quinta-feira, 28 de março de 2013

MISSA DO CRISMA: SOMOS CONSAGRADOS, UM POVO SACERDOTAL



INTRODUÇÃO:

Que bom e belo este encontro de filhos e irmãos, filiação divina e fraternidade eclesial, na Catedral da Diocese de São José do Rio Preto. Somos fiéis, leigos, religiosas, consagrados, diáconos, sacerdotes e bispo, vindos dos cinquenta municípios e noventa e oito paróquias desta Diocese, referência eclesial e social nas terras do noroeste do estado de São Paulo. Bem vindos! Obrigado!

SEGUNDA LEITURA: JESUS CRISTO FEZ DE NÓS UM REINO DE SACERDOTES PARA DEUS, SEU E NOSSO PAI.

Estonteante o texto do livro do Apocalipse que ouvimos, com magnífica apresentação dos mistérios de Nosso Senhor Jesus Cristo e de nossa vida de cristãos, seus amigos.

Nosso Senhor Jesus Cristo é apresentado como: a Testemunha fiel, o Primogênito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra, aquele que ama e lava nossos pecados com seu sangue, que faz de nós um reino de sacerdotes para Deus, o detentor da glória e do domínio pelos séculos dos séculos, aquele que virá com as nuvens e será visto por todos os olhos, até mesmo por aqueles que o levaram à morte, o Alfa e o ômega, Aquele que é, Aquele que era e Aquele que vem, o Todo poderoso.

E nós? Nós somos os consagrados pelo mistério da encarnação, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pela consagração somos constituídos em Povo de Deus, povo de amigos, povo sacerdotal, pois participantes de sua vida e seu mistério pelo batismo e pela crisma.

Segundo o profeta Isaías, nós, os fiéis “somos os sacerdotes do Senhor, ministros do nosso Deus.” Para viver nossa missão de batizados e crismados, nossa condição sacerdotal, para fazer acontecer o tempo da graça de Deus, “recebemos uma coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez do luto, o louvor, em lugar do desespero.”

O sinal externo de nossa consagração, obra de Deus Pai, em e por Nosso Senhor Jesus Cristo, no poder do Divino Espírito Santo, está nos óleos santos. Nesta noite, consagraremos os óleos do crisma, dos catecúmenos e dos enfermos que serão usados em nossas paróquias durante este ano de dois mil e treze, para assinalar a fronte,  o coração, as mãos e os pés dos filhos e filhas de Deus.

Óleo do crisma que presencializa o dom do Espírito Santo nos sacramentos do batismo, crisma e ordem. Óleo dos catecúmenos que potencializa o batizando na luta permanente contra o poder do mal e o maligno. Óleo dos enfermos que confere força e cura durante a provação da debilidade da doença que nos faz experimentar a fragilidade do humano.

Óleos abençoados que somente podem ser usados na administração dos sacramentos. Óleos abençoados que devem ser guardados em nossas igrejas, em local digno e quiçá visível, com uma proporcional consideração semelhante àquelas com que guardamos a Bíblia Sagrada e a Eucaristia.  

EVANGELHO E PRIMEIRA LEITURA: O ESPÍRITO DO SENHOR ME ENVIOU.

A nossa liturgia nesta noite é eminentemente pneumatológica, mostra a ação do Espírito Santo na unção dos profetas, na vida e missão de Nosso Senhor Jesus Cristo e na vida e ação pastoral da Igreja.

Enquanto a ação do Espírito Santo era externa nos profetas, em Nosso Senhor Jesus Cristo ocorre de outra forma, uma ação simbiótica: Ele é concebido pela ação do Espírito Santo; o Espírito Santo vem sobre Ele no batismo no rio Jordão; o Espírito Santo o conduz ao deserto; impulsionado pelo Espírito Santo ele volta à Galiléia, onde está Nazaré, que abriga a sinagoga, onde Ele abre, lê e explica a profecia de Isaias. Mais do que isso, apresenta-se como a realização da profecia: “Hoje realizou-se essa escritura que acabastes de ouvir”.

O evangelho e a primeira leitura nos fazem propor-nos algumas perguntas: hoje, onde nos encontramos, em cada uma das nossas cinquenta cidades, inúmeros distritos e centenas  de bairros, quem são e onde estão os empobrecidos?; os prisioneiros injustiçados?; os cegos?; os oprimidos?; os corações feridos?; os cativos necessitados de anistia e os aflitos?

Não basta identificá-los e saber onde estão. O mesmo Espírito Santo que ungiu os profetas e conduziu Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos consagrou no batismo, na crisma e na ordenação nos envia aos empobrecidos, aos injustiçados, aos cegos, aos oprimidos, aos de coração ferido, aos cativos que esperam por anistia e aos aflitos.

Devemos ir, não esperá-los, para levar-lhes Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Libertador e a libertação, o Salvador e a salvação, o Médico e a cura, o Consolador e a consolação, a Luz que ilumina as trevas, o Bálsamo que cura as feridas, o Justo, o Justificador e a justiça, o Santo, o Santificador e a fonte da santidade moral, a nossa santidade.

Assim, compreendemos o que pedimos na primeira oração desta missa: “Ó Deus, que ungistes o vosso Filho único com o Espírito Santo e o fizestes Cristo e Senhor, concedei que, participando de sua consagração, sejamos no mundo testemunhas da redenção que Ele nos trouxe.”

O SACERDOTE, SERVO DO MISTÉRIO.

Caros sacerdotes! Queridos padres, dirijo-me aos senhores neste momento. Abraço-os e osculo suas mãos ungidas e seus corações sacerdotais. Vocês são uma bênção de Deus, para a Igreja e para o mundo!

Tomo o texto do Prefácio de hoje, que tem a sabedoria em traduzir na concisão de poucas palavras a natureza e  a missão do sacerdócio ministerial, tão presente no contexto desta celebração Eucarística em que faremos a renovação das nossas promessas sacerdotais:

“(...) Ó Pai, Deus eterno e todo-poderoso, (...)
Pela Unção do Espírito Santo
Constituístes vosso Filho Unigênito
Pontífice da nova e eterna aliança,
E estabelecestes de modo admirável
Que o seu único sacerdócio se perpetuasse na Igreja.
Ele, na verdade, não só enriquece com um sacerdócio real o povo que conquistou,
Mas com bondade fraterna escolhe homens
Que, pela imposição das mãos,
Tomem parte em seu ministério sagrado.
Em nome de Cristo renovem eles para nós
O sacrifício da redenção humana,
Servindo aos vossos filhos o banquete da Páscoa.
E, indo à frente do vosso povo na caridade,
Com vossa palavra o alimentem
E com os sacramentos o restaurem.
E, dando a vida por vós e pela salvação de seus irmãos,
Procurem assemelhar-se cada vez mais ao próprio Cristo,
Testemunhas constantes de fidelidade e amor para convosco.”

Queridos sacerdotes, meus padres, eu os venero, sejam os senhores santos ou pecadores, pois são servos do Mistério, servidores do Mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo, escolhidos, consagrados e doados por ele a nós, os seus amigos, seu povo sacerdotal, a sua Igreja. Deus lhes pague! Muito obrigado!

CONCLUSÃO:

Caros filhos e queridas filhas, amores de minha vida, oxalá possamos realizar em nossa vida o que pediremos a Deus na última oração desta missa: “Que sejamos por toda parte o bom odor do Cristo.”

Que Nossa Senhora das Dores, com seu coração ferido pela dor, nos ajude a viver o Tríduo Pascal de seu Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo com o seu olhar e o seu coração.

Abençoado Tríduo Pascal a você! Santa Páscoa!

Convido-os a alguns instantes de silêncio, para sermos provocados por quatro pontos:
1.0 Onde estão os nossos jovens crismados? Quando vamos buscar os jovens não crismados para serem ungidos pelo Divino Espírito Santo?

2.0 Quantas vezes ao ano visitamos os nossos doentes e enfermos? Chamamos os sacerdotes para ungirem os enfermos e doentes?

3.0 Trabalhamos para promover novas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias? Que ajuda eu ofereço aos vocacionados e aos seminários da nossa Diocese?

4.0 Que podemos fazer para reconduzir à vida de fé os batizados que se encontram distanciados? Não devemos pensar em um catecumenato para os batizados, ajudando-os na recuperação da vida de fé?


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP

segunda-feira, 25 de março de 2013

Missa de Domingo de Ramos na Catedral de São José do Rio Preto








Missa na Paróquia São João Batista - Nhandeara/SP




CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOTA DO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA A RESPEITO DO ABORTO


Causou surpresa à sociedade brasileira a decisão tomada pelo Conselho Federal de Medicina, durante o I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina, favorável à interrupção da gravidez até a 12ª semana, como prevê a proposta do novo Código Penal, em discussão no Senado Federal. As imediatas reações contrárias a esse posicionamento demonstram a preocupação dos que defendem a vida humana desde sua concepção até a morte natural. Merece, por isso, algumas considerações.

O drama vivido pela mulher por causa de uma gravidez indesejada ou por circunstâncias que lhe dificultam sustentar a gravidez pode levá-la ao desespero e à dolorosa decisão de abortar. No entanto, é um equívoco pensar que o aborto seja a solução.

