sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

MISERICÓRDIA, SENHOR, MISERICÓRDIA!

“Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

De 08 de dezembro de 2015, Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora e cinquentenário da conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II, a 20 de novembro de 2016, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, vivemos o “Jubileu Extraordinário da Misericórdia”, proclamado pelo Santo Padre o Papa Francisco, “tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos crentes” (3).

O Ano Santo da Misericórdia é uma oportunidade ímpar para contemplar a “Jesus Cristo, o rosto da misericórdia do Pai” (1). Segundo o Papa Francisco, a “Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”(2). A misericórdia é “fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação” (2). 

Contemplamos Nosso Senhor Jesus Cristo Misericordioso seguindo três caminhos, interligados, que nos conduzem à salvação: acolhendo a misericórdia nos sacramentos e sacramentais; praticando as obras de misericórdia corporais e espirituais; meditando, refletindo e rezando a misericórdia a partir dos textos bíblicos, da Patrística, dos documentos do Magistério da Igreja e dos Papas.

Os sete sacramentos, cada qual a seu modo, são meios através dos quais acolhemos a misericórdia de Deus. De modo singular, o Batismo, a Confissão, a Eucaristia e a Unção dos Enfermos. É um ano bom para conduzirmos ao batismo tantos jovens, adolescentes e crianças que ainda não se tornaram sacramentalmente filhos e filhas de Deus e não foram introduzidos na Igreja, Povo de Deus e Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para nós batizados, uma oportunidade propícia para redescobrir a espiritualidade batismal com maior intensidade, quem faze fazendo a experiência de uma catequese ao estilo catecumenal.

Para o fiel cristão consciente de ser pecador, aproximar-se do sacramento da confissão é usufruir de modo privilegiado da misericórdia de Deus: “Perante a gravidade do pecado, Deus responde com a plenitude do perdão. A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado, e ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa” (3). Perdoados por Deus, somos enviados a perdoar: “O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir” (9). Por outro lado, é bom não esquecer a palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”(9). Perdoados, perdoamos; perdoamos, somos perdoados. Muito bonita a oração de absolvição, no sacramento da confissão: “Deus, Pai de Misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém!”

A Eucaristia dominical, bom seria diária, Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, é um valioso alimento para a vida e a vida eterna, sem igual, preventivo, que fortalece o fiel para não pecar, habilitando-o na luta contra a tentação do maligno que sempre deseja desviá-lo da vida moral fundada na Palavra de Deus. Significativas estas duas orações rezadas pelo sacerdote antes e depois da Comunhão Eucarística: “Senhor Jesus Cristo, o vosso Corpo e o vosso Sangue, que vou receber, não se tornem causa de juízo e condenação; mas, por vossa bondade, sejam sustento e remédio para minha vida.” “Fazei, Senhor, que conservemos num coração puro o que nossa boca recebeu. E que esta dádiva temporal se transforme para nós em remédio eterno.”

Durante o Jubileu da Misericórdia podemos redescobrir e oferecer com insistência aos nossos enfermos e doentes o sacramento da Unção dos Enfermos, pois é um precioso remédio de misericórdia no momento em que experimentamos a fragilidade da vida. Como é consoladora a oração da Sagrada Unção: “Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo. Para que liberto dos teus pecados, ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos.”

Desejosos da misericórdia divina, pecadores conscientes e em contrição, vamos ao encontro dos sacramentos, de coração livre e mente destravada, iluminados pela fé e pela Palavra de Deus, buscar o salutar remédio para a nossa salvação, o amor misericordioso de Deus, que nos é oferecido gratuita e prodigamente pelo mistério da Encarnação, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Santo Jubileu da Misericórdia! Aproveite o mar de graças que inunda a Igreja neste Ano Santo.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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