sexta-feira, 22 de maio de 2015

Dom Tomé visita Fundação Casa em Mirassol

O bispo diocesano de São José do Rio Preto, dom Tomé Ferreira da Silva, visitou a unidade da Fundação Casa, em Mirassol, na tarde da última terça-feira, 19 de maio. Acompanhado pelo Assessor Espiritual da Pastoral do Menor, padre Luiz Caputo, o epíscopo foi recebido pela diretora Luciana Ribeiro Teruel e pelo coordenador pedagógico Mario Oliveira.

Interagindo com profissionais e reeducandos, o bispo pode conhecer a estrutura do local e as medidas socioeducativas efetivadas. A constatação de que menores, com 12 anos, já estavam na Unidade, sensibilizou dom Tomé.

A Pastoral do Menor, seguindo os trâmites legais propostos, prepara o credenciamento de grupo que atuará em Mirassol; possibilitando a apresentação da pessoa de Jesus Cristo para os adolescentes privados de liberdade.

Colaboração: André Botelho







sexta-feira, 15 de maio de 2015

“DÁ-NOS UM POUCO DA TUA ÁGUA”(Jo 4,7)

Estamos diante do fato do crescimento da intolerância religiosa em diversos lugares do mundo. Continuamente, surgem e se desenvolvem conflitos locais ou regionais, onde se encontram questões políticas e religiosas. A intolerância é “intra-religiosa, quando praticada entre membros de uma mesma tradição religiosa”; é “inter-religiosa, se realizada entre pessoas de religiões diferentes”.

No Brasil, “Em 2012, foram denunciados 109 casos de discriminação religiosa, conforme a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Das 11.305 páginas de redes sociais denunciadas, 494 apresentavam conteúdo de intolerância religiosa. Esse é um dos crimes virtuais com maior número de denúncias”.

Não é incomum, também no Brasil, sobretudo nas famílias, mas também em outros ambientes públicos e coletivos, a pressão para que uma pessoa “se converta” para outra denominação religiosa.  Algumas famílias, formadas por membros que participam de igrejas e religiões diferentes, passam por crises diante da dificuldade da convivência com o diferente.

A Semana de Oração pela Unidade Cristã, de 17 a 24 de maio, organizada no mundo pelo Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas, e no Brasil pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, que reúne a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, e a Igreja Presbiteriana Unida, tem o propósito de insistir “na pluralidade como algo sonhado por Deus e no diálogo como caminho permanente para o testemunho cristão.”

O lema proposto para a Semana de Oração pela Unidade Cristã-2015, “Dá-nos um pouco da tua água”(Jo 4,7), inspirado no encontro entre Jesus e a Samaritana, “leva em consideração o diálogo entre duas pessoas: Jesus e a mulher e, entre culturas e religiões diferentes: um judeu e uma samaritana. Trata-se de um encontro no qual uma pessoa necessita da outra, em relação de complementaridade.”

No texto do evangelho de São  João, capítulo 4, versículos 1-42, “o estrangeiro é Jesus; chega cansado e com sede; ele precisa de ajuda e pede água. A mulher está em sua terra, o poço é de seu povo, de sua tradição. Ela tem o balde e primeiro acesso à água. Mas a mulher também tem sede.  E Jesus não deixa de ser judeu ao beber da água da Samaritana. A Samaritana adere ao projeto de Jesus, mas não deixa de ser quem ela é. Quando se reconhece que existem necessidades recíprocas, a complementaridade pode se dar de forma mais enriquecedora.”

“A frase ‘Dá-me um pouco da tua água” pressupõe, portanto, tanto o pedido de Jesus, como o pedido da Samaritana. Essa frase nos impulsiona a reconhecer que, enquanto pessoas, comunidades, culturas, religiões e etnias, necessitamos uns dos outros, umas das outras. Também temos necessidades recíprocas na relação ser humano e natureza. A pluralidade deve ser reconhecida e apresentada como um patrimônio da humanidade.”

“O pedido por água, feito por Jesus à mulher samaritana, é também o testemunho ecumênico que oferecemos aos irmãos e irmãs das muitas igrejas que anunciam a boa-nova de Jesus, nos mais diferentes contextos do mundo. A fé em Jesus Cristo precisa expressar-se nessa abertura para encontros e conversas. Não devemos ver no outro um inimigo ou uma ameaça, mas sim, reconhecer nele uma expressão do amor de Deus. Complementamo-nos e crescemos quando nos abrimos para estes encontros. Este é o nosso testemunho ecumênico.”

“Em contextos de intolerância e perseguições religiosas, colocamos diante das nossas Igrejas o desafio de fazer a experiência do diálogo. Saiamos de nossas casas e até de nossos templos e vamos ao encontro de nossos irmãos, irmãs, vizinhos e vizinhas. Ouçamos o que eles ou elas têm a contar sobre sua fé, sua vida, suas experiências e dúvidas. Celebremos juntos esta vivência plural do único amor de Deus!”

(Observação: as citações são todas retiradas do subsídio oferecido pelo CONIC)

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

segunda-feira, 11 de maio de 2015

"Comunicar a Família: Ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor."



No domingo da solenidade litúrgica da “Ascensão do Senhor”, 17 de maio, a Igreja Católica Apostólica Romana celebra o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o lema “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor.” Retomo, neste texto, alguns elementos presentes na referida mensagem, que mostra a preocupação com a família, vista como “primeiro lugar onde aprendemos a comunicar.”

A visita de Maria a Isabel. O texto bíblico tomado como inspiração para a mensagem é o de Lc 1, 39-56, que relata a visita de Maria a Isabel, logo após o anúncio  de que seria a Mãe do Divino Salvador. O episódio relatado no referido texto bíblico mostra “a comunicação como um diálogo que se tece com a linguagem do corpo.” “O ventre que nos abriga é a primeira ‘escola’ de comunicação, feita de escuta e contato corporal, (...)”.

A família é um ventre. No mundo, para a pessoa humana nascida, a família é “Um ventre feito de pessoas diferentes, inter-relacionando-se: a família é o ‘espaço onde se aprende a conviver na diferença’.”

A família e a palavra. O vínculo familiar está relacionado com a palavra: “Nós não inventamos as palavras: podemos usá-las porque as recebemos. É em família que se aprende a falar na língua materna.”

A família e a história. A convivência familiar insere a pessoa na história: “Em família, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condições de poder existir e, por nossa vez, de gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar porque recebemos; e este circuito virtuoso está no coração da capacidade da família de ser comunicada e de comunicar; e, em geral, é o paradigma de toda a comunicação. ”

A família como escola de oração. Na família se aprende a orar e a orar pelo outros, ela é o contexto onde “se transmite aquela forma fundamental de comunicação que é a oração.” É na família que aprendemos “a dimensão religiosa da comunicação, que, no Cristianismo, é toda impregnada de amor, o amor de Deus que se dá a nós e que nós oferecemos aos outros.”

Família, lugar do encontro e da proximidade. Na família se descobre “a comunicação enquanto descoberta e construção de proximidade.” A convivência e proximidade com os diversos membros da família é um aprendizado para uma cultura do encontro.

Família visitadora. “Visitar supõe abrir as portas”, sair, ir ao encontro de outras famílias, numa atitude missionária e misericordiosa. “A própria família é viva, respira abrindo-se para além de si mesma.”

A família e a experiência da fragilidade humana. Na convivência em família “se experimentam as limitações próprias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexistência e do pôr-se de acordo.” “Não é preciso ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; (...)”.

A família, escola do perdão.  Apesar das limitações e pecados, na família as pessoas se amam. “O perdão é uma dinâmica de comunicação: uma comunicação que definha e se quebra, mas, por meio do arrependimento expresso e acolhido, é possível reatá-la e fazê-la crescer.”

A família e os membros portadores de alguma deficiência. Muitas famílias convivem com  membros com algum tipo de deficiência motora, sensorial ou intelectual, o que não deve constituir-se em motivo para uma reclusão, mas “ um estímulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo” e suscitar em outras organizações a abertura para o acolhimento.

Família, escola de bênção. Num contexto onde se experimenta a maldição, o ódio, a violência,  a família “pode ser uma escola de comunicação feita de bênção”. “(...) abençoar em vez de amaldiçoar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater é a única forma de quebrar a espiral do mal, para testemunhar que o bem é sempre possível, para educar os filhos na fraternidade”.

A família e as novas mídias. As novas tecnologias de comunicação podem exercer um influxo positivo ou negativo na vida em família, depende do modo como são usadas: para o encontro, “saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas”. É missão dos pais ajudarem os filhos a lidarem com os novos meios de comunicação tendo como critérios a “dignidade da pessoa  humana e do bem comum”.

A família e o silêncio. “O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras ricas de conteúdo”(Papa Bento XVI).

A família é chamada a aprender a narrar. A comunicação não se restringe a receber ou fornecer informações. “A informação é importante, mas não é suficiente”. A família é “um ambiente onde se aprende a comunicar na proximidade e um sujeito que comunica, uma ‘comunidade comunicadora’”. “Narrar significa compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível”.

A beleza peculiar da família. “A família mais bela, protagonista e não problema é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos”. É preciso não fixar o olhar para o passado, mas esforçar para construir o futuro.

Nossa saudação aos comunicadores presentes nos diversos meios e organismos de comunicação no território da Diocese de São José do Rio Preto. Gratidão aos que trabalham na Pastoral da Comunicação nas paróquias, organizações católicas e na Diocese.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

Café Teológico

Na noite do dia 08 de maio, na cidade de José Bonifácio/SP, na Paróquia São José, realizamos a terceira edição do “Café Teológico”, pensado pelo Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus,  um momento anual em que se oferece aos fiéis a oportunidade de conhecer uma obra ou um assunto que se encontra em destaque na vida da Igreja.

O primeiro Café Teológico aconteceu em 2013, na Basílica Nossa Senhora Aparecida, em São José do Rio Preto, ocasião em que foi apresentado o livro do Papa Bento XVI, “A Infância de Jesus”, com a ajuda do Revmo. Sr. Padre Geomar Alves dos Santos, mestre em Teologia Sistemática, Pároco em Votuporanga, na Paróquia Santa Luzia, e professor de teologia no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus, em São José do Rio Preto.

Em 2014, na Paróquia Santa Luzia, em Votuporanga, o Revmo. Sr. Padre Mauro Negro, da Congregação dos Oblatos de São José, residente em São Paulo, mestre em Teologia Bíblica e doutorando, professor na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, PUC/SP, e no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus, em São José do Rio Preto, apresentou a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Santo Padre o Papa Francisco.

Na terceira edição do Café Teológico, foi apresentado a “Relatio Synodi da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo”, realizado de 5 a 19 de outubro de 2014, na Santa Sé, em Roma, que abordou “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização.” O conferencista convidado foi o Revmo. Sr. Padre Antônio Lisboa, que trabalha na Arquidiocese de São Paulo, mestre em Teologia Sistemática e doutor em Ciências da Religião.

Este terceiro Café Teológico realizou-se como um momento de participação da Diocese de São José do Rio Preto no próximo Sínodo, em outubro deste ano, sobre a “A vocação e a missão da família na igreja e no mundo contemporâneo.”

Outros eventos que aconteceram ou acontecerão no horizonte do próximo Sínodo, na Diocese de São José do Rio Preto: através das paróquias, os fiéis tiveram a oportunidade de responder aos quarenta e seis  grupos de  “Perguntas para a recepção e o aprofundamento da Relatio Synodi”; realizamos em abril, com a coordenação da Pastoral Familiar e da Comunidade Mar a Dentro, o congresso da Família, acolhendo o Revmo. Sr. Padre Manoel Arroba, um perito que esteve presente no Sínodo passado; teremos ainda em maio, um momento de estudo sobre Questões de Bioética, com a presença de Dom Fernando Chomali Gari, Bispo no Chile, e membro de organismos que estudam questões sobre família e bioética, na Santa Sé e no Chile.

Na Paróquia São José, em José Bonifácio, esteve presente um grande número de fiéis, aproximadamente mil, com diversos sacerdotes, religiosas e os seminaristas da Diocese. Os fiéis eram provenientes de diversas paróquias da Diocese, sobretudo daquela região, de modo especial das três paróquias daquela cidade, São João Batista, São José e Sagrada Família e Santos Reis, e da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Nova Aliança. Foi um belo momento de comunhão.

Agradecemos ao Revmo. Sr. Padre Sander Marcos de Freitas Vieira e ao Revmo. Sr. Padre Tiago Henrique da Silva Medeiros, com os fiéis da Paróquia São José, pela organização do evento. Gratidão ao Revmo. Sr. Padre Octávio Berti Júnior e Revmo. Sr. Padre Leonel Brabo pela viabilização e preparação do evento através do Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus.





+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP