sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A dimensão Econômica da vida de fé

“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum”(At 4,32).

A vida de fé em Nosso Senhor Jesus Cristo envolve a totalidade da vida do fiel, corpo, alma e espírito. A adesão livre e consciente ao Divino Salvador, acolhendo-o como Deus, Senhor e Rei, acarreta implicações para todas as dimensões da vida humana, também a econômica. O cristão possui um modo peculiar de se relacionar com o dinheiro ou com o fruto do seu trabalho, orientado pela Palavra da Sagrada Escritura, pela Tradição e pela Doutrina Social da Igreja.

A fé cristã, uma vez acolhida pelo fiel, possui uma dimensão comunitária, pois ele é membro do Povo de Deus e parte do Corpo Místico de Cristo. A efetivação da dimensão comunitária da fé implica a criação de estruturas e mecanismos que possibilitem e viabilizem as diversas dimensões do ato de crer e seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo: a vivência sacerdotal, incluindo o culto e os sacramentos; a caridade pastoral, que se desenvolve através das obras de caridade; e o profetismo, que é a realização do desejo último de Nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, uma Igreja missionária que faça ecoar a Boa Nova da Salvação em todos os lugares e tempos do mundo.

A Igreja, Povo de Deus e Corpo Místico de Cristo, expressão comunitária da fé dos fiéis, está inserida na sociedade civil. A Igreja não pode eximir-se da responsabilidade de adequar-se às exigências trabalhistas, obrigações sociais e condições de segurança, adaptando os imóveis às novas necessidades. Para realizar isto há um custo, que é assumido pela participação e contribuição dos fiéis, ordenados ou não.

O fruto do nosso trabalho, o dinheiro, deve ser usado iluminado pelos valores que dão forma à nossa vida de fé: para uma digna sobrevivência da pessoa e de sua família; pagamento de impostos e taxas, como corresponsabilidade na sociedade civil; aquisição de bens móveis e imóveis necessários para uma vida segura e serena; investimento em estudo, cultura e lazer; contribuir com sua Igreja, através do dízimo ou de outro modo, conforme o costume; exercício da caridade para  os amigos, familiares e empobrecidos. 

Como fiel de Nosso Senhor Jesus Cristo e membro da Igreja, Povo de Deus e Corpo Místico de Cristo, experimento a necessidade interior de participar dos desafios de minha paróquia ou comunidade. O melhor modo de realizar este intento é a experiência do dízimo. A oferta mensal do dízimo deve ser algo programático, planejado e sistemático em nossa vida de fiéis.

A experiência do dízimo deve exprimir minha vida de fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e consciência de pertença à Igreja. Deve ser algo pensado, planejado. Não deve estar desvinculado de minha vida cultual, pois ele mesmo deve fazer parte do culto, tem a sua dimensão litúrgica, que ilumina i.é o cume da sua dimensão existencial; isto é, é parte integrante da oblação que o fiel faz de si mesmo a Deus. Desta forma, enquanto tal, o dízimo faz parte da experiência religiosa da pessoa humana.

A Diocese de São José do Rio Preto, na pessoa do Revmo. Sr. Padre Rogério Corrêa,  agradece aos que organizaram e participaram da Semana Diocesana do Dízimo, de 17 a 21 de agosto, envolvendo leigos, seminaristas e sacerdotes, em todas as 13 regiões pastorais da Diocese. Somos imensamente gratos ao Revmo. Sr. Padre Cristovan Iubel, da Diocese de Guarapuava, Paraná, que veio assessorar os encontros, conduzindo-os com sabedoria, prudência e serenidade.

Vamos atender ao apelo do Papa Francisco: “Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão.” Afirma Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ, Arcebispo Primaz do Brasil e Presidente do Grupo de Trabalho para o Dízimo, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: “É intenção da CNBB que a prática do dízimo, que tem se revelado como um meio eficaz de evangelização e de aprofundamento da consciência comunitária, se desenvolva cada vez mais.
Como sugestão de leitura, veja o livro: “Dízimo: uma proposta bíblica”, publicado pela  Edições CNBB. Informações no site www.edicoescnbb.com.br . 

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP






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