quinta-feira, 26 de junho de 2014

“JESUS MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO.”

A solenidade do Sagrado Coração de Jesus é das mais significativas do tempo comum da liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana,  tem seu fundamento na própria pessoa e ação de Nosso Senhor Jesus Cristo, expressão da bondade de Deus: “Só Deus é bom”(Mc 10,18 ).

Encontramos nas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo a caracterização da peculiaridade de seu coração: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”( Mt 11, 28-30 ).

A mansidão e humildade do coração de Nosso Senhor Jesus Cristo é remédio e refrigério para os que se encontram cansados e fatigados, sobretudo na sua vida espiritual. Nenhum cansaço é pior e mais prejudicial que aquele da vida de fé. A fadiga espiritual se alastra e provoca sempre uma epidemia, acarretando enormes prejuízos para a Igreja e o mundo. Não há nada mais deletério do que um fiel cristão cansado ou fatigado.

O antídoto, o remédio, para a fadiga espiritual está na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois Ele próprio nos diz: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso; tomai sobre vós o meu jugo, pois ele é suave e o meu fardo é leve.

Na cruz, o coração ferido de Nosso Senhor Jesus Cristo é expressão da bondade de Deus que se desmancha de amor pela pessoa humana, pelo mundo e pela história: “Era o dia de preparação do sábado, e este seria solene. Para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas, primeiro a um dos crucificados com ele e depois ao outro. Chegando a Jesus, viram que estava morto. Por isso, não lhe quebraram as pernas, mas um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água”( Jo 19, 31-34 ).

No Brasil, a “devoção” ao Sagrado Coração de Jesus é muito difundida, graças ao trabalho do Apostolado da Oração presente em quase todas as paróquias, formado por fiéis, leigos e leigas, que se propõem a fazer da oração a sua forma de apostolado, rezando nas duas intenções que mensalmente são propostas ao Povo de Deus pela Igreja.  Os membros desta associação religiosa formam um exército orante que sustenta a Igreja na sua ação pastoral no mundo.

Em todos os meses do ano, a primeira sexta feira é dedicada à memória do Sagrado Coração de Jesus, ocasião em que os fiéis são convidados a: participar na Santa Missa e realizar a Sagrada Comunhão Eucarística, fazer a confissão sacramental, penitenciar e ou jejuar, dedicar uma hora para a adoração ao Santíssimo Sacramento.

Que a contemplação do Sagrado Coração de Jesus nos estimule a sermos misericordiosos com nossos irmãos e irmãs, como nos tem solicitado o Santo Padre o Papa Francisco.


+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

sábado, 21 de junho de 2014

“COMUNIDADE DE COMUNIDADES: UMA NOVA PARÓQUIA”

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em sua 52ª Assembleia Geral Ordinária, de 30 de abril a 09 de maio, do ano em curso, realizada junto ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, São Paulo, publicou o Documento de número 100, com o título “Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia – A Conversão Pastoral da Paróquia.”

O Secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, ofm, na apresentação do Documento 100, afirma:
“A Igreja é comunidade! A comunidade torna visível a Igreja.”

“As pessoas que receberam o dom do conhecimento de Cristo, de terem nascido em Cristo, formam a comunidade, tornando palpável a Igreja como dinâmica do Reino.”

“A Comunidade, as comunidades, uma rede de comunidades, expressam a vitalidade de ser Igreja, pois expressam uma dinâmica de relações e cuidados entre os que são filhos no Filho e toda criatura.”

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, n. 49, afirma: “O que nos deve santamente inquietar e preocupar (...) é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida.”

São palavras do Papa Francisco: A paróquia como comunidade de comunidades “é presença eclesial no território, âmbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a caridade generosa, a adoração e a celebração. Através de todas as suas atividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização. É comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário.”(Evangelii Gaudium, n.28)

O Documento 100, no número 8, afirma: A conversão da paróquia em comunidade de comunidades “consiste em ampliar a formação de pequenas comunidades de discípulos convertidos pela Palavra de Deus e conscientes da urgência de viver em estado permanente de missão. Isso implica revisar a atuação dos ministros ordenados, consagrados e leigos, superando a acomodação e o desânimo. O discípulo de Jesus Cristo percebe que a urgência da missão supõe desinstalar-se e ir ao encontro dos irmãos.”

