quinta-feira, 8 de agosto de 2013

SEMANA DA FAMÍLIA - O CASAMENTO ESTÁ FORA DE MODA?

“O casamento está fora de moda?”, perguntou o Papa Francisco aos voluntários da Jornada Mundial da Juventude, em uma de suas despedidas na cidade do Rio de Janeiro. Eles responderam,”não”!

A minha experiência familiar e pastoral, como padre e bispo, mostra que sim, o casamento está ficando fora  de moda, e a família também, tal como são compreendidos e propostos por Nosso Senhor Jesus Cristo. Paralelamente, vão surgindo outras formas de união e novos tipos de família.

Há um sensível declínio na busca do sacramento do matrimônio. Nos últimos anos, vejo paróquias que não realizaram nenhum casamento religioso; outras, não encaminharam um único processo matrimonial. Vejo minha parentela, filhos de amigos e outros optando por formas diversas de celebração para marcar o início de uma “convivência familiar”. Isto ocorre também com jovens católicos, alguns dos quais até frequentes à vida da Igreja.

Esta realidade, o escasso número de casamentos no religioso e a nova tipologia familiar, é um sinal dos tempos. Hoje, a busca do sacramento do matrimônio e a constituição de uma família nos moldes da fé cristã torna-se um gesto profético e ousado, assumido por poucos.

Esta realidade está vinculada ao modo como se assume e vive a fé. Onde persiste, a fé é buscada de modo “light” ou “soft”, como ouvi de um filósofo e teólogo há algum tempo atrás, não sendo mais determinante para a vida do crente. Hoje é um tempo não só de negação ou relativização da fé, mas também de subjetivação da fé, isto é, a pessoa submete a fé objetiva aos seus juízos pessoais, tornando-se ela mesma critério e medida da fé.

Por outro lado, por razões diversas, também pela fragilidade da catequese, há um crescente desconhecimento da natureza do sacramento do matrimônio e da vida familiar no modo como são propostos por Nosso Senhor Jesus Cristo. No esforço concentrado e missionário da propagação da fé, há de incluir uma divulgação e catequese do sacramento do matrimônio e do modelo da família cristã.

Para os que possuem a fé, consolidada ou não, acredito que em muitos casos não ocorre uma recusa objetiva e explícita do sacramento do matrimônio e da família cristã. O desconhecimento, ou conhecimento insuficiente, do que a fé propõe, impossibilita ou dificulta a escolha pelo sacramento do matrimônio e pelo modelo da família cristã.

Indo ao encontro das novas gerações, adolescentes e jovens, urge mostrar-lhes o sacramento do matrimônio e a família cristã como possibilidades reais de felicidade conjugal e familiar. São duas realidades coligadas que devem estar presente no processo catequético de forma mais clara, incisiva e objetiva, com boa fundamentação bíblica e teológica, sem perder a finalidade  pastoral.

Mais do que preparar os noivos para o matrimônio, sem levar em conta a supressão do namoro e noivado nos dias atuais, precisamos ir ao encontro dos jovens, onde eles se encontram, e falar-lhes do sacramento do matrimônio e da família, profeticamente, com ousadia, sem medo de dar as razões da fé depositada em nossos corações pelo Divino Espírito Santo.

Caro leitor, participe em sua paróquia ou comunidade das atividades da semana da família, entre os dias dez e dezessete de agosto. Afinal, família que reza unida permanece unida.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

Um comentário:

  1. A bênção, D Tomé!
    Defendendo o casamento tradicional, da família e do sacerdócio, o papa Francisco na JMJ pediu os jovens a “irem contra a corrente” e a serem “revolucionários” em suas vidas, sugerindo serem mais conservadores, seguirem um comportamento mais reticente ao modernismo niilista, não se apegando a momentos fugazes de prazer, e pior: pecaminosos.
    É que hoje há muitos adeptos da DITADURA DO RELATIVISMO, instigados e fabricados pelas ideologias socialistas, à medida que a Igreja e sua doutrina são deixados em segundo plano, cultuando o individualismo, o prazer, o presente apenas, dentro dos parâmetros de S Paulo ao citar o poeta pagão Menandro: "Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos".
    Infelizmente isso deve-se também religiosos que se envolvem em escândalos, fragilizando os de fé mal formada ou piorando mais ainda os já deformados, criando multidões de cristãos alienados à fé, ovelhas sem pastor, muito assemelhados com as dezenas de milhares relativistas seitas protestantes divergentes entre si, acusando-se mutuamente de hereges e ainda, muitas vezes cooptando os incautos católicos.

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