quinta-feira, 24 de julho de 2014

Os Cristãos de Mossul.

O mês de julho foi dramático para o mundo, com desafios no futebol,  na política internacional e na vida dos cristãos no Iraque. Alguns fatos são bastante focados pelos meios de comunicação, enquanto outros não são evidenciados como deveriam: Síria, Faixa de Gaza, Líbia, Sudão, República Centro-Africana, Ucrânia, Israel e Iraque, entre outros.

A perseguição aos cristãos, muitas vezes levados à morte violenta, não é um fato novo, faz parte da história do cristianismo, desde as suas origens, já preconizado por Nosso Senhor Jesus Cristo nos evangelhos. Os Apóstolos e os primeiros cristãos experimentaram o ódio humano à fé no Divino Salvador.

Nos dias atuais, falta liberdade religiosa aos cristãos em muitos países do Oriente Médio, da África e da Ásia. Embora sem visibilidade nos grandes meios de comunicação, diariamente cristãos são obrigados a ocultar a sua fé, são perseguidos e levados à morte violenta. Há um silêncio, ou quase silêncio, das mídias, dos governos e de organismos internacionais sobre a intolerância com os cristãos.

Após a queda de Saddam Hussein, os cristãos no Iraque, mais de um milhão de fiéis, ficaram ainda mais desprotegidos, centenas foram mortos e milhares seguiram para o exílio. Neste mês de julho, os cristãos de Mossul, no Iraque, cidade controlada pelo ISIL, Estado Islâmico no Iraque e no Levante, foram colocados diante de algumas alternativas: deixar o Iraque, converter ao islamismo, pagar um imposto especial ou morrer pela espada.

Muitos dos cristãos que fugiram de Mossul encontraram refúgio na cidade de Qaraqosh, localidade com muitos curdos e cristãos. Qual o futuro dos cristãos que permanecem no Iraque? Quem falará por eles ao mundo? Quem os defenderá? Como garantir a liberdade religiosa em todos os lugares e para todas as pessoas?

O governo brasileiro, um País majoritariamente cristão, poderia e deveria intervir ante os governos da Europa e da América do Norte, bem como nos organismos internacionais, como a ONU, chamando a atenção para o martírio dos cristãos, em tão grande número e  em tantos lugares do mundo, algo inconcebível nos tempos modernos, que deveriam ser tempos de tolerância e de paz, onde cada um pudesse viver e manifestar livre e publicamente a sua fé.

Sugiro a leitura do breve texto  de Gilles Lapouge, no Jornal O Estado de São Paulo, página A11, do dia 24 de julho do ano em curso.

Rezemos com e pelos cristãos perseguidos. Que as autoridades brasileiras olhem com atenção para o que está acontecendo com nossos irmãos de fé em outras paragens do mundo e contribuam diplomática e eficazmente para garantir-lhes a liberdade religiosa. Que os grandes meios de comunicação pousem suas lentes sobre a violência praticada contra os cristãos e suscitem uma ação humanitária que os defenda da crueldade e da servidão.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de Sâo José do Rio Preto/SP

sexta-feira, 4 de julho de 2014

BERAKÁ 2014, O VALE DA BÊNÇÃO.

“No quarto dia reuniram-se no vale da Bênção, onde bendisseram ao Senhor” (2Cr 20,26).

A Renovação Carismática Católica presente na Diocese de São José do Rio Preto, com o apoio de outros organismos eclesiais e da sociedade civil, realiza nos dias 05 e 06 de julho, no Recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto, a 19ª edição do Beraká, um evento religioso que agrega milhares de pessoas provenientes, sobretudo, do noroeste do Estado de São Paulo.

O nome “beraká”, ou “baraká”, é inspirado no Segundo Livro das Crônicas, capítulo vinte, versículo vinte e seis. Josafá foi rei de Judá desde os trinta e cinco anos, reinou vinte e cinco anos em Jerusalém, era um homem bom, pois “fez o que era reto aos olhos do Senhor”. Mas o povo de Judá  “não aderiu de todo o coração ao Deus de seus pais.”

Ao final de sua vida, Josafá fez uma aliança com Ocozias, rei em Israel, para construir navios que iriam a Társis, o que desagradou a Deus, pois o aliado agia de modo pecaminoso. Os navios naufragaram, sem chegar ao destino.  Josafá adormeceu junto de seus pais e foi sepultado próximo aos antepassados na Cidade de Davi.

Josafá enfrentou uma batalha contra os Moabitas e Amonitas, que eram em grande número e militarmente superiores. Com medo, o rei invocou confiantemente o Senhor e convocou um jejum para todo o povo de Judá. A batalha aconteceu, o Senhor estava com o rei e com o povo de Judá, que se uniu na oração de louvor a Deus. Os povos inimigos se autodestruiram, deixaram grande quantidade de despojos, recolhidos pelos vencedores durante três dias. “No quarto dia reuniram-se no Vale da Bênção, onde bendisseram o Senhor. (Por isso o lugar é chamado “Vale da Bênção até hoje.”

O povo de Judá preconiza o Povo de Deus da Nova Aliança, a Igreja, Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje, a fé do Povo de Deus também é ameaçada por povos, culturas, governos, organismos de toda ordem, ideologias e planos governamentais. A batalha é renhida e constante, o sangue dos mártires continua a molhar e fecundar a terra. No drama da vida de fé, o Povo de Deus não está só, mas o Senhor Jesus Cristo Ressuscitado está com ele e é sua esperança de vitória.

O Beraká 2014 deve ser um “vale da bênção” para os fiéis católicos apostólicos romanos, os guerreiros do Senhor dos nossos dias, pois a vitória é certa, o mal pessoal, social ou estrutural, sempre fruto do pecado, será vencido, pois Nosso Senhor Jesus Cristo já o venceu com sua encarnação, morte e ressurreição.

Agradecemos aos membros da Renovação Carismática Católica o empenho na organização do 19º Beraká. Aos pregadores, aos membros das mais diversas equipes de trabalho, da Igreja e da sociedade civil, nosso reconhecimento. Ao Exmo. Sr. Dom José Luiz Azcona Hermoso, OAR, Bispo Prelado de Marajó, PA, um profeta contemporâneo, nosso Deus lhe pague!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP