sexta-feira, 6 de março de 2015

Fraternidade: Igreja e Sociedade


Desde 1964, a Igreja Católica Apostólica Romana realiza no Brasil a Campanha da Fraternidade, uma ação pastoral que envolve as dioceses no território nacional, buscando a renovação interna da Igreja, preocupando-se com a realidade social do povo brasileiro, denunciando o pecado social e promovendo a justiça, e voltando-se para situações existenciais específicas dos brasileiros.

Neste ano de 2015, com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, e com o lema “Eu vim para servir”, os católicos são chamados a “Aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus.”

A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, 42, faz uma afirmação assustadora: “ o cristão que descuida dos seus deveres temporais falta aos seus deveres para com o próximo e até para com o próprio Deus, e põe em risco a sua salvação eterna.”

Diante das periferias existenciais que perduram na sociedade brasileira e não desejando a globalização da indiferença diante do sofrimento do outro, a Campanha da Fraternidade propõe ao católico:

1. Recuperar a dimensão missionária do Batismo, construindo uma Igreja em saída, para testemunhar a alegria do Evangelho, doando Nosso Jesus Cristo, nosso único e inestimável tesouro, aos homens e mulheres do nosso tempo;

2. Realizar o discernimento evangélico dos sinais dos tempos, procurando escutar o que Deus quer de nós hoje;

3. Participar das Pastorais Sociais promovendo uma caridade responsável e libertadora, sem assumir espaços e papéis que são do Estado;

4. Dialogar e cooperar com o Estado na busca e promoção do bem comum;

5. Buscar a superação da violência e construir a paz;

6. Participar das associações de bairros, organizações populares, conselhos paritários e sindicatos, difundindo nestes ambientes os valores cristãos e a Doutrina Social da Igreja;

7. Apresentar-se como candidatos aos cargos do executivo e legislativo, em todas as esferas, ocupando espaços políticos como oportunidades únicas de vivenciar, para o bem comum, uma alta e singularíssima forma de caridade;

8. Trabalhar no judiciário, para que seja autêntico promotor da justiça, imbuído de espírito cristão;

9. Participar ativamente da “Coalizão Democrática para a Reforma Política e Eleições Limpas” apoiando o projeto de iniciativa popular que propõe: afastar o poder econômico das eleições e implantar o financiamento democrático, público e de pessoas físicas, ambos com limites; adotar o sistema eleitoral proporcional em dois turnos, pelo qual o eleitor inicialmente vota num programa partidário e posteriormente escolhe um dos nomes da lista ordenada no partido; fortalecer a democracia direta, através dos preceitos constitucionais do plebiscito, do referendo e do projeto de lei de iniciativa popular; ampliar o papel da mulher na política, pois as mulheres representam 51% dos eleitores, mas com apenas 9% de mulheres na ação política.

10. Nunca esquecer que a pessoa não existe para o Estado, mas o Estado existe em função da pessoa.

A Igreja Católica tem consciência que “O Estado, como Estado, independe de uma religião, mas não independe da sociedade, das pessoas que creem. (…) Os cristãos têm como direito de cidadão, de cidadã, serem ativos e propositivos em relação à sociedade e, por isso, ao Estado.”

“Na sociedade, vive-se a crise da modernidade, erigida sem referência ao transcendente e sobre a independência do indivíduo.” Neste contexto, é preciso garantir aos católicos, já de alguma forma discriminados em algumas instâncias e organismos, a liberdade de anunciar o Evangelho de modo integral, mesmo quando ele está em contraste com o mundo.

São José, o Carpinteiro de Nazaré e Guarda da Sagrada Família, padroeiro da nossa cidade, que recebeu o seu nome, nos ajude a não esquecermos a dimensão social da nossa fé.

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, nos acompanhe, com seu coração e olhar terno e materno, a uma aproximação sincera e pia da celebração litúrgica do Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo, para o qual nos preparamos, desde já, com este tempo santo da quaresma.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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