segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

EVOCAÇÕES DE NATAL

Há 2014 anos nasceu em Belém de Judá o Menino Jesus: “Naqueles dias, saiu um decreto do imperador Augusto mandando fazer o recenseamento de toda a terra – o primeiro recenseamento, feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade. Também José, que era da família e da descendência de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, à cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Quando estavam ali, chegou o tempo do parto. Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc2, 1-7).

A memória e a celebração litúrgica do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Divino Salvador, nos propicia evocações natalinas que são fundamentais para a humanidade:

O anjo anuncia aos pastores, que se encontravam no campo, nos arredores de Belém: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (Lc2, 10-11). O Menino Jesus é homem como os homens, menos no pecado. Ao mesmo tempo, é “diverso” dos homens, pois é Filho de Deus, como disse o anjo Gabriel a Nossa Senhora: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus” (Lc1, 35). O nascimento que celebramos no Natal não é de uma pessoa como as outras, mas o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Divino Salvador, único e insubstituível.

“Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc2, 16). Nas breves palavras deste versículo está registrada a Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José. Ao vir ao mundo, Deus desejou e preparou para si uma família. Cada um de nós tem a sua família. E a nossa família, como foi a Sagrada Família de Nazaré, é a casa do amor, onde somos amados e aprendemos a amar. Vamos preservar, amar e estimular a família, tal como vem proposta pela Sagrada Escritura: “ Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.”(Gn2, 24). Uma família abençoada por Nosso Senhor Jesus Cristo: “De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mt19,6). O Natal é a festa da Sagrada Família, uma festa a ser celebrada em família.

Em sonho, um anjo do Senhor diz a São José: “Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 21). São José e Nossa Senhora acolhem na fé e na alegria o filho que lhes é dado, filho que tem a missão de salvar a humanidade do pecado. Para um casal, os filhos são uma bênção de Deus, a realização de um dos fins do sacramento do matrimônio, a realização de um desejo de Deus: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou. E Deus abençoou e lhes disse: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a!’”(Gn 1, 27-28ª). Trabalhemos para que nossas famílias estejam sempre abertas para acolher os filhos. Façamos o impossível para que a vida nascente não seja extirpada. A vida é dom de Deus, um dom a ser acolhido e cultivado em na família.

“Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado!” (Lc 2, 14). É este o canto dos anjos depois do anúncio aos pastores do nascimento do Menino Jesus. A paz é um dos grandes desejos do coração humano e da humanidade. Assistimos, estarrecidos, o desenvolvimento da cultura da violência, que se exprime em diversos níveis: pessoal, entre indivíduos, em família, entre grupos, povos e nações. A violência, que brota do coração humano, desenvolve-se nas instituições sociais e chega a ser estrutural, é a rejeição da paz que Nosso Senhor Jesus Cristo veio trazer para a humanidade: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração” (Jo 14,27). O Natal é a festa da paz, da paz que vem de Deus. Vivamos o Natal em paz, pessoalmente, com os outros e em família. Que no tempo do Natal cessem as guerras e a terra tenha um tempo de paz.

Diante do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, nossa atitude deve ser a de prostração e adoração, como fizeram os magos: “Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”(Mt2, 11). A adoração silenciosa é a mais sublime e bela forma de oração, cala a voz, fala a pessoa através dos seus gestos corporais, o silêncio torna-se um brado que fende o céu e chega a Deus. Ajoelhemo-nos diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, deixemos que ele seja Deus em nossa vida, digamos sim  e deixemos que ele reine e seja Senhor em nós, e por nosso intermédio se estabeleça o seu senhorio e o seu reinado de amor e paz no mundo.

Santo Natal! Que a alegria deste tempo perdure ao longo do ano de 2015. Feliz ano novo!

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP.

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