quinta-feira, 29 de agosto de 2013

SETEMBRO, MÊS DA BÍBLIA.

No Brasil, temos um mês, setembro, dedicado à Bíblia, Palavra de Deus. Justifica-se esta iniciativa por uma necessidade pastoral: tornar possível às pessoas ter, ler, compreender, viver, anunciar e celebrar a Palavra de Deus. Se de um lado a Sagrada Escritura suscita a atenção das pessoas, por outro, há uma longa tarefa a ser realizada para que ela seja devidamente acolhida.

Neste ano de 2013 o “Mês da Bíblia” tem como tema “Discípulos e missionários a partir do Evangelho de Lucas”, que está em sintonia com a temática de 2012 que abordava o evangelho de Marcos. O lema “Alegrai-vos comigo, encontrei o que tinha perdido”(Lc 15) “quer ressaltar a alegria, uma das características essenciais do discípulo que caminha, como ressuscitado, com o Mestre.”

A CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, preparou dois livretos com subsídios para os trabalhos deste ano do mês da Bíblia. O primeiro é um conjunto de reflexões, com uma apresentação, introdução e conclusão, que nos introduz na leitura do evangelho de Lucas, em quatro capítulos: A obra de Lucas: o texto no seu contexto; Passos no caminho: o samaritano e o publicano; Alegrai-vos comigo encontrei o que tinha perdido; A caminho com o Cristo crucificado-ressuscitado.

O segundo livreto, além de uma apresentação e introdução, propõe quatro roteiros para encontros bíblicos, com os seguintes títulos: “A criança pulou de alegria em seu ventre”(Lc 1, 39-45); “Chegou perto dele, viu, e moveu-se de compaixão”(Lc 10, 25-35); “Zaqueu desceu depressa, e o recebeu com alegria”(Lc 19, 1-10); “Alegrai-vos comigo, encontrei o que tinha perdido”(Lc 15, 1-3.11-32).

Os dois livretos com os subsídios podem ser encontrados nas paróquias, nas livrarias católicas ou na CNBB, através do e-mail: vendas@edicoescnbb.com.br . A utilidade destes materiais não se restringe ao mês de setembro, mas podem e devem ser usados em qualquer tempo como instrumentos adequados que ajudam numa aproximação sistemática ao evangelho de Lucas.

Temos uma proposta concreta para este mês de setembro de 2013: ir ao encontro do  evangelho de Lucas, que possui 24 capítulos; podemos  estudar um capítulo ao dia. Isto poderia ser realizado usando o método da Leitura Orante da Bíblia, que é um bom modo de aproximação da Palavra de Deus. Na Diocese de São José do Rio Preto, você encontra nas  paróquias um cartão com indicações práticas de como usar este método.

A leitura comunitária da Palavra de Deus em família, grupo, círculo bíblico ou na rede de comunidades, ou ainda em grupos ambientais, é um modo privilegiado de aproximação da Sagrada Escritura. Neste caso, o uso dos subsídios da CNBB ou do material oferecido pela Diocese de São José do Rio Preto, o livreto da rede de comunidades, pode ser um valioso auxílio.

Vivamos com empenho e alegria este setembro,  mês da Bíblia. Auxiliados pelo Divino Espírito Santo, aproximemo-nos de coração aberto da Palavra de Deus. “Que o Evangelho de Lucas, que também nos acompanha o ano todo por meio da liturgia, nos proporcione vivências marcantes para fazer o Reino de Deus crescer em nós e entre nós!”


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto\SP

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

VIDA RELIGIOSA E CONSAGRADA, SEGUIMENTO A JESUS CRISTO POBRE, CASTO E OBEDIENTE.

No horizonte do mês vocacional, a terceira semana de agosto é dedicada à Vida Religiosa e Consagrada, feminina e masculina; homens e mulheres que se colocam mais intensamente no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo pobre, casto e obediente. Eles recebem o nome de freis, freiras, irmãos e irmãs de caridade. Ao interno da Igreja, se encontram distribuídos nas mais diversas congregações religiosas.

Uma congregação religiosa nasce de uma inspiração do Divino Espírito Santo que coloca no coração do fundador um carisma, um dom, a ser explicitado na vida da Igreja e do mundo, como resposta a um sinal dos tempos ou a uma necessidade específica. A vida religiosa e consagrada faz parte da natureza e da vida da Igreja, ela está presente desde as suas origens, mas assumindo feições diferentes ao longo dos tempos.

A Vida Religiosa e Consagrada pode ser ativa ou contemplativa. A expressão “ativa” designa os religiosos que possuem um trabalho pastoral inserido na sociedade e nela realizam uma intervenção através de uma multiplicidade de ações e instituições de caridade, educação, saúde, promoção cultural e evangelizadora. Muitas congregações se encontram diretamente envolvidas no trabalho pastoral nas paróquias.

A expressão “contemplativa”, aplicada à Vida Religiosa e Consagrada, designa as comunidades religiosas que se dedicam sobretudo à vida de oração litúrgica e silenciosa em conventos, mosteiros e abadias. A sua oração contínua é a sua intervenção na vida da Igreja e da sociedade, pois residem em regime de clausura, isto é, vivem uma vida reservada com contato físico limitado com o mundo.

Hoje há uma nova realidade emergente, denominada de “Novas Comunidades”, que se desenvolve em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil, atraindo muitos jovens a uma especial consagração. A organização destas Novas Comunidades não é a mesma da Vida Religiosa e Consagrada, embora tenham elementos semelhantes, mas ainda lhes falta uma explicitação canônica da sua natureza na Igreja.

Deus nos chama à santidade e felicidade. Na oração, é preciso perguntar a Ele: O Senhor me quer santo e feliz na Vida Religiosa e Consagrada, na Vida Sacerdotal ou na Vida Matrimonial e Familiar? É Deus que  diz como nos deseja santos e felizes. Escutar, discernir e obedecer ao desejo de Deus é condição para uma vida feliz, santa e profícua. Muita vida infeliz pode ser resultante do fato de não se ter acolhido a vontade de Deus.

A Vida Religiosa e Consagrada, no desejo de uma singular configuração com Nosso Senhor Jesus Cristo, propõe aos seus membros um tríplice voto: pobreza, obediência e castidade. O empobrecimento voluntário é o exercício de dispensar todo supérfluo, de partilhar o que se possui com outras pessoas que fazem a mesma experiência, de confiar na ação da Providência Divina e só ter para si o necessário.

A obediência aos superiores, na Vida Religiosa e Consagrada, é manifestação do desejo de realizar na vida a mesma obediência que Nosso Senhor Jesus Cristo tinha diante de Deus Pai. Para Nosso Senhor Jesus Cristo, obedecer ao Pai era fazer a sua vontade. No exercício cotidiano da obediência, o religioso e consagrado vê nos seus superiores a manifestação da vontade de Deus através da Igreja.

A vida de castidade, incluindo a renúncia ao matrimônio e a uma vida sexual ativa, é expressão de uma consagração ilimitada a Deus e à Igreja. Num tempo erotizado como o nosso, viver castamente é um gesto por si só profético, que exige além da graça de Deus, um empenhativo esforço do religioso e consagrado. Vive-se a castidade por amor ao Reino de Deus, como Nosso Senhor Jesus Cristo a viveu.

Nossa saudação e gratidão aos religiosos, consagrados e membros das Novas Comunidades pelo que são e realizam na vida da Igreja e do mundo. Caro adolescente e jovem, não tenha medo de dizer sim a Nosso Senhor Jesus Cristo se Ele o chama para a Vida Religiosa e Consagrada ou a ser participante de uma Nova Comunidade.


+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto\SP.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

SEMANA DA FAMÍLIA - O CASAMENTO ESTÁ FORA DE MODA?

“O casamento está fora de moda?”, perguntou o Papa Francisco aos voluntários da Jornada Mundial da Juventude, em uma de suas despedidas na cidade do Rio de Janeiro. Eles responderam,”não”!

A minha experiência familiar e pastoral, como padre e bispo, mostra que sim, o casamento está ficando fora  de moda, e a família também, tal como são compreendidos e propostos por Nosso Senhor Jesus Cristo. Paralelamente, vão surgindo outras formas de união e novos tipos de família.

Há um sensível declínio na busca do sacramento do matrimônio. Nos últimos anos, vejo paróquias que não realizaram nenhum casamento religioso; outras, não encaminharam um único processo matrimonial. Vejo minha parentela, filhos de amigos e outros optando por formas diversas de celebração para marcar o início de uma “convivência familiar”. Isto ocorre também com jovens católicos, alguns dos quais até frequentes à vida da Igreja.

Esta realidade, o escasso número de casamentos no religioso e a nova tipologia familiar, é um sinal dos tempos. Hoje, a busca do sacramento do matrimônio e a constituição de uma família nos moldes da fé cristã torna-se um gesto profético e ousado, assumido por poucos.

Esta realidade está vinculada ao modo como se assume e vive a fé. Onde persiste, a fé é buscada de modo “light” ou “soft”, como ouvi de um filósofo e teólogo há algum tempo atrás, não sendo mais determinante para a vida do crente. Hoje é um tempo não só de negação ou relativização da fé, mas também de subjetivação da fé, isto é, a pessoa submete a fé objetiva aos seus juízos pessoais, tornando-se ela mesma critério e medida da fé.

Por outro lado, por razões diversas, também pela fragilidade da catequese, há um crescente desconhecimento da natureza do sacramento do matrimônio e da vida familiar no modo como são propostos por Nosso Senhor Jesus Cristo. No esforço concentrado e missionário da propagação da fé, há de incluir uma divulgação e catequese do sacramento do matrimônio e do modelo da família cristã.

Para os que possuem a fé, consolidada ou não, acredito que em muitos casos não ocorre uma recusa objetiva e explícita do sacramento do matrimônio e da família cristã. O desconhecimento, ou conhecimento insuficiente, do que a fé propõe, impossibilita ou dificulta a escolha pelo sacramento do matrimônio e pelo modelo da família cristã.

Indo ao encontro das novas gerações, adolescentes e jovens, urge mostrar-lhes o sacramento do matrimônio e a família cristã como possibilidades reais de felicidade conjugal e familiar. São duas realidades coligadas que devem estar presente no processo catequético de forma mais clara, incisiva e objetiva, com boa fundamentação bíblica e teológica, sem perder a finalidade  pastoral.

Mais do que preparar os noivos para o matrimônio, sem levar em conta a supressão do namoro e noivado nos dias atuais, precisamos ir ao encontro dos jovens, onde eles se encontram, e falar-lhes do sacramento do matrimônio e da família, profeticamente, com ousadia, sem medo de dar as razões da fé depositada em nossos corações pelo Divino Espírito Santo.

Caro leitor, participe em sua paróquia ou comunidade das atividades da semana da família, entre os dias dez e dezessete de agosto. Afinal, família que reza unida permanece unida.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.