segunda-feira, 14 de setembro de 2015

FRANCISCO, “O PAPA QUE CONFORTA OS AFLITOS E AFLIGE OS QUE ESTÃO CONFORTÁVEIS.”



O Santo Padre o Papa Francisco, neste setembro de 2015, de 19 a 21, estará em Cuba; de 22 a 27, nos Estados Unidos da América. Nos dois países, em “visita apostólica”, como sucessor do Apóstolo Pedro na Igreja Católica Apostólica Romana; vai como mensageiro da paz e da fraternidade entre os povos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e anunciando o Evangelho de Salvação.

Em Cuba, a presença do Santo Padre será de proximidade aos fiéis católicos que ainda não gozam de plena liberdade na profissão pública da fé e na organização das estruturas da Igreja na sociedade. Ao mesmo tempo, de afirmação da necessidade da liberdade como condição para uma vida digna para todos, e de organização de uma sociedade democrática que respeite as diferenças de opinião e ideias. 

Nos Estados Unidos da América, dois compromissos do Santo Padre o Papa Francisco, sem menosprezar os outros, assumem uma importância singular: a sua presença em uma sessão conjunta do Congresso, no dia 24, e o seu discurso na ONU, Organização das Nações Unidas, no dia 25.  São dois espaços não vinculados à Igreja, com públicos laicos e posições ideológicas diferentes entre si, muitas vezes em contraste com o que proclama o Evangelho. Nestes dois momentos ele não falará apenas aos setenta milhões de católicos presentes nos EUA.

Neste período em que os olhos do mundo estão voltados para os migrantes que chegam à Europa, provenientes da Ásia, África e Oriente Médio, é bom lembrar que nos EUA se encontra um grande número de migrantes em situação ilegal, e muitos deles provenientes da América Latina. São onze milhões de pessoas correndo o risco de serem deportadas. Muitos deles são Católicos Apostólicos Romanos, que levam novo vigor à fé e à Igreja Católica Apostólica Romana nos EUA.

O Padre Thomas Reese, analista do jornal “National Catholic Reporter”, jesuíta, comentando a visita do Santo Padre o Papa Francisco aos EUA, afirma: “Um dos papeis do Papa é ser um profeta, que conforta os aflitos e aflige os que estão confortáveis.” Nos dois grandes palcos onde marcará presença, no Congresso dos EUA e na ONU, o Papa falará ao mundo. Esperamos ouvir uma palavra forte que conclame os governantes a agirem em favor da liberdade religiosa, a promoverem ações concretas que assegurem aos cristãos o direito de professar publicamente a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, de se organizarem em comunidades, criando as estruturas necessárias para o culto, a ação pastoral e a caridade responsável.

Nosso Senhor Jesus Cristo caminhou com a liberdade de Deus para Jerusalém. O Apóstolo Paulo não teve medo do areópago de Atenas e de Roma, então centros da cultura e da organização do mundo. O Papa Francisco vai aos EUA, o “centro do mundo”, ou de boa parte das sociedades democráticas ocidentais. Esta sua viagem é carregada de sentido e de coragem, ousadia do homem de Deus que não foge dos novos areópagos, propagadores não só da cultura contemporânea, mas da economia e da geopolítica mundial. Entre estranhos, numa santa e ousada solidão, agirá e falará com a soberania própria de profeta.

Acompanhemos com a nossa oração o Santo Padre o Papa Francisco em sua viagem apostólica a Cuba e aos Estados Unidos da América. Que seus gestos e palavras encontrem acolhida e ressonância no coração dos fiéis, dos homens de boa vontade, das autoridades norte-americanas e cubanas, e dos que representam o mundo na ONU.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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