segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"VIDA CONSAGRADA, EVANGELHO-PROFECIA- ESPERANÇA, NA IGREJA, HOJE."

"Quero dizer-vos uma palavra e a palavra é alegria. Sempre onde estão os consagrados, sempre há alegria!" (Papa Francisco).

Na Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil, no horizonte do mês vocacional, agosto, no terceiro domingo, coincidente com a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, celebra-se o dia da Vida Consagrada, homens e mulheres que conhecendo e amando Nosso Senhor Jesus  Cristo se colocam a seguí-LO, por toda a vida,  com os votos de pobreza, obediência e castidade.

Manifesto meu apreço e gratidão pelos membros da Vida Consagrada, nas suas mais diversas manifestações, presentes na Diocese de São José do Rio Preto, pelo que são e realizam na Igreja, sinalizando já agora o mistério do Reino de Deus, contribuindo profeticamente para um mundo melhor, na ousadia do empobrecimento voluntário que enriquece, da liberdade obediente como caminho para fazer a Vontade de Deus e da oblação corporal que santifica o criado.

O Santo Padre o Papa Francisco, através da Congregação para os Institutos de Vita Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, com uma carta circular aos consagrados e consagradas, intitulada "ALEGRAI-VOS", convoca para um "Ano da Vida Consagrada", a realizar-se entre 30 de novembro de 2014 a 02 de fevereiro de 2016. Deverá ser um tempo de graça para a Vida Consagrada na Igreja e no mundo, orientando os fiéis e as pessoas de boa vontade para contemplarem o mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo presente nos homens e mulheres que consagraram a Ele sua vida.

A Diocese de São José do Rio Preto deve muito aos consagrados e consagradas. Na infância e juventude desta Igreja muitas congregações religiosas, masculinas e femininas, derramaram o seu suor nestas terras do noroeste paulista: trabalhando na educação das crianças e jovens, como as Irmãs de Santo André, as Irmãs da Ressurreição, as Missionárias de Jesus Crucificado, as Irmãs Ursulinas, os Padres Combonianos e os Padres Agostinianos; cuidando dos idosos e doentes, como as Irmãs da Providência de Gap e as Irmãs de São José de Cluny; na ação pastoral, como a Ordem dos Frades Menores, os Capuchinhos e os Missionários do Sagrado Coração. Muitas destas comunidades religiosas estão conosco até os dias de hoje.

No presente, além de várias das mencionadas acima, temos diversas expressões da vida religiosa, algumas nascidas nesta Diocese, nos mais vastos campos da pastoral: as Missionárias Servas da Igreja, Pequenas Missionárias Eucarísticas, Instituto das Irmãs da Infinita Misericórdia, os diversos ramos, masculino e femininos, do Instituto Imaculado Coração de Maria, as Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, Filhas do Coração de Jesus e Maria, Ordem dos Frades Menores e Comunidade Missionária  Providência Santíssima.

Abraço paterna e fraternalmente cada religioso e religiosa, na comunhão que brota da caridade, da liturgia e dos sacramentos, desejoso que nossa vida seja um sinal que faça despontar no coração das pessoas a saudade e o desejo de Deus.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

PADRE GUIDO BOGOTTO (29/05/1932-15/08/2014)



"E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna" (Mt 19, 29).


Quando os ipês amarelos floriram, no contraste escandaloso de sua  cor com a secura do chão, na tarde do dia 15 de agosto do ano em curso, memória  de Nossa Senhora da Boa Morte, foi a ocasião escolhida por Deus para que o Revmo. Sr. Padre Guido Bogotto ultrapassasse os umbrais do tempo para ver e viver a vida do outro lado da morte, na eternidade, passando da mortalidade à imortalidade.

Italiano de nascimento, brasileiro de coração, Padre Guido veio à terra de Santa Cruz como religioso comboniano, com coração e audácia de missionário, exercendo o ministério sacerdotal nos Estados do Espírito Santo, na Diocese de São Mateus, trabalhando com Dom Aldo Gerna, e de São Paulo, neste, na Diocese de São José do Rio Preto, onde foi pároco, chanceler, professor no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus e funcionário do Tribunal Eclesiástico.

