sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

“FRATERNIDADE, FUNDAMENTO E CAMINHO PARA A PAZ.”

Em primeiro de janeiro de 2014 celebramos o 47º Dia Mundial da Paz. O Santo Padre o Papa Francisco preparou uma mensagem para esta data: “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz.” São 43 parágrafos, distribuídos em 10 números, com 8 tópicos: “Onde está o teu irmão?”(Gn 4,9); “E vós sois todos irmãos”(Mt 23,8); “A fraternidade, fundamento e caminho para a paz”; “A fraternidade, premissa para vencer a pobreza”; “A redescoberta da fraternidade na economia”; “A fraternidade extingue a guerra”; “A corrupção e o crime organizado contrastam a fraternidade”; “A fraternidade ajuda a guardar e cultivar a natureza”.

A beleza e profundidade da mensagem impressionam, com linguagem precisa e direta, mostrando a sensibilidade do “Bispo de Roma” com os fiéis, cristãos ou não, espalhados pelo  mundo. Sem pretender resumir o texto, ou apresentá-lo sistematicamente, retomo livremente alguns pontos:

a) A fraternidade possui uma dimensão antropológica, deve ser aprendida, por isso é também uma virtude, começando na família, devendo originar uma cultura da solidariedade;

b) As éticas contemporâneas, ao eliminarem o Transcendente, são limitadas e insuficientes para gerar e sustentar vínculos de fraternidade duradouros;

c) A Sagrada Escritura, no livro do Gênesis, mostra que a fraternidade faz parte da vontade de Deus para a pessoa humana, desde a criação;

d) O mistério da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo transfigura a fraternidade, conferindo-lhe novas dimensões, à luz da salvação;

e) Há uma dimensão cristológica da fraternidade, que mostra que o outro não é inimigo, mas filho de Deus e irmão;

f) Ocorre uma relação de reciprocidade entre fraternidade e solidariedade, decisiva para a construção da paz, que pressupõe  um tríplice dever: solidariedade, justiça social e caridade universal;

g) A paz tem uma dimensão universal, visa o bem comum e não tem o outro, pessoa ou nação, como explorável;

h) A pobreza, absoluta ou relativa, é fruto da ausência de fraternidade, do uso da propriedade sem levar em consideração o bem comum;

i) A fraternidade requer e propõe um  estilo de vida fundado na sobriedade, na partilha e na eliminação do desperdício;

j) As crises econômicas, locais ou globais, geram ganância e estimulam a acumulação de bens, o que requer o repensar dos modelos de desenvolvimento e dos estilos de vida, retomando as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza;

k) Algumas guerras se tornaram conflitos esquecidos pelas sociedades e organismos internacionais;

l) É preciso dizer não aos conflitos armados, ao comércio e contrabando de armas e promover o desarmamento, também o nuclear e químico;

m) Os acordos internacionais e as leis das nações não são, por si só, suficientes para a promoção da paz, que exige a conversão do coração;

n)  Os sonhos, aspirações e projetos justos da pessoa humana, sobretudo dos jovens, não podem ser supressos, mas devem ser estimulados e apoiados;

o) Enquanto a fraternidade gera a paz social, o  egoísmo individual gera o egoísmo social e leva à corrupção, devastação dos recursos naturais, poluição, exploração do trabalho, tráficos ilícitos de dinheiro, especulação financeira, prostituição, tráfico de pessoas humanas, crimes e abusos contra menores, escravidão  e migrações;

p) Não esquecer as condições desumanas dos estabelecimentos prisionais em muitos países;

q) A promoção de um desenvolvimento sustentável, com critérios responsáveis para a exploração da natureza, é uma urgência;

r) A agricultura deve voltar-se prioritariamente para a produção de alimentos, melhorando a sua distribuição para combater e superar a fome;

s) O destino universal dos bens é um dos princípios da doutrina social da Igreja;

t) O amor dado por Deus ao homem é pressuposto para a fraternidade; a caridade ilumina e transfigura a fraternidade;

u) Superando o tecnicismo e o pragmatismo na política e na economia, é preciso recuperar a transcendência da pessoa humana;

v) A Igreja, pela sua própria natureza e constituição histórica, deve colocar-se  a serviço da fraternidade, pois é contínua aprendiz de Jesus Cristo Salvador que está entre nós como aquele que serve. “O serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz.”

w) “Que Maria, a Mãe de Jesus, nos ajude a compreender e a viver todos os dias a fraternidade que jorra do coração do seu Filho, para levar a paz a todo o homem que vive nesta nossa amada terra.”

Formulo votos de que em 2014 a busca e promoção da fraternidade, de nossa parte, seja  um valioso contributo para a paz. Feliz ano novo! Deus nos abençoe!


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

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