quarta-feira, 19 de novembro de 2014

NATAL ANTECIPADO NÃO É CORRETO E NÃO FAZ BEM

Ao final de outubro, quase sempre, já ouvimos os primeiros sinais e apelos do comércio para as “vendas do natal”: músicas; decorações; promoções; propagandas; presentes; comidas típicas; festas de confraternização e símbolos, sobretudo o “papai noel”.  A insistência é tanta, por tanto tempo, que chega a cansar e provocar repulsa. Quando chega propriamente o Natal, 25 de dezembro, estamos cansados e “enauseados”. O Tempo do Natal, que se prolonga até a festa do Batismo do Senhor, cai no vazio e no esquecimento, pois estão todos cansados dos sons, das cores e dos sabores do Natal, prejudicando, e muito, o ritmo da liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana.

Levados pelo embalo da sociedade, os fiéis católicos correm o risco de entrarem nesta onda de antecipação do Natal: confraternizações antecipadas de pastorais, movimentos e associações religiosas; novena de Natal realizada antes dos dias próprios da novena, que deveria começar no dia 15 ou 16 de dezembro; presépio construído e exposto de modo completo  durante o advento, quando deveria estar completamente pronto e com luzes acesas somente na noite de 24 de dezembro; missas de natal ainda durante os últimos dias do advento.

O Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma solenidade litúrgica de fundamental importância para os Católicos Apostólicos Romanos, memória do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Belém: “Naqueles dias, saiu um decreto do imperador Augusto mandando fazer o recenseamento de toda a terra – o primeiro recenseamento, feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade. Também José, que era da família e da descendência de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, à cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Quando estavam ali, chegou o tempo do parto. Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 1-7).

A solenidade litúrgica do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo é antecedida pelo “tempo do advento”, tempo d’Aquele que está para vir, para chegar. Neste ano de 2014, o advento começa no dia 30 de novembro. “O tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o temo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa.”

É interessante observar algumas orientações litúrgicas que revelam o sentido do Advento: “O órgão e os outros instrumentos musicais devem usar-se, e o altar orna-se com flores, com aquela moderação que convém ao caráter próprio deste tempo, de modo a não antecipar a plena alegria do Natal do Senhor. (...) “.

Somente no dia 17 de dezembro inicia-se a preparação próxima e explícita do Natal: “Os dias de semana deste período visam de modo mais direto à preparação do Natal do Senhor”. Ao longo desta semana, de modo progressivo e crescente, a culminar na noite do dia 24, as igrejas e nossas casas devem revestir-se dos sinais próprios da solenidade do Natal.

É preciso não confundir a “Missa vespertina da Vigília do Natal”, a ser celebrada na tarde do dia 24, antes ou depois das primeiras vésperas, com a “Missa da noite” (ou “Missa do galo”), celebrada a meia noite; a “Missa da aurora”, celebrada na manhã do dia 25, com a “Missa do dia”, celebrada no decorrer das outras horas do dia 25. Para cada uma das celebrações há textos próprios, devendo ser celebradas nos horários devidos, pois há um dinamismo próprio que une estas celebrações. Uma missa não “substitui” a outra, pois cada uma tem uma “natureza” própria. O Dia de Natal é dia santo de guarda. Os horários das Missas devem ser os de domingo, não se deve suprimir nenhuma celebração, para o bem dos fiéis, ainda que tenha a presença de poucos participantes.

“O Tempo do Natal se estende desde as I Vésperas do Natal do Senhor até o Domingo após o dia 06 de janeiro. É a comemoração do nascimento do Senhor, em que celebramos a ‘troca de dons entre o céu e a terra’, pedindo que possamos ‘participar da divindade daquele que uniu ao Pai a nossa humanidade’. Na Epifania, celebramos a manifestação de Jesus Cristo, Filho de Deus, ‘luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação’.” O Tempo do Natal terminará no dia 11 de janeiro, com a festa do Batismo do Senhor. No dia seguinte, desmontamos os presépios de nossas igrejas e casas, guardando também os símbolos cristãos do Natal.

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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