Na nossa Diocese de São José do Rio Preto, a rede de comunidades é um modo de vivenciar o que é proposto pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, no Documento 100: “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia – A conversão pastoral da Paróquia.”

Acolha o meu abraço e saudação, confiando-me às suas preciosas orações. Rezemos também, com insistência, pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

terça-feira, 17 de junho de 2014

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

A solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo, em 19 de junho, é ocasião ímpar para demorar nosso olhar na Eucaristia, salutar alimento para pecadores sabedores de sua fragilidade e que, apesar dela, buscam a perfeição da vida cristã, conscientes de que esta é dom e resposta, ação primeira de Deus que magnetiza o homem através do encantamento do Divino Espírito Santo, que, por sua vez, nos potencializa a responder ativa e eficazmente ao dom recebido.

O grande dia da Eucaristia, sem dúvida, é a quinta feira santa, memória da sua instituição por Nosso Senhor Jesus Cristo, “na última ceia”. Como esta data situa-se no Tríduo Pascal, com apenas algumas horas de uma noite para ser celebrada, antecedendo a Paixão, Morte e Sepultamento do Senhor, não é tempo suficiente para uma solenidade mais prolongada.

Com o passar do tempo, a Igreja foi percebendo a necessidade de um dia próprio para repropor aos fiéis o mistério do Corpo e Sangue do Senhor, alimento e “destino” do coração adorador dos fiéis. Assim, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo é dia propício que permite ao fiel tornar presente a memória da instituição, a comunhão eucarística, a adoração e a manifestação pública da fé, através da procissão com o Santíssimo Sacramento pelas ruas de cada cidade.

Anualmente, o dia da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo é uma data móvel, a quinta feira após o domingo da Santíssima Trindade. Para nós, fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana, é “dia santo de guarda”. O que isto significa?

O mistério da encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo santifica a pessoa humana, o mundo, a história e também o tempo. Destacamos alguns tempos específicos do tempo já santificado para ressaltar neles alguns Mistérios fundamentais da fé, e os chamamos de dias santos: o domingo, nossa páscoa semanal; o dia do nascimento de Jesus, 25 de dezembro; a recordação de Nossa Senhora Mãe de Deus, em 01 de janeiro; a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, em 08 de dezembro e o dia da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Estes dias santos  devem ser guardados, isto é, vividos de modo peculiar, diferente dos demais dias da semana ou do ano. O que fazer para guardar um dia santo? Alguns elementos são importantes: participação na Santa Missa; dedicar um tempo maior à oração pessoal e comunitária; visitar os enfermos e outros necessitados; oração e convivência familiar; descanso do trabalho e lazer. Não sendo possível fazer tudo, sobretudo quando não é feriado civil, não podemos dispensar nunca a participação na Santa Missa.

Na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo espera-se que o fiel participe da Santa Missa e receba a Eucaristia, participe da procissão e dedique um tempo razoável e bom para a adoração ao Santíssimo Sacramento, particular e ou comunitariamente. Estas atividades não podem e não deveriam ser ignoradas por nós, amigos de Nosso Senhor Jesus Cristo, neste dia.

Na Igreja Católica Apostólica Romana, a procissão é uma manifestação pública da fé, expressão típica da piedade popular. São muitas as procissões: dos santos padroeiros das cidades e paróquias, durante a Semana Santa, as penitenciais, as que pedem chuva ou bom tempo e as devocionais. No entanto, algumas procissões são singulares e assumem um lugar especial na vida do fiel católico, diria que são “quase litúrgicas” e sumamente recomendadas: procissão de ramos, no domingo que inicia a Semana Santa; trasladação do Santíssimo Sacramento, na quinta feira santa; procissão da ressurreição de Cristo, após a Vigília Pascal; procissão do Santíssimo Sacramento na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Neste 19 de junho celebremos alegremente, com coração de adoradores, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP