terça-feira, 1 de abril de 2014

Santo Padre José de Anchieta ou São José de Anchieta?

Neste dois de abril de 2014, o Santo Padre o Papa Francisco, realiza a canonização, por decreto, do Padre Anchieta, o "Apóstolo do Brasil." Agradecemos a Deus o dom de sua vida, santidade e ministério sacerdotal no nosso País, ainda nos primórdios do "descobrimento" e colonização.
As origens: Padre Anchieta nasceu nas Ilhas Canárias, em 19 de março de 1534, de pai basco, Juan López de Anchieta, que ali se refugiara de perseguição política na Espanha, e de mãe natural das Ilhas, Mencía Díaz de Clavijo y Llerena.
A vocação: Ainda adolescente, com 14 ou 15 anos, vai estudar em Portugal. Na Universidade de Coimbra, estudando filosofia, conhece os jesuítas e se faz um deles em primeiro de maio de 1551. Ao tomar conhecimento da vida missionária dos confrades, deseja também tornar-se missionário.
Destino missionário: Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas, envia o jovem noviço Anchieta, então com 19 anos, como missionário para o Brasil, chegando a Salvador em 13 de julho de 1553, juntando-se ao Padre Manuel da Nóbrega e outros companheiros. Com 32 anos, em Salvador, é ordenado sacerdote.
Um fundador de Igrejas: Acompanhado de outros jesuítas, Padre Anchieta torna-se um fundador e consolidador de igrejas nascentes no Brasil: São Paulo, São Vicente, Rio de Janeiro e Vitória, entre outras. Percorre o litoral brasileiro de São Paulo a Recife, com coração e ânimo missionário.
Educador de índios e portugueses: À atividade religiosa, os jesuítas acresciam as atividades educativas direcionadas para indígenas e portugueses. Padre Anchieta foi estudioso da língua tupi e guarani, usando-as para escrever gramática e catecismo, bem como textos religiosos e culturais.
Defensor dos índios: Padre Anchieta, como os demais jesuítas, se colocou contra o trabalho escravo dos índios, assistindo-os espiritual e materialmente nas enfermidades e advogando por eles nos conflitos com os portugueses.
Um estudioso do Brasil: Os relatos enviados pelo Padre Anchieta aos seus superiores na Europa, mostra um agudo senso de observação da vida dos índios, da fauna, flora, clima e território do Brasil, verdadeiros estudos antropológicos.
Superior local dos jesuítas: De 1576 a 1587, Padre Anchieta foi feito Provincial dos jesuítas no Brasil, dedicando-se com afinco a viajar para alavancar as missões jesuíticas existentes no território brasileiro e apoiando as reduções do Paraguai.
Saúde frágil: Padre Anchieta tinha saúde frágil, mas isto não se constituiu em obstáculo para sua ação missionária e educativa, andando longas distâncias para atender a doentes e empobrecidos.
Homem de oração: Apesar do árduo trabalho cotidiano, Padre Anchieta usava boas horas do descanso noturno para dedicar-se à oração silenciosa, de onde hauria as forças necessárias para viver como um operário do Evangelho de Jesus Cristo.
Amante da Virgem Maria: "Cultor" da Virgem Maria, escreveu em uma praia de Ubatuba, SP, o "Poema à Virgem Maria", no mesmo período em que acompanhava o Padre Manuel da Nóbrega em uma negociação de paz entre portugueses e tamoios.
A morte:  Padre Anchieta morreu no dia nove de junho de 1597, na localidade de Reritiba, no Espírito Santo, e que hoje chama-se Anchieta. Seu corpo foi sepultado na cidade de Vitória.
Padroeiro dos catequistas: A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil declarou o Padre Anchieta como padroeiro dos catequistas no Brasil, pela sua dedicação na transmissão e educação da fé.
Um preito de gratidão aos jesuítas, aos bispos brasileiros e aos que se empenharam durante muitos anos para que a Igreja reconhecesse a santidade do Padre Anchieta, Apóstolo do Brasil.
Que o exemplo do Padre Anchieta, agora com santidade reconhecida pela Igreja, nos faça recobrar o alegre ânimo missionário para que nenhum brasileiro fique privado do conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Divino Salvador, e do seu Evangelho de Salvação.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP  

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