Nossa civilização foi construída apostando não na morte, mas na vitória sobre a morte. Por isso a Igreja criou hospitais, leprosários, casas para acolher deficientes físicos e psíquicos. Recorde-se, em época recente, a figura das Bem-aventuradas Madre Teresa de Calcutá e Irmã Dulce dos pobres, bem como os milhares de pessoas que, quotidianamente, se dedicam a defender e promover a vida humana e sua dignidade.

As constituições dos principais países ocidentais apresentam uma perspectiva claramente favorável à vida. A Constituição Federal do Brasil, em seu artigo 1º, afirma que a República Federativa do Brasil tem como um de seus fundamentos a dignidade da pessoa humana. E, no seu artigo 5º, garante a inviolabilidade do direito à vida.

Ajuda a evitar o aborto a implantação de políticas públicas que criem formas de amparo às mulheres grávidas nas mais variadas situações de vulnerabilidade e de alto risco, de tal modo que cada mulher, mesmo em situações de grande fragilidade, possa dar à luz seu bebê. Esta solução é a melhor tanto para a criança, que tem sua vida preservada, quanto para a mulher, que fica realizada quando consegue ter condições para levar a gravidez até o fim, evitando o drama e o trauma do aborto.

O Conselho Federal de Medicina ao se manifestar favorável ao aborto até 12 semanas parece não ter levado em consideração todos os fatores que entram em jogo nas situações que se pretendem enfrentar. Sua decisão, que não contou com a unanimidade dos Conselhos Regionais, deixa uma mensagem inequívoca: quando alguém atrapalha, pode ser eliminado.

Para justificar sua posição, o CFM evoca a autonomia da mulher e do médico, ignorando completamente a criança em gestação. Esta não é um amontoado de células sem maior significado, mas um ser humano com uma identidade biológica bem definida; com um código genético próprio, diferente do DNA da mãe. Amparado no ventre materno, o nascituro não constitui um pedaço do corpo de sua genitora, mas é um ser humano vivo com sua individualidade. A esse respeito convergem declarações de geneticistas e biomédicos.

Todos esses fatores precisam ser considerados no complexo debate sobre o aborto, reconhecendo os direitos do nascituro, dentre os quais o direito inviolável à vida que vem em primeiro lugar.

Que os legisladores sejam capazes de considerar melhor todos os aspectos da questão em pauta e que seja possível um diálogo efetivo, com abertura para alargar o uso da razão. O uso apropriado da mesma não descartaria nenhum fator, reconhecendo os direitos do nascituro, o primeiro deles, o direito inviolável à vida. Deste modo, será possível legislar em favor do verdadeiro bem das mulheres e dos nascituros, e se consolidará o Estado democrático, republicano e laico, que tanto desejamos.



+ João Carlos Petrini
Bispo de Camaçari-BA
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família/CNBB

sexta-feira, 22 de março de 2013

UM DOMINGO VERMELHO.


No dia vinte e quatro de março celebramos o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, o início da Semana Santa deste ano de 2013. Semana Santa é Semana Santa, não é feriado prolongado. Nós Católicos Apostólicos Romanos, onde quer que estejamos, somos convocados a celebrar o mistério central da nossa fé: a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na “Semana Maior”, não podemos e não devemos faltar às seguintes celebrações: Missa e Procissão no Domingo de Ramos;  Missa, trasladação e adoração ao Santíssimo Sacramento na Quinta Feira Santa; Ação Litúrgica na Sexta Feira Santa, com Leitura da Paixão, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística; Vigília Pascal na noite de Sábado Santo; Missa e Procissão no Domingo de Páscoa. Seria bom não esquecer de fazer uma boa confissão, acolher o perdão de Deus através do sacramento da penitência.

Nas cidades que são sedes de dioceses, temos a Missa do Crisma.  Em São José do Rio Preto, será na Catedral, às vinte horas, na noite de vinte e sete de março. Momento em que, durante a Santa Missa, os sacerdotes fazem a renovação das promessas sacerdotais e o bispo realiza a bênção dos óleos: do Crisma, usado no batismo, na crisma, nas ordenações sacerdotal e episcopal e na sagração dos altares e dedicação das igrejas; dos Catecúmenos, para a unção pré-batismal; dos Enfermos, para uso no sacramento da Unção dos Enfermos. É sempre uma significativa e bela celebração.

No domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, através da memória litúrgica, dois fatos são recordados e tornados presentes: a entrada “triunfal” de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém, quando chegou a hora de sua morte; e a  sua paixão, prisão, julgamento, crucifixão,  morte, descimento da cruz e sepultamento. Os dois fatos são recordados através da proclamação de dois textos dos evangelhos: um antes da Procissão de Ramos, que narra a chegada de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cidade Santa; e o outro, na Liturgia da Palavra, durante a celebração da Santa Missa, narrando as últimas horas da vida terrestre de Nosso Senhor.

As vestes usadas pelo presidente da celebração, no Domingo de Ramos, são vermelhas. Na Igreja Católica Apostólica Romana, a cor vermelha é usada na Solenidade de Pentecostes, mas também reservada para as festas dos mártires, isto é, daqueles que foram mortos, de forma bárbara, por causa de sua fé e de seu amor a Nosso Senhor Jesus Cristo. O vermelho remete ao sangue derramado pela fé. No Domingo de Ramos usa-se o vermelho para recordar a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, seu sangue derramado na cruz para a salvação dos pecadores, sangue purificador que faz de nós filhos e filhas de Deus, sangue santificador de cuja fonte brota o sangue dos mártires de todos os tempos e lugares.

Nosso Senhor Jesus Cristo tinha consciência clara da sua missão no mundo: salvar os pecadores, mostrando-lhes, com sua vida, o infinito amor de Deus. Ele sabia que a hora de sua morte havia chegado e que seria uma morte de salvação para todos. Com liberdade filial, Ele acolhe a vontade salvadora de Deus, abraça a cruz e a morte, única e exclusivamente por amor. A sua ressurreição é  a resposta afirmativa de Deus Pai ao sacrifício oferecido pelo Filho por nós.

O que celebramos no Domingo de Ramos reveste-se de alegria e dor, de solenidade e sublimidade. Não é uma alegria alegre, expressa pelo riso, nem fruto do humor. Mas uma alegria sóbria, transcendente, mais distante do que próxima da alegria corriqueira, quase impossível de descrevê-la. É a alegria dos filhos de Deus que experimentam o seu amor, a sua misericórdia e a sua compaixão, mesmo que para isso esteja presente o mistério da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Santa Semana Santa!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

19/03/2013 - Missa Missa do dia de São José na cidade de Adolfo/SP







18/03/2013 Missa na Capela São José em Junqueira








17/03/2013 Missa na Paróquia Santa Luzia na cidade de Mirassol/SP





quinta-feira, 21 de março de 2013

A CENTRALIDADE DE JESUS CRISTO NA VIDA DOS FIÉIS CONSAGRADOS E ORDENADOS, CHAMADOS À RESSURREIÇÃO.

Manhã de espiritualidade, na quaresma, com os sacerdotes, diáconos e religiosas na Diocese de São José do Rio Preto, em 21 de Março de 2013


INTRODUÇÃO:
Vejo como sinal profético o singelo gesto de nos dirigirmos à Catedral da Diocese, em plena manhã de quinta feira da Semana das Dores de Nossa Senhora. Uma manhã de espiritualidade na quaresma, interrompendo os afazeres, por mais importantes que sejam, quando já divisamos no horizonte a proximidade do Tríduo Pascal. São bem-vindos a esta Igreja,  mãe das igrejas da diocese.

Nossa manhã de oração, é uma resposta à proposta da oração que recebemos de Nosso Senhor Jesus Cristo na quarta feira de cinzas, amparada pela caridade e pelo jejum. Hoje  rezamos juntos: consagrados, diáconos, padres e bispo, bela expressão da comunhão eclesial.

Na vida religiosa, diaconal, sacerdotal e episcopal nenhuma tarefa é tão ou mais importante que o tempo bom e justo dedicado à oração.

Rezar com a Igreja e pela Igreja, não é uma possibilidade para nós como o é para os demais fiéis. É uma missão assumida no dia de nossos votos e de nossa ordenação sacerdotal, diaconal ou episcopal, diante de Deus e da Igreja. Rezar para nós é ofício, “é como se tivéssemos sido contratados para isto.”

Se rezar é uma promessa que fizemos, quebrá-la é coisa séria diante de Deus e da Igreja. Nos diz Nosso Senhor Jesus Cristo: “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não”(   ). O Povo de Deus tem direito à nossa oração diária e de qualidade em sua intenção, rezar com eles, mas também rezar por eles. Rezar para nós é um ministério, um serviço a ser prestado.  O tempo bom e justo que dedicamos à oração não é perda de tempo, mas precioso investimento em benefício do Povo de Deus, em nosso próprio e para a eficiência do nosso ministério e consagração.

Escolhi como inspiração para nossa meditação nesta oração o texto de Fl 3,8-14. Aliás, texto que ouvimos na celebração da Missa no domingo passado, 17 de março.

