segunda-feira, 11 de maio de 2015

"Comunicar a Família: Ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor."



No domingo da solenidade litúrgica da “Ascensão do Senhor”, 17 de maio, a Igreja Católica Apostólica Romana celebra o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o lema “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor.” Retomo, neste texto, alguns elementos presentes na referida mensagem, que mostra a preocupação com a família, vista como “primeiro lugar onde aprendemos a comunicar.”

A visita de Maria a Isabel. O texto bíblico tomado como inspiração para a mensagem é o de Lc 1, 39-56, que relata a visita de Maria a Isabel, logo após o anúncio  de que seria a Mãe do Divino Salvador. O episódio relatado no referido texto bíblico mostra “a comunicação como um diálogo que se tece com a linguagem do corpo.” “O ventre que nos abriga é a primeira ‘escola’ de comunicação, feita de escuta e contato corporal, (...)”.

A família é um ventre. No mundo, para a pessoa humana nascida, a família é “Um ventre feito de pessoas diferentes, inter-relacionando-se: a família é o ‘espaço onde se aprende a conviver na diferença’.”

A família e a palavra. O vínculo familiar está relacionado com a palavra: “Nós não inventamos as palavras: podemos usá-las porque as recebemos. É em família que se aprende a falar na língua materna.”

A família e a história. A convivência familiar insere a pessoa na história: “Em família, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condições de poder existir e, por nossa vez, de gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar porque recebemos; e este circuito virtuoso está no coração da capacidade da família de ser comunicada e de comunicar; e, em geral, é o paradigma de toda a comunicação. ”

A família como escola de oração. Na família se aprende a orar e a orar pelo outros, ela é o contexto onde “se transmite aquela forma fundamental de comunicação que é a oração.” É na família que aprendemos “a dimensão religiosa da comunicação, que, no Cristianismo, é toda impregnada de amor, o amor de Deus que se dá a nós e que nós oferecemos aos outros.”

Família, lugar do encontro e da proximidade. Na família se descobre “a comunicação enquanto descoberta e construção de proximidade.” A convivência e proximidade com os diversos membros da família é um aprendizado para uma cultura do encontro.

Família visitadora. “Visitar supõe abrir as portas”, sair, ir ao encontro de outras famílias, numa atitude missionária e misericordiosa. “A própria família é viva, respira abrindo-se para além de si mesma.”

A família e a experiência da fragilidade humana. Na convivência em família “se experimentam as limitações próprias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexistência e do pôr-se de acordo.” “Não é preciso ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; (...)”.

A família, escola do perdão.  Apesar das limitações e pecados, na família as pessoas se amam. “O perdão é uma dinâmica de comunicação: uma comunicação que definha e se quebra, mas, por meio do arrependimento expresso e acolhido, é possível reatá-la e fazê-la crescer.”

A família e os membros portadores de alguma deficiência. Muitas famílias convivem com  membros com algum tipo de deficiência motora, sensorial ou intelectual, o que não deve constituir-se em motivo para uma reclusão, mas “ um estímulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo” e suscitar em outras organizações a abertura para o acolhimento.

Família, escola de bênção. Num contexto onde se experimenta a maldição, o ódio, a violência,  a família “pode ser uma escola de comunicação feita de bênção”. “(...) abençoar em vez de amaldiçoar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater é a única forma de quebrar a espiral do mal, para testemunhar que o bem é sempre possível, para educar os filhos na fraternidade”.

A família e as novas mídias. As novas tecnologias de comunicação podem exercer um influxo positivo ou negativo na vida em família, depende do modo como são usadas: para o encontro, “saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas”. É missão dos pais ajudarem os filhos a lidarem com os novos meios de comunicação tendo como critérios a “dignidade da pessoa  humana e do bem comum”.

A família e o silêncio. “O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras ricas de conteúdo”(Papa Bento XVI).

A família é chamada a aprender a narrar. A comunicação não se restringe a receber ou fornecer informações. “A informação é importante, mas não é suficiente”. A família é “um ambiente onde se aprende a comunicar na proximidade e um sujeito que comunica, uma ‘comunidade comunicadora’”. “Narrar significa compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível”.

A beleza peculiar da família. “A família mais bela, protagonista e não problema é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos”. É preciso não fixar o olhar para o passado, mas esforçar para construir o futuro.

Nossa saudação aos comunicadores presentes nos diversos meios e organismos de comunicação no território da Diocese de São José do Rio Preto. Gratidão aos que trabalham na Pastoral da Comunicação nas paróquias, organizações católicas e na Diocese.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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