sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sinais dos Tempos


“Felizes os que choram, porque serão consolados”(Mt 5, 4).

Deus fala também através da história, dos acontecimentos. Saber ler os “sinais dos tempos” e neles discernir a vontade de Deus é atitude sábia e muito pode ajudar a viver e a melhorar o convívio social e a organização da sociedade.

O fenômeno da migração é antigo, com causas diversas, naturais ou sociais, mas estamos assustados com as imagens divulgadas nos últimos dias. Uma vez mais as mídias cumpriram o seu papel ao mostrarem mundialmente o absurdo do fenômeno das atuais migrações, que não são dos últimos dias, mas já ocorriam e não eram visibilizadas intensamente pela imprensa. O Papa Francisco, tão logo iniciou o seu pontificado, fez e faz questão de mostrar, com gestos e palavras, as condições desumanas das migrações hodiernas.

Há dificuldades diversas para a Europa, sobretudo, mas também para as Américas, acolherem bem e integrarem o grande número de migrantes. Não há capacidade e condições ilimitadas para a acolhida. Se de um lado o mundo precisa abrir-se para acolher os que buscam viver, por outro lado, é preciso trabalhar para superar as causas que provocam a migração em massa, como a que agora acontece.

Os fluxos migratórios provenientes da África, Ásia e Oriente Médio, com destino à Europa, mas também para as Américas, são provocados pela fome, questões políticas, guerra civil e intolerância religiosa, entre outras causas. É preciso uma ação dos organismos internacionais e das nações e seus governantes para ajudar a sanar “in loco” estas causas que provocam as atuais ondas migratórias, assegurando às pessoas o direito de viverem em seu país, com sua cultura, de modo digno e seguro.
Há um silêncio perturbador, ou seria de cumplicidade, dos governantes e dos organismos internacionais que não agem com vontade para promover a liberdade religiosa em todas as nações. Os cristãos, em países da Ásia, África e Oriente Médio, estão sendo privados de viverem e exprimirem publicamente sua fé; são espoliados, perseguidos, obrigados a migrar ou levados à morte simplesmente pelo fato de serem amigos de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

No cenário internacional, tão complexo, o Governo Brasileiro poderia fazer mais na defesa e promoção da liberdade religiosa, também cobrando de alguns governantes ações efetivas que protejam os cristãos, onde são minoria da população, assegurando-lhes os mesmos direitos do conjunto da população local.

Entre nós, na Diocese de São José do Rio Preto, embora não possua dados concretos, encontramos alguns migrantes provenientes da Bolívia e do Haiti, ainda que em pequeno número, ao que me parece. Na medida do possível, que proporcionemos a eles o que precisam para viverem bem entre nós, com dignidade e segurança. Que sejam acolhidos como irmãos na fé e sejamos misericordiosos.
Não esqueçamos a palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Eu era forasteiro, e me recebestes em casa” (Mt 25, 35).

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP


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