O CONTEXTO.
Em Filipos São Paulo fundou a “sua”primeira comunidade na Europa, durante sua segunda viagem, por volta do ano 50 (cf At 16, 11-40). Ao escrever esta carta ele se encontra no cativeiro, provavelmente em Éfeso, por volta do ano 55. Os filipenses desejam saber notícias de São Paulo e de sua real situação como prisioneiro em Éfeso (cf 1Cor 15,32; 2Cor 1, 8-10; 11, 22-23).

A carta  responde a três objetivos: oferecer as informações desejadas pelos cristãos de Filipos sobre sua situação de prisioneiro em Éfeso; agradecer a doação que havia recebido dos filipenses enviada através de Epafrodito; censurar os falsos mestres que atormentavam a comunidade, propondo volta a costumes judaizantes, isto é a confiança na Lei, em menosprezo à fé.

No capítulo terceiro, de onde é extraído a nossa perícope, encontramos dura crítica aos falsos mestres que desejavam reintroduzir entre os cristãos elementos do judaísmo, que Paulo considera superados pela nova realidade em Cristo.

Nos versículos que antecedem os que ouvimos, São Paulo enumera alguns elementos de sua vida como judeu, e, diga-se de passagem, de um bom judeu.

“Bem que eu poderia pôr minha confiança na carne. Se algum outro pensa que pode confiar na carne, eu mais ainda: fui circuncidado no oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus; quanto à observância da Lei, fariseu; no tocante ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça que vem da Lei, irrepreensível. Mas essas coisas, que eram ganhos para mim, considerei-as prejuízo por causa de Cristo”(Fl 3, 4-7).

A auto-descrição que São Paulo realiza de si mesmo, faz-me lembrar o “jovem rico” do evangelho. São duas pessoas, diríamos, “perfeitas”. Porém, Paulo realiza justamente o que o jovem rico parece não ter feito, ABANDONAR TUDO PELO REINO DO CÉU.

OLHANDO O TEXTO.
1. A META/O ESCOPO:
a. “para ver se eu alcanço  a ressurreição de entre os mortos”(11)
b. “prossigo para o alvo, para o prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus”(14)

A meta desejada por São Paulo é soteriológica e escatológica: a vocação do alto, que nasce de Deus, através de Nosso Senhor Jesus Cristo, é a ressurreição dos mortos. É este o seu desejo, não só para si, mas para todos, também para os cristãos de Filipos: a ressurreição, é o desejo final, o “prêmio” a ser alcançado por graça de Deus.

Para o fiel cristão, ordenado, consagrado ou leigo, antes de tudo e depois de tudo, a realidade primeira e final é a ressurreição dos mortos. Como Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou, ressuscitaremos também nós. É o que professamos no Credo: “creio na ressurreição da carne e na vida eterna”.

Ressuscitar é esperança, a primeira e última esperança. São belas as palavras que lemos na Carta aos Hebreus: “...encontramos profunda consolação, nós que tudo deixamos para conseguir a esperança proposta. A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da vida, segura e firme, penetrando para além da cortina do santuário, aonde Jesus entrou por nós, como precursor, feito sumo sacerdote eterno na ordem de Melquisedec”(Hb 6, 18-20).

Desejar o céu, ressuscitar para a vida, tudo fazer para chegar lá, embora sabendo que nos é dado e não conquistado, é determinante para o nosso modo de ser e agir como batizados, consagrados e ministros ordenados.

2. A JUSTIÇA DE DEUS.
Ressuscitar com Cristo não é obra das obras, ou da Lei: “não tendo a justiça da Lei, mas a justiça que vem de Deus, apoiada na fé”(9). A ressurreição é dom de Deus a ser acolhido na fé. A ressurreição não é pagamento ou prêmio por uma vida de obras boas. Não que estas não sejam importantes, mas elas não compram ou não funcionam como moeda de troca para a ressurreição. As obras confirmam a nossa fé, expressam a fé, ilustram a fé, mas não podem obscurecer o que é próprio de Deus, o seu amor salvador doado gratuitamente aos filhos e filhas, seus amigos, em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Encontramos na Carta aos Romanos: “Agora, sem depender da Lei, a justiça de Deus se manifestou, atestada pela Lei e pelos Profetas, justiça de Deus que se realiza mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há diferença: todos pecaram e estão privados da glória de Deus. E só podem ser justificados gratuitamente, pela graça de Deus, em virtude da redenção no Cristo Jesus. É Ele que Deus destinou a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a fé. (...) Deus demonstra sua justiça, no tempo presente, a fim de ser justo, e tornar justo todo aquele que se firma na fé em Jesus. (...) Pois julgamos que a pessoa é justificada pela fé, sem a prática da Lei.”(Rm 3, 21-31)

3. A CENTRALIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.
São magistrais as palavras de São Paulo:
a. “Tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”( 8 ).
b. “Por ele eu perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele” ( 9 ).

