terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

CAMPANHA DA FRATERNIDADE – 2014.

Não faz muito tempo, a rede Globo de televisão fez e transmitiu uma novela, “Salve Jorge”, onde destacava uma realidade brasileira nem sempre explícita: o tráfico de brasileiros para prostituição em outros países.

A Campanha da Fraternidade é uma atividade pastoral da Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil, que se desenvolve anualmente durante a quaresma; neste ano de 2014, de 05 de março a 13 de abril. É uma atividade acolhida por todas as dioceses brasileiras. Iniciada em 1964, a Campanha da Fraternidade tem 51 anos de existência, voltada para a sociedade, no desejo de conscientizar as pessoas e transformar a realidade, à luz da fé, colocando em foco uma questão ou desafio de grandes proporções para o País e para a Igreja.

No ano de 2014, a Campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade e tráfico humano”, e como lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). É um clamor para que as pessoas se conscientizem sobre a realidade do tráfico de pessoas, no Brasil, para trabalho e ou prostituição, e para o tráfico de órgãos humanos. Esta conscientização deverá gerar uma mudança na sociedade brasileira, respeito à pessoa e promoção de sua indignidade.

O objetivo geral da Campanha da Fraternidade-2014 é “Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus.”

São objetivos específicos da Campanha da Fraternidade-2014: “Identificar as causas e modalidades do tráfico humano e os rostos que sofrem com essa exploração; denunciar as estruturas e situações causadoras do tráfico humano; reivindicar, dos poderes públicos, políticas e meios para a reinserção das pessoas atingidas pelo tráfico humano na vida familiar e social; promover ações de prevenção e de resgate da cidadania das pessoas em situação de tráfico; suscitar, à luz da Palavra de Deus, a conversão que conduza ao empenho transformador dessa realidade aviltante da pessoa humana; celebrar o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, sensibilizando para a solidariedade e o cuidado às vítimas deste mal.”

O católico não pode ficar indiferente diante do drama doloroso do tráfico humano. O Papa Francisco disse: “A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros; faz-nos viver como se fôssemos bolhas de sabão: são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro; não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa”( Lampedusa, Itália, 08 de julho de 2013).

Rezemos com a Campanha da Fraternidade-2014: “Ó Deus, sempre ouvis o clamor do vosso povo e vos compadeceis dos oprimidos e escravizados. Fazei que experimentem a libertação da cruz e a ressurreição de Jesus. Nós vos pedimos pelos que sofrem o flagelo do tráfico humano. Convertei-nos pela força do vosso Espírito, e tornai-nos sensíveis às dores destes nossos irmãos. Comprometidos na superação deste mal, vivamos como vossos filhos e filhas, na liberdade e na paz. Por Cristo nosso Senhor. Amém!”


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

QUARESMA, JEJUM E PENITÊNCIA!

O que significa a expressão “quaresma”?

Denominamos de “quaresma” os quarenta dias que antecedem o Tríduo Pascal, memória litúrgica da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, mistério central da Fé Católica Apostólica Romana.

Qual o significado do número quarenta?

“O Primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia já fala de uma quaresma como se fosse uma instituição conhecida desde tempos antigos.  Os padres justificavam a duração de quarenta dias com os quarenta anos da peregrinação de Israel pelo deserto até a terra prometida e com os quarenta dias que Moisés jejuou no Monte Sinai e o profeta Elias em sua jornada até o Monte Horeb, mas também com os quarenta dias de jejum observados por Jesus no início de sua atividade pública”(Berger, Rupert. Dicionário de Liturgia Pastoral, Loyola).

O que diz o Concílio Vaticano II sobre a quaresma?

A Constituição Sacrosanctum Concilium, afirma: “Tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal, que, principalmente pela lembrança ou preparação do batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério pascal (...) Seja inculcada na alma dos fiéis, juntamente com as consequências sociais do pecado, a natureza própria da penitência que detesta o pecado como ofensa feita a Deus. Na ação penitencial não se omitam as partes da Igreja nem se deixe de urgir a oração pelos pecadores” (SC 109).

Qual o sentido da penitência quaresmal?

“A penitência do tempo quaresmal não seja somente interna e individual, mas também externa e social. A praxe da penitência, porém, seja fomentada segundo as possibilidades do nosso tempo e das diversas regiões, como também segundo as condições dos fiéis” (SC 110).

Quem deve fazer penitência e jejum?

“Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência (...)”, afirma a orientação da Igreja ( Código de Direito Canônico, Cân 1249). A abstinência começa aos 14 anos de idade e vai até o fim da vida. O jejum obriga a partir dos 18 anos completos e vai até os 59 anos completos.

Quando se deve fazer penitência?

O Código de Direito Canônico afirma: “Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas feiras do ano e o tempo da quaresma”(Cân. 1250).

Diz o Catecismo da Igreja: “Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico ( o tempo da quaresma, cada sexta-feira da quaresma em memória da morte do Senhor ) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna ( obras de caridade e missionárias )”( CIC 1438).

E o jejum quaresmal?

Os católicos são chamados ao jejum na quarta feira de cinzas e na sexta feira santa. “Seja o jejum pascal, a se observar na Sexta Feira da Paixão e Morte do Senhor e, se for oportuno, a se estender também ao Sábado Santo, a fim de que se chegue com o coração livre e aberto às alegrias do Domingo da Ressurreição” (SC 110).

E a abstinência de carne?

“Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimeto, (...), em todas as sextas feiras do ano (...) observe-se a abstinência e o jejum  na quarta feira de cinzas e na sexta feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”(Cân. 1251). A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil determinou que “nas sextas feiras do ano, inclusive da Quaresma, exceto a sexta feira santa, fica a abstinência comutada em outras formas de penitência, principalmente em obras de caridade e exercícios de piedade” (comentário ao Cân. 1253).

Em que consiste o jejum?

O Código de Direito Canônico não determina mais em que consista o jejum. De acordo com a tradição jurídica anterior, trata-se de não tomar mais que uma refeição completa, permitindo-se, porém, algum alimento outras duas vezes por dia. Pode-se seguir esta norma, enquanto a Conferência Episcopal  não determinar algo diferente.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CARDEAL DOM ORANI JOÃO TEMPESTA, OCist

A Diocese de São José do Rio Preto, SP, alegra-se com a “criação” de Dom Orani João Tempesta, OCist, Digníssimo Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, como cardeal da Igreja Católica Apostólica Romana, pelo Santo Padre o Papa Francisco, por ocasião da festa da Cátedra de São Pedro, em Roma.

Algumas arquidioceses brasileiras são tradicionalmente “ocupadas” por cardeais: Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.  Mas Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília também já tiveram cardeais à frente do governo pastoral. Nos últimos anos, a Arquidiocese de Aparecida também tem sido governada por cardeais.

O Brasil, talvez pelo significativo número de católicos e pela vitalidade pastoral da Igreja aqui presente, tem sempre sido agraciado com a criação de algum cardeal. Hoje temos um número significativo de cardeais vivos: em São Paulo, temos Dom Paulo Evaristo Arns, ofm, Dom Cláudio Hummes, ofm e Dom Odilo Pedro Scherer; em Belo Horizonte, Dom Serafim Fernandes de Araújo; em Brasília, Dom José Freire Falcão; em Salvador, Dom Geraldo Majella Agnello; em  Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis; no Rio de Janeiro, Dom Eusébio Oscar Scheid, scj e Dom Orani João Tempesta, OCist.; em Roma, Dom João Braz de Aviz.

No episcopado brasileiro, Dom Orani ocupa um lugar singular, pois sua “matriz” de vida ministerial nasce entre os monges, no interior do estado de São Paulo, sob o influxo de paulistas e mineiros. O fecundo episcopado em São José do Rio Preto, SP, fez com que fosse nomeado Arcebispo de Belém, no Pará, de onde veio  para a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. A sua vida religiosa e ministerial está marcada pela caridade pastoral junto das comunidades e dioceses, procurando responder aos seus desafios ordinários com o espírito de Jesus Cristo Bom Pastor e numa fidelidade amorosa, e um amor fiel, à Igreja, Mãe e Mestra.

Entre tantas capacidades, virtudes e habilidades de Dom Orani, destaco sua inteligência pragmática, visão propositiva da pastoral na Igreja, abertura e sustentação para novas modalidades de viver a fé, sua conectividade com os meios de comunicação, capacidade de responder imediatamente a questões e desafios pastorais, resiliência e adaptabilidade a novas situações, flexibilidade no contato com outros poderes constituídos da sociedade e respeito pelo outro e pelo diferente.

Talvez o segredo da vitalidade pastoral sempre renovada do novo purpurado seja o seu “enamoramento” com Nosso Jesus Cristo, ainda com a força do primeiro amor, acolhido e vivido tal como proposto pela Igreja, a quem ele ama desmesuradamente. Ele ama o Cristo da Igreja e por isso ama a Igreja de Cristo.

Nós, fiéis da Diocese de São José do Rio Preto, SP, leigos, religiosos, consagrados e ordenados,  nos alegramos e saudamos Dom Orani, assegurando-lhe  nossas humildes preces e amizade. Que jamais lhe falte o terno e materno amor de Nossa Senhora, assistindo-o permanentemente nos novos ofícios e responsabilidades como membro do Colégio Cardinalício  da Igreja e cooperador próximo do Santo Padre o Papa Francisco.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

NOTA DE PESAR - PADRE JOÃO CHAVES


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

ANO PASTORAL 2014.

