terça-feira, 17 de dezembro de 2013

HOMILIA: ORDENAÇÃO PRESBITERAL DOS DIÁCONOS RAFAEL E ROBERTO CATEDRAL DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, 06/12/13

“Bendito seja Deus que nos reúne no amor de Cristo”, nesta primeira sexta feira de dezembro, na igreja catedral de São José do Rio Preto, já imersos na mística do Tempo do Advento, para celebrar a Eucaristia e, nela, ordenar sacerdotes o Diácono Rafael Domingos, proveniente da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Maria Lúcia, desta cidade de São José do Rio Preto,  e o Diácono Roberto Bocalete, da Paróquia Nossa Senhora da Abadia, da cidade de Icém. Deus seja louvado!

O Evangelho proclamado apresenta-nos um diálogo de Jesus Cristo ressuscitado com o apóstolo São Pedro, ocorrido às margens do mar de Tiberíades, após uma pesca milagrosa, ocasião em que alguns apóstolos e discípulos degustaram com o Divino Salvador pão e peixe assado em brasas na praia.

Os apóstolos ainda estavam no mar, se bem que próximos da praia, a 100 metros, segundo o evangelista, pois do contrário não seria possível a comunicação,  com os 153 grandes peixes na rede, quando João, o “o discípulo que Jesus mais amava”, identificou Jesus Cristo Ressuscitado, na praia, e informou a São Pedro a identidade daquele que os espreitava a pescar e lhes dera a ordem de lançar a rede à direita do barco: “É o Senhor!”.

Interessante a reação de São Pedro ao ouvir o anúncio do Apóstolo São João, “É o Senhor!”: “vestiu e arregaçou a túnica, pois estava nu, e lançou-se ao mar.”

Era manhã. O sol seguia seu caminho, solene e só. As ondas beijavam simples e solenemente a areia da praia, de forma repetida e cadenciada. Os apóstolos e discípulos pescadores estavam saciados, embora o cansaço da noite de pesca, inicialmente infrutífera, fosse perceptível nos olhos cansados. Mas estavam felizes, com eles estava Jesus Cristo ressuscitado, que os alimentara com peixe que Ele mesmo assara, alguns dos quais Ele mesmo pescara, e pão que  consigo trouxera.  É neste o contexto em que se desenrola o diálogo que ouvimos proclamado no Evangelho.

O diálogo entre Jesus Cristo ressuscitado e o apóstolo São Pedro é constituído de três perguntas, repetidas, e três respostas, também repetidas. Na primeira formulação das perguntas há um acréscimo singular: “ Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?”  “...mais do que estes”, é uma exigência em vista de uma missão também única.

Na formulação das respostas do apóstolo Pedro, a terceira é também única, por conter um acréscimo: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo.”

“... Tu sabes tudo”, é o acréscimo da resposta que responde ao acréscimo do enunciado da primeira pergunta:  ao  “...mais do que estes”, corresponde o “...Tu sabes tudo.”

Na exortação de Jesus Cristo ressuscitado a Pedro, após pergunta e resposta, são usados dois verbos, com sentido igual: “cuidar”, usado duas vezes, e “apascentar”, uma vez. Apascentar é cuidar, cuidar é apascentar. E para tanto, apascentar e cuidar, é preciso amar, um amor em intensidade maior do que o encontrado em outras pessoas.

O versículo nove, da primeira leitura, é iluminador: “O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse: ‘Eu ponho minhas palavras na tua boca.” Ser tocado pela mão do Senhor e receber d’Ele as palavras a serem transmitidas é um capítulo constitutivo da vida cristã e do ministério sacerdotal. O que somos e fazemos, como cristãos e ministros ordenados, somos e fazemos por obra de Deus.

São Paulo, o apóstolo, está em Mileto, mas fala aos presbíteros de Éfeso. Do capítulo 20 dos Atos dos Apóstolos, tomemos o versículo 28: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como guardiães, como pastores da Igreja de Deus que ele adquiriu com o seu sangue”.

Três elementos são sotolineados, na segunda leitura: a Igreja é de Deus, adquirida com o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo; é o Espírito Santo que nos envia como guardiães ou pastores do Povo de Deus; é preciso cuidar de si e do rebanho que  é colocado sob nossos cuidados.

A vida sacerdotal é graça de Deus que enriquece a Igreja e transforma o mundo. A sua fecundidade é dependente do modo como se acolhe e vive este dom. As leituras proclamadas nesta liturgia  propõem quatro elementos imprescindíveis para uma vida sacerdotal fecunda:

a) “Tu sabes tudo...”. Colocar-se diante de Deus com transparência, sem barreiras e sem máscaras, pois Ele nos conhece, melhor do que nós mesmos nos conhecemos;
b) “Tu me amas mais do que estes?” Há uma singularidade personificada na relação de amor entre o sacerdote e a pessoa de  Nosso Senhor Jesus Cristo;
c) O sacerdote é tocado pelo mistério de Deus, que coloca nele a sua Palavra;
d) Como pastor do Povo de Deus, o sacerdote deve cuidar de si, para cuidar e apascentar a porção do povo que a Igreja lhe confiará, iluminada pelo Divino Espírito Santo. Cuidar e apascentar é amar. Amar é cuidar e apascentar.

Caros familiares dos Diáconos Rafael e Roberto, obrigado pela graça da fé que possibilitaram a eles, conduzindo-os ao batismo e, por este, à Igreja. Deus lhes pague! Membros da família da Igreja, doravante estarão integrados à família do presbitério da Diocese de São José do Rio Preto.

Obrigado às paróquias Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Maria Lúcia, e Nossa Senhora da Abadia, em Icém, pela preciosa cooperação na educação da fé destes dois ordinandos.

Gratidão aos formadores, que pela e na  Diocese, a Igreja local, contribuíram para dar forma ao coração sacerdotal   destes dois candidatos ao sacerdócio. Igual gratidão aos que rezam e os acompanham com sua amizade cristã.

Caros fiéis, criemos na Diocese de São José do Rio Preto uma cultura vocacional. Precisamos atender ao pedido do Senhor: “Pedi ao Senhor da Messe que envie operários para a Messe, pois grande é a messe e poucos são os operários.” Rezemos e promovamos as vocações sacerdotais, religiosas, missionárias e ao sacramento do matrimônio.

Queridos diáconos Rafael e Roberto, a ordenação sacerdotal não é ponto de chegada, mas de partida. Como São Pedro, no Evangelho, é agora a hora de vestir e arregaçar a sotaina e lançar-se ao trabalho, com coração e ânimo de operário. Mas a labuta diária só será fecunda se for permeada pelo amor, aquele amor que possibilitou ao apóstolo João, o discípulo que Jesus amava, dizer aos ouvidos de São Pedro, “É o Senhor”.

Que o Coração Imaculado de Maria, Mãe dos Sacerdotes, os proteja e os guarde, terna e maternalmente, até ao final da vida e do exercício do ministério sacerdotal que hoje lhes será dado. O espírito de humildade e serviço de São José impregne o coração sacerdotal dos senhores. O exemplo de santidade do Beato Padre Mariano de la Mata, que viveu e trabalhou entre nós, esteja sempre diante dos nossos olhos e coração.

Deus seja louvado!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

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