Não se trata aqui de um conhecimento informativo, mas performativo de Jesus Cristo, acolhido como Senhor. Somente quando ele é acolhido como Senhor, sou capaz de perder tudo, ou ter tudo como esterco, para tê-lo somente, tê-lo como o único tesouro.

O conhecimento performativo é o conhecimento existencial, da pessoa apaixonada, capaz de loucuras pelo amor. Como São Francisco de Assis volta à moda, sem nunca ter saído,  com o Papa Francisco, n’ele, em São Francisco, temos o exemplo de conhecimento performativo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

É o senhorio de Nosso Senhor Jesus Cristo que determina a cada fiel o que é esterco e deve ser abandonado. Abandonar para ter a Cristo. Mas também abandonar para ser achado em Cristo. Nós o chamamos de “Nosso Senhor”, mas não o admitimos como “meu Senhor”. E quando Ele não é meu Senhor, as pessoas que se aproximam de mim, não me encontram em Cristo, gerando decepção, apatia religiosa, desorientação.

Se na minha vida de fé, de consagrado e ou de ministro ordenado, também no meu ofício, não sou encontrado em Cristo, sou como nuvem sem chuva. Reina o vazio em mim e onde me encontro. E as pessoas irão a outras pessoas, a outros lugares, onde possam encontrar a Jesus Cristo.

4. A PRECEDÊNCIA DA AÇÃO DA GRAÇA DE DEUS.
Antes de darmos o primeiro passo, ou qualquer passo, já atua em nós o Espírito Santo de Deus. D’Ele é a iniciativa e o protagonismo da vida de fé e de salvação.

Veja o que disse São Paulo:

a. “(...) tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele”( 9 );

b. “pois que também já fui alcançado por Cristo Jesus” ( 12 ).

Esta mesma experiência foi feita por Santo Agostinho e cujo relato encontramos na sua obra “As confissões”.

Deus age antes de nossa consciência e nossos passos. Antes de achá-lo, já fui achado por Ele. Antes de alcançá-lo, já fui alcançado por Ele. E porque somos achados e alcançados por Ele, podemos fazer a nossa parte, parte que é resposta a uma proposta da Graça, resposta que se constrói, consolida e se realiza na Graça.

5. O DRAMA DA VIDA CRISTÃ.

A vida cristã é o drama do já e do ainda não, presença e ausência, certeza e esperança. Este drama produz uma sadia angústia, o sentimento do exilado, uma angústia existencial e necessária, pois somos cidadãos do céu e estamos aqui. Segundo Kierkegaard, esta angústia é necessária para a autenticidade da fé.

Estamos no tempo e desejamos a eternidade. Somos mortais e desejamos a imortalidade. Estamos morrendo e esperamos a ressurreição. Como desejamos o que não conhecemos? Se desejamos a eternidade, a imortalidade e a ressurreição, é porque de algum modo as experimentamos. E as experimentamos em Cristo, através da ação do Espírito Santo.  Por isso, podemos exclamar como os exilados na Babilônia: “ sentados à beira dos rios da babilônia, choramos de saudades de Sião.” Sem ter ido ao céu, temos saudade do céu!

São Paulo traduz assim esta realidade: “Não que eu já o tenha alcançado ou que já seja perfeito, mas vou prosseguindo para ver se o alcanço(...)”( 12 ).

6. A TAREFA DO PRESENTE.
O que devo fazer no presente? “ (...) mas vou prosseguindo para ver se o alcanço”(12). Não alcancei ainda. Ainda não sou perfeito. Alcançar é deixar ser alcançado. Prosseguir é deixar-se conduzir pelo Espírito que sopra onde, quando e como quer.

“E isso para que eu possa conhecê-lo, conhecer o poder da sua ressurreição e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se eu alcanço a ressurreição de entre os mortos”( 11s ). CONFORMANDO-ME COM ELE NA SUA MORTE.

Bradou firme o Papa Francisco em um dos seus primeiros pronunciamentos: Não há Jesus Cristo sem cruz. Podemos acrescentar, não há ressurreição sem a morte. Não é possível saltar o morrer cotidiano e chegar sem a sua mediação à ressurreição. Não há vida episcopal, sacerdotal, diaconal e religiosa sem o Crucificado e sem a cruz.

Temos medo do Crucificado. Não queremos contemplá-lo, nem mesmo vê-lo, por isso o suprimimos, e os seus sinais, das nossas casas, do nosso próprio corpo e até mesmo de nossas igrejas e espaços. Que discrepância entrar nas igrejas e nos espaços eclesiais e não encontrar a sublimidade do crucificado. Doce e pecadora ilusão que tentamos passar também para os fiéis, como se já tivéssemos realizado a esperança.

Enquanto se luta para que a imagem do crucificado não desapareça  dos espaços públicos, nos espaços eclesiais, salas, salões, galpões, escolas, hospitais, obras sociais, ele já não mais está, ou está escondido, ou jogado num canto, ou em deterioração  mostrando tragicamente como deteriorada pode estar a fé.

Enquanto peregrinamos, na história e na Igreja Militante, o drama é o da cruz;  para nós a ressurreição é esperança. Não podemos substituir o drama da cruz pela ressurreição enquanto esperança. Seria ignorar nossa realidade e nossa condição.

O tempo da vida é o tempo de morrer.  Viver para morrer. Morrer para viver. É esta a santidade ativa que Deus espera de nós, como seus filhos e filhas, seus consagrados e seus ministros.

PROPOSIÇÕES PARA O EXAME DE CONSCIÊNCIA:

1. Estou vivendo esta quaresma no amor a Deus e ao próximo?

2. Que empenho pessoal tenho colocado no jejum, na penitência, na oração e na caridade, ao longo destas cinco semanas da quaresma?

3. A minha vida está assentada solidamente na fé? Eu vivo da fé? Eu vivo para a fé?

4. Eu creio e acolho Nosso Senhor Jesus Cristo como Senhor da minha vida e da minha ação pastoral?

5. Tenho consciência da precedência de Deus e da sua graça na minha vida, no meu ministério e no meu ofício?

6. Que posturas, coisas, hábitos, modos de ser e agir que preciso abandonar como estercos?

7. Eu creio no céu? Espero o céu? Busco o céu?

8. Eu creio na ressurreição dos mortos? Eu quero chegar lá? Tudo faço para alcançar esta meta?

9. Tenho abraçado a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo? Tenho morrido com Ele para viver com Ele?

10. Como tenho vivido os votos de pobreza, obediência e castidade? Como tenho vivido os meus compromissos como bispo, padre e diácono?

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dia do Padroeiro da Cidade — Fotos da Missa na Catedral de São José do Rio Preto em 19/03/2013








SÃO JOSÉ, SERVO BOM, FIEL E PRUDENTE.


(Homilia da Solenidade de São José, na Catedral de São José do Rio Preto, SP, em 19 de marços de 2013.)

INTRODUÇÃO:
Alegres com o Pontificado do Papa Francisco, iniciado há sete dias, em 13 de março, nos encontramos na Catedral,  nesta promissora cidade de São José do Rio Preto, celebrando a Solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa oração é de gratidão a Deus pela pessoa de São José na vida e missão da Igreja; agradecemos a Deus a contínua proteção concedida a nossa cidade pela intercessão de nosso padroeiro, ao longo dos seus cento e sessenta e um anos. Deus seja louvado!

UMA PROMESSA A DAVI
A promessa de Deus a Davi, que ouvimos na primeira leitura do Segundo Livro de Samuel, realiza-se sem dúvida, imediatamente, em Salomão. É também uma profecia que descortina o horizonte da salvação e aponta para Nosso Senhor Jesus Cristo, pois n’Ele Deus estabelece morada entre nós; n’Ele Deus se revela Pai e nos faz filhos seus; n’Ele ocorre a presença estável e definitiva, embora incompleta, do Mistério do Reino de Deus no mundo e na história.

Se a profecia da primeira leitura aponta para Nosso Senhor Jesus Cristo, a sua presença mundo  e na história conta com a humilde, significativa e vital contribuição de São José, seu “pai adotivo”.

NA LINHAGEM DE ABRAÃO
Na segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Romanos, o centro é a salvação pela fé, dom de Deus a todos. Para ilustrar a experiência da vida de fé, como confiança extremada em Deus, São Paulo recorre à pessoa do Patriarca Abraão, “pai de muitos povos”, “contra toda esperança ele firmou-se na esperança e na fé”.

À luz deste texto, aplicado a São José, a liturgia olha para o pai adotivo de Jesus como um dos patriarcas, o último, que une o antigo e o novo testamento, no limiar da realização da esperança salvadora. São José é compreendido como homem de fé, à semelhança de Abraão, ele crê na Palavra que Deus lhe dirige através dos sonhos. Ele crê e confia!

