quinta-feira, 28 de março de 2013

MISSA DO CRISMA: SOMOS CONSAGRADOS, UM POVO SACERDOTAL



INTRODUÇÃO:

Que bom e belo este encontro de filhos e irmãos, filiação divina e fraternidade eclesial, na Catedral da Diocese de São José do Rio Preto. Somos fiéis, leigos, religiosas, consagrados, diáconos, sacerdotes e bispo, vindos dos cinquenta municípios e noventa e oito paróquias desta Diocese, referência eclesial e social nas terras do noroeste do estado de São Paulo. Bem vindos! Obrigado!

SEGUNDA LEITURA: JESUS CRISTO FEZ DE NÓS UM REINO DE SACERDOTES PARA DEUS, SEU E NOSSO PAI.

Estonteante o texto do livro do Apocalipse que ouvimos, com magnífica apresentação dos mistérios de Nosso Senhor Jesus Cristo e de nossa vida de cristãos, seus amigos.

Nosso Senhor Jesus Cristo é apresentado como: a Testemunha fiel, o Primogênito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra, aquele que ama e lava nossos pecados com seu sangue, que faz de nós um reino de sacerdotes para Deus, o detentor da glória e do domínio pelos séculos dos séculos, aquele que virá com as nuvens e será visto por todos os olhos, até mesmo por aqueles que o levaram à morte, o Alfa e o ômega, Aquele que é, Aquele que era e Aquele que vem, o Todo poderoso.

E nós? Nós somos os consagrados pelo mistério da encarnação, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pela consagração somos constituídos em Povo de Deus, povo de amigos, povo sacerdotal, pois participantes de sua vida e seu mistério pelo batismo e pela crisma.

Segundo o profeta Isaías, nós, os fiéis “somos os sacerdotes do Senhor, ministros do nosso Deus.” Para viver nossa missão de batizados e crismados, nossa condição sacerdotal, para fazer acontecer o tempo da graça de Deus, “recebemos uma coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez do luto, o louvor, em lugar do desespero.”

O sinal externo de nossa consagração, obra de Deus Pai, em e por Nosso Senhor Jesus Cristo, no poder do Divino Espírito Santo, está nos óleos santos. Nesta noite, consagraremos os óleos do crisma, dos catecúmenos e dos enfermos que serão usados em nossas paróquias durante este ano de dois mil e treze, para assinalar a fronte,  o coração, as mãos e os pés dos filhos e filhas de Deus.

Óleo do crisma que presencializa o dom do Espírito Santo nos sacramentos do batismo, crisma e ordem. Óleo dos catecúmenos que potencializa o batizando na luta permanente contra o poder do mal e o maligno. Óleo dos enfermos que confere força e cura durante a provação da debilidade da doença que nos faz experimentar a fragilidade do humano.

Óleos abençoados que somente podem ser usados na administração dos sacramentos. Óleos abençoados que devem ser guardados em nossas igrejas, em local digno e quiçá visível, com uma proporcional consideração semelhante àquelas com que guardamos a Bíblia Sagrada e a Eucaristia.  

EVANGELHO E PRIMEIRA LEITURA: O ESPÍRITO DO SENHOR ME ENVIOU.

A nossa liturgia nesta noite é eminentemente pneumatológica, mostra a ação do Espírito Santo na unção dos profetas, na vida e missão de Nosso Senhor Jesus Cristo e na vida e ação pastoral da Igreja.

Enquanto a ação do Espírito Santo era externa nos profetas, em Nosso Senhor Jesus Cristo ocorre de outra forma, uma ação simbiótica: Ele é concebido pela ação do Espírito Santo; o Espírito Santo vem sobre Ele no batismo no rio Jordão; o Espírito Santo o conduz ao deserto; impulsionado pelo Espírito Santo ele volta à Galiléia, onde está Nazaré, que abriga a sinagoga, onde Ele abre, lê e explica a profecia de Isaias. Mais do que isso, apresenta-se como a realização da profecia: “Hoje realizou-se essa escritura que acabastes de ouvir”.

O evangelho e a primeira leitura nos fazem propor-nos algumas perguntas: hoje, onde nos encontramos, em cada uma das nossas cinquenta cidades, inúmeros distritos e centenas  de bairros, quem são e onde estão os empobrecidos?; os prisioneiros injustiçados?; os cegos?; os oprimidos?; os corações feridos?; os cativos necessitados de anistia e os aflitos?

Não basta identificá-los e saber onde estão. O mesmo Espírito Santo que ungiu os profetas e conduziu Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos consagrou no batismo, na crisma e na ordenação nos envia aos empobrecidos, aos injustiçados, aos cegos, aos oprimidos, aos de coração ferido, aos cativos que esperam por anistia e aos aflitos.

