segunda-feira, 19 de outubro de 2015

MISERICÓRDIA, MISSÃO E SERVIÇO

Vivemos o “Dia Mundial das Missões”, neste dezoito de outubro. A realidade dos dois terços da humanidade que ainda não ouviram o primeiro anúncio de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seu evangelho de salvação mostram a urgência e a necessidade da “missão além das fronteiras”. Em todos os continentes há um inumerável contingente de pessoas que aguardam sair da ignorância total do conhecimento do Divino Salvador. Para a missão são necessários pessoas e recursos, missionários e dinheiro.

A Campanha Missionária – 2015 trouxe como tema “Missão é Servir”, inspirado na palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos” (Mc 10,44). Diz o Papa Francisco: “(...) na doação, a vida se fortalece; e enfraquece no comodismo e no isolamento. De fato, os que mais desfrutam da vida são os que deixam a segurança da margem e se apaixonam pela missão de comunicar vida aos demais” (EG 10). Por isso, a urgência de uma “Igreja em saída”, comunicadora da graça salvadora de Cristo a toda pessoa humana.

O Povo de Deus, a Igreja, é naturalmente missionário: “sai para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo” (DGAE 36). O fiel católico tem consciência de que “o distanciamento em relação a Jesus Cristo e ao Reino de Deus traz graves consequências para toda a humanidade” ( DGAE 39).

O Divino Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, é remédio para a enfermidade social que se manifesta de tantos modos como consequência do pecado das origens, que rebrota nos males pessoais, sociais e estruturais. Por isso a urgência da missão: “Proclama a Palavra, insiste oportuna ou inoportunamente, convence, repreende, exorta, com toda a paciência e com a preocupação de ensinar” ( 2Tm 4,2 ).

Na Bula “Misericordiae Vultus”, onde proclama o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco afirma: “A arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia (...) A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo (...) O perdão é uma força que ressuscita para nova vida e infunde a coragem para olhar o futuro com esperança”(10). A misericórdia de Deus, através de Nosso Senhor Jesus Cristo, é o conteúdo da missão.

“A primeira verdade da Igreja é o amor de Cristo. E deste amor que vai até ao perdão e ao dom de si mesmo, a Igreja faz-se serva e mediadora junto dos homens” (MV 12). A Igreja missionária é portadora da misericórdia de Deus em Cristo para a humanidade hoje. Ela faz ecoar a todos o brado das Bem-aventuranças: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7).

Na fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja procura ser misericordiosa com todos, exortando seus filhos e filhas a viverem as obras de misericórdia corporal: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos; e as obras de misericórdia espiritual: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos.

Na prática das obras de misericórdia, é bom não esquecer: “Quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria” (Rm 12,8). Sejamos missionários a serviço da misericórdia. Experimentamos a misericórdia de Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo; “misericordiados”, vamos levar a misericórdia divina aos que a aguardam, mesmo não sabendo que a desejam e esperam.  


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP


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