericórdia de Deus.

Na missão junto aos pecadores, não estamos sozinhos, mas caminha e age adiante, nos assiste, nos fortalece e ampara a  pessoa do Divino Espírito Santo. Por isso, não precisamos temer, mas confiar e seguir adiante.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

Um comentário:

  1. Dom Tomé, parabéns pelo excelente artigo! Possamos nós, pecadores, nos emendar de nossas faltas e chegarmos ao Pai Celeste.
    Sua benção!
    Nathan de Matos.
    Paróquia Maria Máe de Deus | Rito tridentino

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