quarta-feira, 6 de março de 2013

UM JOVEM AO PÉ DA CRUZ



“Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe’! A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu”(Jo 19, 26-27).
Entre os numerosos discípulos, Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu doze apóstolos para que o acompanhassem mais proximamente, com os quais condividiu de modo singular a sua vida e a sua missão. Pedro recebeu o “poder das chaves” (cf Mt 16, 18-20), foi feito a referência para o grupo, mesmo tendo negado, na hora do julgamento, pertencer ao grupo do Divino Salvador (cf Mt 26, 69-75). Tiago, participou da transfiguração (cf Mt 17,1), mas dormiu como os outros, quando devia vigiar com o Mestre na hora da agonia(cf Mt 26,37). André, irmão de Pedro, identificou o menino que tinha consigo os cinco pães de cevada e os dois peixes que deram origem à fartura da multiplicação dos pães (cf Jo 6,9). Judas Iscariotes, não o Tadeu, foi o baluarte da traição (cf Jo 18, 1-11).

O Apóstolo São João, também evangelista, ao que tudo indica, era o mais jovem entre os apóstolos. Foi testemunha ocular, com Pedro e Tiago, da transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf Mt 17,1-9), de quem era o “discípulo amado”, segundo suas próprias palavras (cf Jo 19,26). Na hora da cruz, quando os outros apóstolos não estavam, ele marcava presença, ao lado da Virgem Maria, Nossa Senhora. O jovem João não se escondeu na hora da morte do amigo.
Nosso Senhor Jesus Cristo, minutos antes de morrer, confia ao apóstolo São João, o jovem, a missão de cuidar de sua Mãe e nossa. Pela lógica humana, Jesus  confiaria Maria aos cuidados de Pedro, o chefe, o mais determinado, o homem maduro. Mas não, Nosso Senhor Jesus Cristo confia o cuidado da Mãe de Deus ao mais jovem de seus apóstolos, a João, o discípulo amado, o que permaneceu diante da cruz com Ele.

A atitude de Nosso Senhor Jesus Cristo em relação a João, o jovem apóstolo, é profundamente sugestiva. Ele confia no jovem e coloca em seu coração a responsabilidade de cuidar de sua Mãe, Nossa Senhora. Ele não pensou em esperar que João se tornasse maduro, em um futuro, para confiar-lhe tão preciosa missão. O Mestre confiou no jovem apóstolo no presente. Nesta hora, para o Redentor, não contou a idade, mas o amor. João amava o Mestre de um modo diverso dos demais. Ao que muito amou, muito confiou!

São João foi também o escolhido por Nosso Senhor Jesus Cristo para preparar a ceia pascal (cf Jo 22, 7-13); juntamente com São Pedro e São Tiago, esteve mais perto de Nosso Senhor na hora de sua agonia no Getsêmani (cf Mc 14, 32-34).

Não gosto quando se diz que o jovem é o futuro da sociedade e da Igreja. Por quê ele é o futuro e não o presente? O jovem é parte constitutiva da Igreja, responde por ela já desde a sua mocidade, no presente. A afirmação usual esconde um preconceito em relação ao jovem, considerando-o imaturo e incapaz. Na Igreja, quem amadurece e capacita é  o Espírito Santo, e Ele realiza isto com o jovem, também com o adolescente e a criança. Basta olhar para a história do Povo de Deus.

 A ausência dos jovens, adolescentes e crianças nas instâncias eclesiais pode ser fruto de uma inconsciente manobra dos adultos e idosos que não querem abrir mão dos espaços conquistados ou se sentem incomodados e inseguros diante do novo que emerge com a infância e a juventude e que se traduz em questionamentos, observações e propostas que fogem do cotidiano estabelecido.

A relação de Nosso Senhor Jesus Cristo com o Apóstolo São João mostra-nos que não precisamos protelar a presença e a corresponsabilidade do jovem na Igreja.  Do mesmo modo como o Divino Mestre confiou ao jovem João missões importantes, não devemos temer integrar nossos jovens, no presente, na vida e na missão da Igreja.

Amplexo e gratidão aos jovens que conhecem, amam e seguem a Nosso Senhor Jesus Cristo e marcam presença em nossa Igreja Católica Apostólica Romana.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.

Um comentário:

  1. Um belo texto, contemporâneo, que apresenta todas as soluções dos questionamentos prementes.

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