quarta-feira, 31 de julho de 2013

ERA UMA VEZ JULHO.

O mês de julho se foi. Parece ter ido tão rapidamente. Deixa saudades! As férias, as festas típicas de julho em nossa região, a Semana Missionária, a Jornada Mundial da Juventude, ..., fizeram o tempo voar. Agosto chegou, a metade do ano passou!

Um voto de louvor às paróquias que prepararam e realizaram a semana missionária na Diocese de São José do Rio Preto, tendo como foco a juventude. Ir aos jovens é um imperativo inadiável. É empenhativo abraçar esta exigência pastoral, pois não é que a juventude esteja totalmente aberta ao transcendente e ao sagrado, pressupostos para fazer a experiência de Deus.

O número dos  jovens atingidos pela Semana Missionária e pela Jornada Mundial da Juventude aponta e revela o quanto Nosso Senhor Jesus Cristo precisa ser apresentado aos jovens. Se consideramos os dez por cento de católicos freqüentes à Igreja, dentro destes, os três por cento de jovens assíduos, a participação nas duas atividades foi razoável. Mas se olhamos para a população jovem das nossas cidades, os números são pífios.

A Semana Missionária e a Jornada Mundial da Juventude foram oportunidades para uma aproximação com os jovens não freqüentes à Igreja. Os dois eventos atingiram de algum modo os que estão conosco, mas não atingiram, ou atingiram pouquíssimo, os jovens distanciados das atividades eclesiais. Neste sentido, não há muito o que comemorar.

Tenho comigo  que o pressuposto do qual partimos, de que todos os jovens, ou a maioria deles, estão  abertos à experiência de Deus, tal como é proposta pela Igreja, não é um fato. Há uma recusa silenciosa e disfarçada da vida de fé em Nosso Senhor Jesus Cristo vivida comunitariamente nos espaços eclesiais; isto não só pelo desconhecimento dele, ou conhecimento insuficiente do Evangelho, mas fruto de uma escolha feita ou assimilada sob os influxos da modernidade intramundana e secular, que tem os seus próprios profetas e sacerdotes.

Em grande parte da juventude brasileira há um certo conhecimento, enquanto informação, da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo  e do Evangelho, adquirido nas igrejas, nas escolas e nas mídias, mas que permanece como história, mito ou folclore, e que é corroborado por grande parte da sociedade e pelos formadores de opinião. Neste contexto, a fé, a religião e as igrejas são aceitas ou toleradas como agentes de filantropia, assistência social, ou como fato cultural.

Se de um lado a juventude brasileira apresenta-se como um campo a ser semeado, antes precisa ser preparada para receber a semente, como o terreno que precisa ser desbastado e arado. A situação é tão complexa que amedronta os bispos, padres, diáconos, religiosos e agentes pastorais leigos. Fazemos documentos e livros, mas a questão não está na elaboração teórica, não basta compreender o fato e formular receitas.

A evangelização da juventude requer soldados, militantes, desbravadores destemidos que partam para o corpo a corpo anunciando o querigma: Jesus Cristo morreu e ressuscitou para salvar também o jovem. Como este jovem está preso pela moldura do intramundano e secular, será preciso afrontá-lo despertando-o para o transcendente e sagrado, fazendo-o reconhecer-se pecador e necessitado da misericórida de Deus que nos é oferecida em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esta tarefa, da evangelização da juventude, é empenhativa e mais complexa do que podemos imaginar, para fora das nossas igrejas e dos nossos discursos teológico-pastorais. Estamos com medo de ir a campo, pois o trabalho a ser feito assusta e amedronta, não queremos suar a camisa por esta causa; temos preferido falar e não fazer, compreender e não agir, colocar a “batata quente” em outras mãos, falar de um  protagonismo que seria de alguns, mas que na verdade é de todos os fiéis, sejam eles ordenados, consagrados ou leigos.

Um segundo voto de louvor às paróquias, movimentos, novas comunidades e associações religiosas que enviaram jovens à Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Deus lhes pague!


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

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