sexta-feira, 22 de março de 2013

UM DOMINGO VERMELHO.


No dia vinte e quatro de março celebramos o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, o início da Semana Santa deste ano de 2013. Semana Santa é Semana Santa, não é feriado prolongado. Nós Católicos Apostólicos Romanos, onde quer que estejamos, somos convocados a celebrar o mistério central da nossa fé: a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na “Semana Maior”, não podemos e não devemos faltar às seguintes celebrações: Missa e Procissão no Domingo de Ramos;  Missa, trasladação e adoração ao Santíssimo Sacramento na Quinta Feira Santa; Ação Litúrgica na Sexta Feira Santa, com Leitura da Paixão, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística; Vigília Pascal na noite de Sábado Santo; Missa e Procissão no Domingo de Páscoa. Seria bom não esquecer de fazer uma boa confissão, acolher o perdão de Deus através do sacramento da penitência.

Nas cidades que são sedes de dioceses, temos a Missa do Crisma.  Em São José do Rio Preto, será na Catedral, às vinte horas, na noite de vinte e sete de março. Momento em que, durante a Santa Missa, os sacerdotes fazem a renovação das promessas sacerdotais e o bispo realiza a bênção dos óleos: do Crisma, usado no batismo, na crisma, nas ordenações sacerdotal e episcopal e na sagração dos altares e dedicação das igrejas; dos Catecúmenos, para a unção pré-batismal; dos Enfermos, para uso no sacramento da Unção dos Enfermos. É sempre uma significativa e bela celebração.

No domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, através da memória litúrgica, dois fatos são recordados e tornados presentes: a entrada “triunfal” de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém, quando chegou a hora de sua morte; e a  sua paixão, prisão, julgamento, crucifixão,  morte, descimento da cruz e sepultamento. Os dois fatos são recordados através da proclamação de dois textos dos evangelhos: um antes da Procissão de Ramos, que narra a chegada de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cidade Santa; e o outro, na Liturgia da Palavra, durante a celebração da Santa Missa, narrando as últimas horas da vida terrestre de Nosso Senhor.

As vestes usadas pelo presidente da celebração, no Domingo de Ramos, são vermelhas. Na Igreja Católica Apostólica Romana, a cor vermelha é usada na Solenidade de Pentecostes, mas também reservada para as festas dos mártires, isto é, daqueles que foram mortos, de forma bárbara, por causa de sua fé e de seu amor a Nosso Senhor Jesus Cristo. O vermelho remete ao sangue derramado pela fé. No Domingo de Ramos usa-se o vermelho para recordar a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, seu sangue derramado na cruz para a salvação dos pecadores, sangue purificador que faz de nós filhos e filhas de Deus, sangue santificador de cuja fonte brota o sangue dos mártires de todos os tempos e lugares.

Nosso Senhor Jesus Cristo tinha consciência clara da sua missão no mundo: salvar os pecadores, mostrando-lhes, com sua vida, o infinito amor de Deus. Ele sabia que a hora de sua morte havia chegado e que seria uma morte de salvação para todos. Com liberdade filial, Ele acolhe a vontade salvadora de Deus, abraça a cruz e a morte, única e exclusivamente por amor. A sua ressurreição é  a resposta afirmativa de Deus Pai ao sacrifício oferecido pelo Filho por nós.

O que celebramos no Domingo de Ramos reveste-se de alegria e dor, de solenidade e sublimidade. Não é uma alegria alegre, expressa pelo riso, nem fruto do humor. Mas uma alegria sóbria, transcendente, mais distante do que próxima da alegria corriqueira, quase impossível de descrevê-la. É a alegria dos filhos de Deus que experimentam o seu amor, a sua misericórdia e a sua compaixão, mesmo que para isso esteja presente o mistério da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Santa Semana Santa!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

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