quinta-feira, 14 de março de 2013

SÃO JOSÉ, ROGAI POR NÓS!



No dia dezenove de março, terça feira, a Igreja Católica Apostólica Romana celebra a solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e “pai adotivo” de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois foi escolhido por Deus para cuidar da vida terrena do Divino Salvador durante sua infância, adolescência e juventude. Ele é o padroeiro da cidade de São José do Rio Preto, uma jovem cidade de cento e sessenta e um anos. Contemplar a pessoa de São José é fonte de uma série de reflexões úteis para a vida cristã, mas também para a sociedade contemporânea.

São José é membro da Sagrada Família, onde é o último, contrariando a tradição da família patriarcal vétero-testamentária: primeiro, o Filho, Jesus Cristo, o protagonista ; depois, a mãe, a Virgem Maria, a serva do Senhor. Diante de uma pluralidade de tipos familiares, hoje mais acentuado que no passado, lembrar a pessoa de São José como membro da Sagrada Família é um exemplo profético. A presença do pai na constituição da família é um dado natural i.é compreendido pela Igreja Católica Apostólica Romana como expressão da genuína vontade de Deus, que deseja na formação de cada núcleo familiar a presença do pai.

A pessoa de São José está intimamente conectada com o período da vida oculta de Nosso Senhor Jesus Cristo na cidadela de Nazaré. O tempo da Sagrada Família no escondimento de Nazaré é expressão da cotidianidade da vida familiar: convivência dos genitores e filhos, vida doméstica, trabalho, lazer e educação. Gestos simples constitutivos da vida em família, vividos de modo extraordinário pela Sagrada Família sob a preciosa orientação de São José. Hoje, por força da sociedade, tem-se pouca vida familiar em casa, trocada pela creche, pela escola, pela universidade, trabalho e tantos outros imperativos que dificultam a convivência de pais e filhos em casa por um tempo mais prolongado. A amizade, também na família, pressupõe espaço comum e tempo condividido.

Na tradição da Igreja Católica Apostólica Romana, fundada na Sagrada Escritura, São José é o homem silencioso. Nos evangelhos, nos relatos da infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Sagrada Família é um homem sem palavras, mais do que Nossa Senhora. Palavras e imagens inundam nossa vida hodierna, uma poluição sonora e visual, deixando pouco ou nenhum espaço para o silêncio. Não há vida humana saudável e não é possível vida de fé madura e fecunda sem o silêncio. A vida e a experiência de fé incluem necessariamente tempos de silêncio, de clausura, de um saudável ostracismo e hibernação.

São José é o padroeiro dos trabalhadores. O trabalho dignifica a pessoa humana e não é só fonte de sustento da pessoa e da família. A pessoa de São José é associada ao trabalho em uma oficina de marcenaria, por isso é invocado como “São José Operário”. Há falta de oportunidade de trabalho para todos, muitos não conseguem ou não querem uma qualificação que lhes permita uma inserção no mercado de trabalho, outros ainda são submetidos a duras jornadas de trabalho ou a trabalho em regime de quase escravidão. Em muitas situações dá-se primazia ao trabalho em detrimento da pessoa humana. O trabalho é para o homem, mas não o homem para o trabalho.

Partilhamos alegria e gratidão com a cidade de São José do Rio Preto, nos seus cento e sessenta e um anos. Uma cidade é feita pela sua gente. Aqui encontramos gente valorosa, trabalhadora, honesta e bem intencionada, com coração aberto para Deus e para o próximo. Parabéns e amplexo ao bom povo de São José do Rio Preto.

Associo-me às autoridades civis e militares do município de São José do Rio Preto, somos servidores deste povo confiado aos nossos cuidados. Tenhamos diante de nós a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Bom Pastor, que Ele inspire o nosso relacionamento com a população e o serviço que a ela devemos prestar, por dever de ofício, mas iluminado pela fé, esperança e caridade.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.


Nenhum comentário:

Postar um comentário