Devemos ir, não esperá-los, para levar-lhes Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Libertador e a libertação, o Salvador e a salvação, o Médico e a cura, o Consolador e a consolação, a Luz que ilumina as trevas, o Bálsamo que cura as feridas, o Justo, o Justificador e a justiça, o Santo, o Santificador e a fonte da santidade moral, a nossa santidade.

Assim, compreendemos o que pedimos na primeira oração desta missa: “Ó Deus, que ungistes o vosso Filho único com o Espírito Santo e o fizestes Cristo e Senhor, concedei que, participando de sua consagração, sejamos no mundo testemunhas da redenção que Ele nos trouxe.”

O SACERDOTE, SERVO DO MISTÉRIO.

Caros sacerdotes! Queridos padres, dirijo-me aos senhores neste momento. Abraço-os e osculo suas mãos ungidas e seus corações sacerdotais. Vocês são uma bênção de Deus, para a Igreja e para o mundo!

Tomo o texto do Prefácio de hoje, que tem a sabedoria em traduzir na concisão de poucas palavras a natureza e  a missão do sacerdócio ministerial, tão presente no contexto desta celebração Eucarística em que faremos a renovação das nossas promessas sacerdotais:

“(...) Ó Pai, Deus eterno e todo-poderoso, (...)
Pela Unção do Espírito Santo
Constituístes vosso Filho Unigênito
Pontífice da nova e eterna aliança,
E estabelecestes de modo admirável
Que o seu único sacerdócio se perpetuasse na Igreja.
Ele, na verdade, não só enriquece com um sacerdócio real o povo que conquistou,
Mas com bondade fraterna escolhe homens
Que, pela imposição das mãos,
Tomem parte em seu ministério sagrado.
Em nome de Cristo renovem eles para nós
O sacrifício da redenção humana,
Servindo aos vossos filhos o banquete da Páscoa.
E, indo à frente do vosso povo na caridade,
Com vossa palavra o alimentem
E com os sacramentos o restaurem.
E, dando a vida por vós e pela salvação de seus irmãos,
Procurem assemelhar-se cada vez mais ao próprio Cristo,
Testemunhas constantes de fidelidade e amor para convosco.”

Queridos sacerdotes, meus padres, eu os venero, sejam os senhores santos ou pecadores, pois são servos do Mistério, servidores do Mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo, escolhidos, consagrados e doados por ele a nós, os seus amigos, seu povo sacerdotal, a sua Igreja. Deus lhes pague! Muito obrigado!

CONCLUSÃO:

Caros filhos e queridas filhas, amores de minha vida, oxalá possamos realizar em nossa vida o que pediremos a Deus na última oração desta missa: “Que sejamos por toda parte o bom odor do Cristo.”

Que Nossa Senhora das Dores, com seu coração ferido pela dor, nos ajude a viver o Tríduo Pascal de seu Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo com o seu olhar e o seu coração.

Abençoado Tríduo Pascal a você! Santa Páscoa!

Convido-os a alguns instantes de silêncio, para sermos provocados por quatro pontos:
1.0 Onde estão os nossos jovens crismados? Quando vamos buscar os jovens não crismados para serem ungidos pelo Divino Espírito Santo?

2.0 Quantas vezes ao ano visitamos os nossos doentes e enfermos? Chamamos os sacerdotes para ungirem os enfermos e doentes?

3.0 Trabalhamos para promover novas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias? Que ajuda eu ofereço aos vocacionados e aos seminários da nossa Diocese?

4.0 Que podemos fazer para reconduzir à vida de fé os batizados que se encontram distanciados? Não devemos pensar em um catecumenato para os batizados, ajudando-os na recuperação da vida de fé?


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP

Um comentário:

  1. Querido amigo Tomé
    (Bom, minha mãe e meu pai podem reclamar até cansarem, mas não tem jeito mesmo d´eu te chamar de "Dom").

    Espero que esteja feliz em Rio Preto. Meu cunhado, Charles, marido da Taninha (Maria do Carmo), foi quem me avisou da missa sendo transmitida pela Rede Vida quando assumiu a diocese aí. Fica relativamente perto de Ribeirão Preto. Estamos sem bispo há algum tempo. Podia vir aqui dar "expediente duplo" - risos. De qualquer forma, gostaríamos, Patricia e eu, de recebê-lo em nossa casa. Ano que vem faremos 20 anos de casado, Seria muita felicidade ter você e padre Gil, aqui da Igreja Nossa Senhora dos Anjos, celebrando uma missa por nós.

    Abraços e fique com Deus!!!

    Fernando Bueno
    (fernando.bueno@milagredoverbo.com.br)

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