A Diocese de São José do Rio Preto agradece:

A Deus pela graça da vida e da vocação do Padre Guido, dons que enriqueceram esta Igreja;

Aos seus familiares, na Itália, que lhe transmitiram e o educaram na fé, suporte sólido para a sua vocação sacerdotal;

Aos missionários combonianos que com paciência e arte esculpiram, como instrumentos do Divino Espírito Santo, o seu coração religioso e sacerdotal e o trouxeram para o Brasil;

Aos que o acompanharam ao longo de sua vida, nesta Diocese, sobretudo no momento da experiência da fragilidade corporal, singularmente a Senhora Cleontina Preatto e os funcionários do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano.

A vida do Padre Guido na Diocese de São José do Rio Preto foi de um incansável e interminável trabalho, como uma formiga, marcada pela constância, competência, discrição e fidelidade à Igreja. Semeou o que devia semear, cultivou o que precisava cultivar, colheu o que foi possível  colher, "combateu o bom combate, terminou a corrida e guardou a fé"( cf 2Tm 4,7).

Rogamos a Deus que lhe conceda a graça da vida eterna feliz e console seus familiares na Itália e seus amigos no Brasil.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

FAMÍLIA, TUDO DE BOM!

A Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil, realiza anualmente, na segunda semana de agosto, a Semana da Família, com o intuito de promover a vida em família, reconhecendo a sua santidade e importância decisiva para uma sociedade saudável. Neste ano de 2014 o tema proposto é: “A espiritualidade cristã na família, um casamento que dá certo.”

A espiritualidade cristã propõe aos fiéis cristãos e às pessoas de boa vontade um modelo familiar que nasce com o sacramento do matrimônio: “Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: ‘Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formarão uma só carne?’ De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”(Mt 19, 4-6).

O sacramento do matrimônio é uma vocação, e como tal deve ser proposto aos jovens: os que fazem a experiência do conhecimento, amor e seguimento a Nosso Senhor Jesus Cristo, a partir dos sacramentos da iniciação cristã, Batismo, Crisma e Eucaristia, são chamados a constituírem um novo núcleo familiar com o “casamento na Igreja”. O sacramento do matrimônio é um direito e um dever dos jovens cristãos católicos.

A celebração anual do dia dos pais, e também das mães, é uma recordação da beleza e dignidade da  paternidade e maternidade como participações no mistério de Deus criador e salvador. A criação dos filhos, a transmissão da fé aos mesmos, e sua consequente educação até a maturidade da vida cristã, é um direito inalienável dos pais e não deve sofrer influência de outras instâncias, nem mesmo e sobretudo do Estado.

É bom “casar na Igreja”, pois o sacramento do matrimônio é graça divina e sobrenatural doada aos jovens nubentes quando iniciam uma família; é bom ter filhos, educá-los na fé é participar da ação de Deus que conduz e educa seu povo ao longo da história da salvação. Estas realidades devem ser continuamente propostas e repropostas aos jovens, pois a maioria deles desconhece a natureza do sacramento do matrimônio e o projeto divino de uma família cristã, pois a transmissão e a educação da fé ficaram seriamente comprometidas para eles, sendo subjugados a uma ignorância religiosa, que é vencível. 

A não procura pelo sacramento do matrimônio e a opção por outras formas de constituição familiar, não é uma recusa consciente e explícita dos jovens ao “casamento na Igreja” e ao ideal de uma família cristã, mas fruto da ignorância  religiosa a que se encontram submetidos, pois não foram conduzidos a uma experiência pessoal de Nosso Senhor Jesus Cristo como Deus, Rei e Senhor. 

A proposição aos jovens do sacramento do matrimônio e do ideal de uma família cristã, à luz da Sagrada Escritura, pressupõe o anúncio do kerigma a eles, conduzindo-os a Nosso Senhor Jesus Cristo e à experiência comunitária da fé na Igreja. Não se pode optar por aquilo que não se conhece e não se experimenta. 

O futuro do “casamento na Igreja” e da família cristã, atualmente seriamente comprometidos, depende da ação missionária dos fiéis católicos que vivem alegremente a sua fé e que precisam ir ao encontro dos jovens para doar-lhes Nosso Senhor Jesus Cristo e, consequentemente, despertá-los para a vocação à vida matrimonial e consequente escolha pelo projeto de uma família cristã, conforme proposto por Nosso Senhor Jesus Cristo nos evangelhos.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.