quarta-feira, 20 de março de 2013

SÃO JOSÉ, SERVO BOM, FIEL E PRUDENTE.


(Homilia da Solenidade de São José, na Catedral de São José do Rio Preto, SP, em 19 de marços de 2013.)

INTRODUÇÃO:
Alegres com o Pontificado do Papa Francisco, iniciado há sete dias, em 13 de março, nos encontramos na Catedral,  nesta promissora cidade de São José do Rio Preto, celebrando a Solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa oração é de gratidão a Deus pela pessoa de São José na vida e missão da Igreja; agradecemos a Deus a contínua proteção concedida a nossa cidade pela intercessão de nosso padroeiro, ao longo dos seus cento e sessenta e um anos. Deus seja louvado!

UMA PROMESSA A DAVI
A promessa de Deus a Davi, que ouvimos na primeira leitura do Segundo Livro de Samuel, realiza-se sem dúvida, imediatamente, em Salomão. É também uma profecia que descortina o horizonte da salvação e aponta para Nosso Senhor Jesus Cristo, pois n’Ele Deus estabelece morada entre nós; n’Ele Deus se revela Pai e nos faz filhos seus; n’Ele ocorre a presença estável e definitiva, embora incompleta, do Mistério do Reino de Deus no mundo e na história.

Se a profecia da primeira leitura aponta para Nosso Senhor Jesus Cristo, a sua presença mundo  e na história conta com a humilde, significativa e vital contribuição de São José, seu “pai adotivo”.

NA LINHAGEM DE ABRAÃO
Na segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Romanos, o centro é a salvação pela fé, dom de Deus a todos. Para ilustrar a experiência da vida de fé, como confiança extremada em Deus, São Paulo recorre à pessoa do Patriarca Abraão, “pai de muitos povos”, “contra toda esperança ele firmou-se na esperança e na fé”.

À luz deste texto, aplicado a São José, a liturgia olha para o pai adotivo de Jesus como um dos patriarcas, o último, que une o antigo e o novo testamento, no limiar da realização da esperança salvadora. São José é compreendido como homem de fé, à semelhança de Abraão, ele crê na Palavra que Deus lhe dirige através dos sonhos. Ele crê e confia!

SÃO JOSÉ NA SAGRADA FAMÍLIA
O texto do evangelho proclamado, segundo São Mateus, mostra uma cena das origens da Sagrada Família: São José estava noivo de Nossa Senhora; diante da inusitada gravidez da Virgem Maria, São José pensa em afastar-se, pois não compreende o que está acontecendo; Deus intervém através de um anjo, explica a São José a obra do Divino Espírito Santo em Nossa Senhora e dá-lhe orientações para o que deve fazer. Tudo acontece em sonho. O último versículo sintetiza a natureza da pessoa e da ação de São José: “Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado.”

SÃO JOSÉ, SERVO BOM, FIEL E PRUDENTE.
Três adjetivos, retirados das antífonas da Missa de hoje, mostram bem o exemplo deixado por São José: homem bom, fiel e prudente. Bondade, fidelidade e prudência são virtudes humanas indispensáveis para a vida humana, cristã e social.

A bondade em São José é fruto da bondade divina, pois Nosso Senhor Jesus Cristo afirma: “Só Deus é bom, e mais ninguém”(Mc 10,18). Deus é bom! Ele revela e comunica-nos sua bondade em Nosso Senhor Jesus Cristo, o homem bom. N’Ele, em Nosso Senhor Jesus Cristo, podemos ser bons, somos capacitados a fazer atos de bondade. Por antecipação, por obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, a bondade de Deus encontra-se refletida em São José: ele é e faz o que deve ser e fazer de acordo com a vontade e o projeto de Deus.

São José é um homem fiel à vontade de Deus, mesmo quando ela não lhe é muito clara. “O Senhor teu Deus é o único Deus, um Deus fiel...”(Dt 7,9). “É fiel o Deus que vos chamou à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor”(1Cor 1, 9). Nosso Senhor Jesus Cristo é expressão da fidelidade de Deus, mesmo quando somos infiéis (cf 2Tm 2,13). São José bebe da fidelidade de Deus em Jesus Cristo; ele faz-se homem fiel no cumprimento da vontade de Deus, cooperando propositivamente para o bem da Sagrada Família, e assim, para a concretização da vontade salvadora de Deus para a humanidade.

Prudência é sinônimo de equilíbrio, fruto da busca do meio termo entre os extremos. A pessoa prudente é sensata, conjuga a vontade e a inteligência para discernir o que fazer e como fazer. Os grandes homens da Bíblia, patriarcas, profetas, reis e juízes, foram pessoas prudentes, uma prudência que nasceu do temor piedoso de Deus. É nesta linha que compreendemos a prudência em São José, capaz de discernir o que fazer em cada situação, levando em conta o que sente, mas sobretudo o que Deus lhe diz através dos anjos que lhe aparecem em sonho. São José nos ensina que prudente é o homem capaz de compreender e fazer a vontade de Deus.

COROLÁRIO
A Igreja, a sociedade e o mundo precisam de pessoas boas, fiéis e prudentes. Não de uma pseudo- bondade, pseudo-fidelidade e pseudo-justiça frutos da conveniência e ou do interesse privado ou de determinados setores públicos eclesiais e sociais.

Precisamos de pessoas boas, fiéis e prudentes que busquem a fonte destas virtudes em Deus, na vontade de Deus, na sua Palavra de Salvação, como fez São José ao longo de sua vida.

Se em Deus formos pessoas boas, fiéis e prudentes, São José do Rio Preto será melhor, o Brasil será melhor, o mundo será melhor.

Que São José, patrono de nossa cidade, plural e bela, nos ajude, com sua intercessão, a vivermos em Deus, e a exercermos a nossa profissão ou ofício buscando a bondade, a fidelidade e a prudência.

Que Nossa Senhora, aqui invocada com o título do Imaculado Coração de Maria, auxilie e sustente nossa esperança de salvação.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

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