terça-feira, 17 de dezembro de 2013

MANHÃ DE ESPIRITUALIDADE DE ADVENTO COM PADRES, RELIGIOSOS, CONSAGRADOS E SEMINARISTAS – 17 DE DEZEMBRO DE 2013.

Coincidência ou não, nossa manhã de espiritualidade do advento, de 2013, acontece em 17 de dezembro, primeiro dia da segunda parte do advento, em que somos levados, pela liturgia, a viver o mistério do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Começamos uma “contagem regressiva” para a celebração do Natal do Senhor.

Estamos na Paróquia Basílica de Nossa Senhora Aparecida, lugar emblemático para a Diocese de São José do Rio Preto. Somos leigos, seminaristas, religiosas, consagrados, diáconos, padres e bispo, bela e boa representação da Igreja em São José do Rio Preto. O que temos em comum? Somos fiéis, vivemos da mesma fé, pedras vivas da Igreja, Corpo Místico de Jesus Cristo,  parte do Povo de Deus, militantes.

O evangelho proclamado é o do dia de hoje: Mateus, capítulo um, versículos um a dezessete: a genealogia de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Uma genealogia esconde aspectos interessantes e complementares, úteis à verdade. Destaco dois: o histórico e o antropológico.

Uma genealogia tem preocupação histórica, é expressão de uma linhagem familiar que atravessa a história, possui valor documental. A história é produto humano, é fruto da categoria tempo, que conjugado com a categoria espaço, são  determinantes do fenômeno humano.

Há uma necessidade interna da pessoa humana, ao mesmo tempo transcendente, de voltar-se para trás, procurando com fervor a sua origem, a sua raiz, como meio de responder ao quem sou?, de onde vim?, para onde vou?. Este é o aspecto antropológico da genealogia. Aqui não se trata de uma antropologia cultural, mas uma antropologia filosófica, teológica, por isso mesmo metafísica.

O primeiro versículo do evangelho que ouvimos enuncia: “Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” Há o desejo de sublinhar o “vínculo” de Nosso Senhor Jesus Cristo com Abraão e Davi: Ele é “herdeiro das bênçãos de Abraão e da glória de Davi.”

Em Nosso Senhor Jesus Cristo ocorre o encontro da universalidade da salvação oferecida por Deus em Abraão e a construção véterotestamentária de seu povo. São José, esposo de Maria, é da tribo de Judá, e, através dele, se estabelece o “vínculo histórico” de Nosso Senhor Jesus Cristo com o Povo Eleito, com a descendência de Davi.

A genealogia de Nosso Senhor Jesus Cristo, voltada para Abraão e Davi, de algum modo, diz quem Ele é e o de onde vem. É bom lembrar que, antropologicamente falando, dizer de onde vem, diz algo de quem é.

Tomo a seguir algumas considerações feitas pelo Papa Emérito Bento XVI, no livro “A Infância de Jesus”, retiradas do capítulo primeiro, ao comentar a genealogia do evangelho de São Mateus.

a) Depois da dispersão ocorrida após a Torre de Babel, é com Abraão que começa a história da promessa.
b) O peregrinar de Abraão não é só geográfico, mas temporal, enquanto sai do presente e se encaminha para o futuro. Diz a Carta aos Hebreus que ele “esperava a cidade que tem fundamentos, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus”(Hb 11,10).  “Por ele serão abençoadas todas as nações da terra”(Gn 18,18).
c) Desde o início da genealogia, a atenção está voltada para a conclusão do evangelho, quando Jesus Cristo Ressuscitado ordena: “Fazei que todas as nações se tornem discípulos”(Mt 28, 19).
d) Na estrutura da genealogia, e da história por ela narrada, em Mateus, é central a pessoa de Davi: são três grupos de 14 gerações. “As letras hebraicas do nome de Davi totalizam o valor numérico de 14, e assim, a partir do simbolismo dos números, Davi, o seu nome e a sua promessa caracterizam o caminho de Abraão até Jesus.
e) “A genealogia com os seus três grupos de 14 gerações é um verdadeiro Evangelho de Cristo Rei: a história inteira aponta para Ele, cujo trono estará firme para sempre.” Na genealogia há uma teologia da história, tudo se orienta para Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da história. Como não lembrar das palavras do Apocalipse?: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim”(Ap 22, 13). Ou ainda a jaculatória: “Ao Rei dos Séculos, Imortal e Invisível, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém! A salvação se desenvolve na história, a história se torna história da salvação, os percalços da história se manifestam de algum modo no lento desenrolar da histórica salvação.
f) Na menção de quatro mulheres na genealogia ( Tamar, Raab, Rute e a Mulher de Urias), não basta lembrar que são tidas como “pecadoras”, não vale recordar que não são judias, mostrando  que, por intermédio delas, entra na genealogia de Jesus Cristo o mundo dos gentios, a sua missão se destina a judeus e pagãos. Nosso Senhor Jesus Cristo vem para os pecadores, para todos, pois todos somos pecadores, há uma fraternidade no pecado.
g) A genealogia se encerra com outra mulher, a quinta, Maria. Aqui dá-se um novo início e ocorre uma relativização de toda a genealogia. Rompendo o ritmo da narrativa, de Jesus afirma-se: “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo”(Mt 1, 16). “Maria é um novo início: o seu filho não provém de um homem, mas é uma nova criação: foi concebido por obra do Espírito Santo.

“A genealogia mantém a sua importância: José é juridicamente o pai de Jesus. Por meio dele, Jesus pertence segundo a Lei, ‘legalmente’, à tribo de Davi. E, todavia, vem de outro lugar, ‘do alto’: do próprio Deus. O mistério sobre ‘de onde’ Ele é, da sua origem dupla, nos é colocado de forma muito concreta: a sua origem é determinável e, todavia, permanece um mistério. Só Deus é o seu ‘Pai’ em sentido próprio. A genealogia dos homens tem a sua importância no que diz respeito à história do mundo. E, apesar disso, no fim das contas é em Maria, a Virgem humilde de Nazaré, que acontece um novo início: recomeça de modo novo o ser humano.”

Com o olhar e o coração de Nossa Senhora caminhemos para celebrar o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tenhamos no nosso coração e em nossos braços o Menino Jesus. De nós, não se espera outra atitude, senão a dos Magos: “Quando entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”(Mt 2, 11).

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