quarta-feira, 19 de junho de 2013

SÃO JOÃO BATISTA, DE MENINO CÂNDIDO A SANTO EXÓTICO QUE PEGOU PESADO.

A solenidade da natividade de São João Batista, no dia vinte e quatro de junho, é uma exceção na vida da Igreja Católica Apostólica Romana, pois normalmente os santos são lembrados apenas na data da sua morte. O Precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma segunda data, a memória de sua morte em vinte e nove de agosto. O nascimento é recordado como uma solenidade, grau das grandes festas, enquanto o seu martírio é uma memória obrigatória, que situa-se depois da festa, porém antes de uma memória facultativa.

O papel de São João Batista na História da Salvação, como precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo, as condições de seu nascimento, o seu modo de vida, a atividade que exerceu antes da vida pública do Divino Salvador e o modo de sua morte fazem dele um santo diferente, “exótico”, que foi “fogo”, “pegando pesado na sua pregação” sem fazer distinção da condição social de seus ouvintes.

São João Batista nasce em condições especiais, obra de Deus, pois seus pais, Isabel e Zacarias, eram idosos e sem filhos. Tinha um certo parentesco com Jesus, pois Maria era parenta de Isabel. Não temos mais notícias de sua infância, certamente vivida de modo ordinário, em contraposição às condições extraordinárias de seu nascimento. A tradição o representa como um menino loiro e de cabelos encaracolados, segurando em sua mão um cordeirinho e uma bandeirola, mais fruto da imaginação do que propriamente realidade, mas que expressa a ternura de uma criança.

A juventude de São João Batista é descrita de modo bem exótico: vivia pelos desertos, revestindo-se de peles de animais e alimentando-se de mel e insetos. O modo como é apresentado nos permite vê-lo como uma pessoa austera, sóbria, ciente de preparar-se para uma missão especial, por isso afasta-se do burburinho do dia a dia para na solidão fazer uma experiência singular de Deus.

Na maturidade de sua juventude, no período pós-deserto, São João Batista aparece pregando a conversão aos seus contemporâneos, chamando-os à penitência, diante da proximidade do Reino de Deus. Para os que desejavam mudar de vida, chamava-os ao batismo de penitência nas águas do rio Jordão. Anunciava a proximidade da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem não se considerava digno nem mesmo de desatar as sandálias. Multidões acorreram para ouvi-lo, inclusive o Divino Mestre.

A missão de São João Batista termina de modo trágico, quando Nosso Senhor Jesus Cristo começa a pregar o Evangelho, a fazer milagres, curar os doentes e expulsar os demônios. Ele denunciou o adultério de Herodes que, estimulado pela amante, manda prendê-lo e decapitá-lo,  cortou a cabeça do profeta denunciador, que terminou a sua história como mártir.

É o nascimento deste homem de Deus que celebramos no dia vinte e quatro de junho. A alegria da festa junina de São João Batista é resquício da exultação que seu nascimento, pessoa e atividade provocou nos seus contemporâneos: é terminado o Antigo Testamento, chega ao Povo Eleito a salvação prometida por Deus aos antepassados, sobretudo aos patriarcas, e predita pelos profetas.

Terminou o tempo da espera. São João Batista tem a graça de viver estes dois tempos, do antigo e do novo, de contemplar com seus olhos e tocar com suas mãos a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Mestre e Divino Salvador.

Bom seria não esquecer a pessoa, o testemunho e as palavras que São João Batista nos deixou. Ele nos ensina a reconhecer a graça de Deus em nossa vida, a viver modestamente, a buscar a conversão, a valorizar nosso batismo, a viver profeticamente não calando diante do erro, da mentira e da injustiça.  Vamos valorizar o sacramento do matrimônio, preparando-nos para ele com um namoro e noivado sério e prolongado, pressuposto para viver a vida conjugal e familiar com amor fiel e fidelidade amorosa.

Viva São João Batista!

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP   

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