Nem foi possível a todos os padres, religiosos e agentes de pastoral fazerem férias, o merecido descanso, e o ano pastoral 2014 já segue acelerado. É belo ver que mesmo em janeiro tivemos uma série de trabalhos pastorais, sobretudo nas paróquias dedicadas ao glorioso mártir São Sebastião. Vários movimentos, pastorais, associações e novas comunidades também tiveram atividades no primeiro mês do ano, sem descanso.

Antes de tudo, recordo o falecimento do Revmo. Sr. Padre João Antônio de Souza Chaves, no dia 31 de janeiro, em Icém, onde foi sepultado na tarde deste mesmo dia.  Ele era natural de Portugal, mas veio ao Brasil como missionário, estabelecendo-se na Diocese de São José do Rio Preto, onde foi ecônomo diocesano e Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Abadia. Gratidão ao Padre Sebastião,  Dona Marciana, médico e amigos que o acompanharam e assistiram nestes últimos anos, marcados pela presença da enfermidade. Rezemos pedindo a Deus o descanso eterno e feliz para o Padre João Antônio e a consolação para seus  familiares em Portugal.

Na recordação dos 85 anos de criação da Diocese de São José do Rio Preto, em solene concelebração eucarística na Catedral, dois seminaristas, Carlos e Halisson, foram ordenados diáconos; foi entregue aos diocesanos a versão impressa do 6° Plano de Pastoral da nossa Diocese.

Em 03 de janeiro, Padre Roberto Bocalete começou o seu trabalho na Paróquia São João Batista, em Américo de Campos, e o Padre Alexandre Pereira foi apresentado em Lourdes, na Capela São Benedito, como Vigário da Paróquia São Pedro, em  Nova Luzitânia, no dia 29 do mesmo mês. Em 12 de fevereiro, Padre Antônio Brandão, iniciou seu trabalho na Paróquia São Sebastião em Ipiguá.

Na festa da Apresentação do Senhor, 02 de fevereiro, Dom Moacir Silva, presidiu a Eucaristia na Catedral, em São José do Rio Preto, em sua primeira visita a nossa Diocese como Arcebispo Metropolitano. Nesta Missa, a Fraternidade Franciscana na Providência de Deus enviou dois missionários para a Diocese de Óbidos, no Pará: Frei Joel e Frei Matias; as Irmãs do Instituto Coração Imaculado de Maria celebraram, agradecendo a Deus, 40 anos de existência.

Os Seminários da Diocese, Propedêutico Nossa Senhora da Paz e Maior Sagrado Coração de Jesus, iniciaram o ano acadêmico em 03 de fevereiro, com Missa concelebrada pelos padres professores, bispos da Sub Região Pastoral Ribeirão Preto II, com participação dos seminaristas, professoras e funcionários.

Os diversos conselhos diocesanos, dos Formadores, de Assuntos Econômicos e Administrativos, Pastoral, Presbiteral e Consultores, também já realizaram a primeira reunião do ano, separadamente, respondendo a antigos e novos desafios.

Alguns encontros em âmbito diocesano também já ocorreram: da Renovação Carismática Católica, das Equipes de Nossa Senhora, da Pastoral da Criança, Acampamento da Canção Nova e o  1º Congresso em Defesa da Vida, estre promovido pela Comunidade Nossa Senhora de Guadalupe.

Um fato importante ocorreu no dia 09 de fevereiro, em Pontes Gestal: a dedicação da Igreja, a sagração do altar, a criação da Paróquia São Roberto Belarmino e a posse canônica do primeiro Pároco: Padre Sérgio Antônio  Venturelli. Parabéns e congratulações aos fiéis de Pontes Gestal. O processo de criação desta paróquia foi iniciado pelo Padre Juliano, então pároco de Américo de Campos.

Já tivemos crismas, neste ano,  nas paróquias: Senhor Bom Jesus, em Monte Aprazível,  São Cristóvão e Senhor Bom Jesus, em Votuporanga. Visitamos e celebramos a Missa em Ipiguá, Altair, Paróquia Bom Pastor e São Sebastião em São José do Rio Preto, Talhado, Icém, Álvares Florence, Simonsen, Engenheiro Schmitt, Paróquia Nossa Senhora de Fátima, também em São José do Rio Preto, e várias vezes na Catedral.

Deus seja louvado! Uma prece especial pelos enfermos, pois celebramos neste 11 de fevereiro, memória de Nossa Senhora de Lourdes, a Jornada Mundial do Enfermo. Gratidão aos que cuidam dos enfermos: familiares, médicos, enfermeiros, cuidadores, técnicos, membros da Pastoral da Saúde e Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística. Deus nos abençoe!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP