terça-feira, 22 de setembro de 2015

DE CRISE EM CRISE VAMOS SENDO ACRISOLADOS.

Hoje tudo é globalizado, também a “crise”, que avança no Brasil não como “marolinha”, mas como ondas sucessivas de “tsunamis” devastadores, e só não vê quem não quer. Ela tem se manifestado na economia e na política, com mais intensidade, com ramificações em outras dimensões da vida pessoal e social, não menos problemáticas e deletérias, tendo raízes profundas na composição da sociedade brasileira e na ética privada e pública.

Passamos por uma “onda consumista”, em quase nada responsável, com consumo estimulado pelo governo, pelas empresas e pela mídia, com uma contínua criação de necessidades artificiais e sempre novas. O mercado não se contentou em satisfazer as necessidades, mas criou e cria necessidades para vender seus novos produtos. A bolha consumista não se sustentou, não tinha raízes para manter-se. Hoje, muitos estão endividados sem ter como saldar seus compromissos.

Há dois anos, um empresário de São José do Rio Preto me dizia: “Senhor Bispo, minhas funcionárias, no fim do mês, quando recebem o salário não possuem mais dinheiro, pois está todo comprometido com o cartão, com os empréstimos e os carnês.” Construiu-se um estilo de vida fundado no imediato, na satisfação de bens de consumo não duráveis. O castelo caiu. Restaram as dívidas, e, para muitos, o desemprego.

A crise econômica que vivemos ainda não mostrou todos os seus tentáculos, ainda está maquiada.  O que percebemos hoje é a “ponta do iceberg”. Se os ajustes não forem feitos, seja pelo governo, pelos empresários e pela população, o sofrimento será bem maior. O que não pode é o governo querer repassar para os cidadãos o ônus de uma crise da qual  ele mesmo foi  mentor, gestor e maestro. A criação de novos impostos ou a legalização dos jogos de azar são iniciativas que devem ser rechaçadas pela sociedade. 

A crise manifesta-se também na vida política, não só no desgaste da Presidente da República, mas também em amplos setores do executivo, legislativo e judiciário, nas esferas federal, estadual e municipal. Tenho ouvido continuamente o justo lamento de prefeitos apontando suas dificuldades em gerir a máquina pública em setores vitais como saúde, educação, moradia e saneamento básico. Para não poucos está difícil até mesmo saldar a folha de pagamento mensal.

Assusta ver como deputados e senadores estão conduzindo a “reforma política”, que é vital para o Brasil, sem perspectiva de mudanças estruturais. Porém, nem tudo está perdido, pois encontramos alguns eleitos comprometidos com um tempo novo, mas que ainda não conseguem colocar em ato suas ideias, pois nem sempre são assimiladas pelos seus próprios partidos. A crise pode ser educadora, podemos aprender com ela, sairmos amadurecidos. De crise em crise vamos sendo acrisolados. 

É preciso ter fé no presente e no futuro, em tempos melhores; acreditar na pessoa humana e nos líderes bem intencionados. Acreditar na necessidade e na capacidade de mudar, a si mesmo e a sociedade como um todo. Nem tudo está perdido. Tem muita gente boa que merece nosso apoio e nosso aplauso. As instituições brasileiras são sólidas e precisam ser apoiadas, renovadas e adaptadas. Não podemos e não devemos desprezar, menosprezar ou ignorar as instituições públicas e privadas por causa da conduta de uma ou outra pessoa.

Contra toda esperança, precisamos esperar; esperando, sermos construtores e atores, não expectadores, do novo tempo a ser gestado. Não é o eventual afastamento de um ou outro político que vai resolver a situação de imediato. A mudança sólida começa pela base, pelos cidadãos, verdadeiros sujeitos da democracia e do poder. Neste sentido, os eleitos são coadjuvantes, servidores das pessoas que os elegeram. Diz o ditado, com alguma razão: “A esperança é a última que morre”. 

É preciso reconhecer que ninguém vive só de esperança. Este é um tempo de fraternidade e solidariedade, filhas da caridade, que não dispensa, mas pressupõe a justiça. A justiça é soberana e condição para uma sociedade saudável. Mas os agentes promotores da justiça precisam também fazer a sua parte e algum sacrifício para o bem da sociedade. “Fazer justiça com as próprias mãos”, o que tem ocorrido muitas vezes, é sinal de perda de confiança na justiça estabelecida.

Eu acredito nos brasileiros e no Brasil. Eu quero acreditar nos agentes da vida pública. Eu acredito em nossas instituições.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

Um comentário:

  1. O problema, D Tomé, é que enquanto não contrapor e tirar os comunistas do poder, que são naturalmente caóticos, deseducam o povo para o marxismo, anarquistas, material-ateístas e odiam o Senhor Deus e a doutrina da Igreja, se ajuntam a metamorfoses ambulantes tipo F Castro, não tem jeito não; é como botar o diabo para nos governar e espera dele o quê?
    Se dentro do partido comunista se arrebentam ferozes uns aos outros divididos em facções, imagine os de fora; que explodam!
    A sua bênção, Revmo Bispo.

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