sexta-feira, 11 de março de 2016

“DEIXAI-VOS RECONCILIAR COM DEUS!”

Emoldurada pelo “Ano Jubilar da Misericórdia”, a quaresma é uma forte conclamação para a pessoa deixar-se reconciliar com Deus.  Reconciliar é restabelecer a paz quebrada, refazer a amizade perdida, voltar à graça de Deus.

No movimento da reconciliação, o primeiro passo é de Deus; passo que antecede a consciência que o pecador tem de sua condição. Escrevendo aos coríntios, Paulo, Apóstolo, afirma: “Tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação” (2Cor5,18). DEUS NOS RECONCILIOU CONSIGO! Tudo vem de Deus, também a reconciliação. É d’Ele a iniciativa para restabelecer a paz e  a amizade  com a pessoa humana, inserindo-a na vida da graça divina. 

Como Deus realiza a reconciliação? Paulo, Apóstolo, explica: “Em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra da reconciliação” (2Cor5,19). Nosso Senhor Jesus Cristo é o Reconciliador, é quem nos redime, sem merecimento de nossa parte, sem levar em conta o custo dos nossos pecados; Ele pagou o resgate com sua própria vida, com seu sangue derramado da cruz: “Aquele que não cometeu nenhum pecado, DEUS O FEZ PECADO POR NÓS, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus”(2Cor5,21).

O apelo de Paulo, Apóstolo, “Deixai-vos reconciliar com Deus”, espera uma resposta. Uma resposta que passa pela consciência da pessoa em reconhecer-se pecadora e abrir-se à misericórdia e ao perdão de Deus. Sem a consciência do pecado, nada feito, nenhum caminho de reconciliação será percorrido.
Na parábola do Filho Pródigo (Lc 15, 1-32), no versículo dezessete, lemos: “Então caiu em si (...)”. Não cair em si, eis a pedra que impede a reconciliação: a pessoa não se reconhece pecadora, pois vive num mundo sem pecado. Agora, o pecado tornou-se uma categoria mais  linguística, mas pouco ou nada existencial. Sem consciência do pecado não há arrependimento; sem arrependimento não há resposta humana para a reconciliação divina. O arrependimento é a porta para entrar na morada da divina misericórdia.

São muitos os fatores sociológicos, psicológicos, religiosos e culturais que diluem a natureza do pecado e com isso impedem ou dificultam à pessoa reconhecer-se pecadora. Eis, então, um desafio de primeira hora: ajudar o pecador a reconhecer seu pecado, e isto não se faz sem o anuncio explícito do evangelho.

“Ora, como invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele que não ouviram? E como ouvirão, se ninguém o proclamar?” (Rm 10,14). É ouvindo a proclamação do evangelho que a fé será despertada ou reanimada no coração do pecador, levando-o a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Misericórdia do Pai, o Redentor. E só assim ele abrir-se-á à reconciliação com Deus. Ir ao encontro dos pecadores, onde eles se encontram, eis o rumo e destino da “Igreja em saída”. “A fé vem pela pregação e a pregação, pela palavra de Cristo”(Rm 10, 17).

Enquanto permanecermos longe dos pecadores não haverá vida nova para eles, para a Igreja e para o mundo. Os pecadores são prioridade da Igreja, pois Nosso Senhor Jesus Cristo veio para eles: “Não é a justos que vim chamar à conversão, mas a pecadores”(Lc 5,32).


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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