SÃO JOSÉ NA SAGRADA FAMÍLIA
O texto do evangelho proclamado, segundo São Mateus, mostra uma cena das origens da Sagrada Família: São José estava noivo de Nossa Senhora; diante da inusitada gravidez da Virgem Maria, São José pensa em afastar-se, pois não compreende o que está acontecendo; Deus intervém através de um anjo, explica a São José a obra do Divino Espírito Santo em Nossa Senhora e dá-lhe orientações para o que deve fazer. Tudo acontece em sonho. O último versículo sintetiza a natureza da pessoa e da ação de São José: “Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado.”

SÃO JOSÉ, SERVO BOM, FIEL E PRUDENTE.
Três adjetivos, retirados das antífonas da Missa de hoje, mostram bem o exemplo deixado por São José: homem bom, fiel e prudente. Bondade, fidelidade e prudência são virtudes humanas indispensáveis para a vida humana, cristã e social.

A bondade em São José é fruto da bondade divina, pois Nosso Senhor Jesus Cristo afirma: “Só Deus é bom, e mais ninguém”(Mc 10,18). Deus é bom! Ele revela e comunica-nos sua bondade em Nosso Senhor Jesus Cristo, o homem bom. N’Ele, em Nosso Senhor Jesus Cristo, podemos ser bons, somos capacitados a fazer atos de bondade. Por antecipação, por obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, a bondade de Deus encontra-se refletida em São José: ele é e faz o que deve ser e fazer de acordo com a vontade e o projeto de Deus.

São José é um homem fiel à vontade de Deus, mesmo quando ela não lhe é muito clara. “O Senhor teu Deus é o único Deus, um Deus fiel...”(Dt 7,9). “É fiel o Deus que vos chamou à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor”(1Cor 1, 9). Nosso Senhor Jesus Cristo é expressão da fidelidade de Deus, mesmo quando somos infiéis (cf 2Tm 2,13). São José bebe da fidelidade de Deus em Jesus Cristo; ele faz-se homem fiel no cumprimento da vontade de Deus, cooperando propositivamente para o bem da Sagrada Família, e assim, para a concretização da vontade salvadora de Deus para a humanidade.

Prudência é sinônimo de equilíbrio, fruto da busca do meio termo entre os extremos. A pessoa prudente é sensata, conjuga a vontade e a inteligência para discernir o que fazer e como fazer. Os grandes homens da Bíblia, patriarcas, profetas, reis e juízes, foram pessoas prudentes, uma prudência que nasceu do temor piedoso de Deus. É nesta linha que compreendemos a prudência em São José, capaz de discernir o que fazer em cada situação, levando em conta o que sente, mas sobretudo o que Deus lhe diz através dos anjos que lhe aparecem em sonho. São José nos ensina que prudente é o homem capaz de compreender e fazer a vontade de Deus.

COROLÁRIO
A Igreja, a sociedade e o mundo precisam de pessoas boas, fiéis e prudentes. Não de uma pseudo- bondade, pseudo-fidelidade e pseudo-justiça frutos da conveniência e ou do interesse privado ou de determinados setores públicos eclesiais e sociais.

Precisamos de pessoas boas, fiéis e prudentes que busquem a fonte destas virtudes em Deus, na vontade de Deus, na sua Palavra de Salvação, como fez São José ao longo de sua vida.

Se em Deus formos pessoas boas, fiéis e prudentes, São José do Rio Preto será melhor, o Brasil será melhor, o mundo será melhor.

Que São José, patrono de nossa cidade, plural e bela, nos ajude, com sua intercessão, a vivermos em Deus, e a exercermos a nossa profissão ou ofício buscando a bondade, a fidelidade e a prudência.

Que Nossa Senhora, aqui invocada com o título do Imaculado Coração de Maria, auxilie e sustente nossa esperança de salvação.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

quinta-feira, 14 de março de 2013

SÃO JOSÉ, ROGAI POR NÓS!



No dia dezenove de março, terça feira, a Igreja Católica Apostólica Romana celebra a solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e “pai adotivo” de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois foi escolhido por Deus para cuidar da vida terrena do Divino Salvador durante sua infância, adolescência e juventude. Ele é o padroeiro da cidade de São José do Rio Preto, uma jovem cidade de cento e sessenta e um anos. Contemplar a pessoa de São José é fonte de uma série de reflexões úteis para a vida cristã, mas também para a sociedade contemporânea.

São José é membro da Sagrada Família, onde é o último, contrariando a tradição da família patriarcal vétero-testamentária: primeiro, o Filho, Jesus Cristo, o protagonista ; depois, a mãe, a Virgem Maria, a serva do Senhor. Diante de uma pluralidade de tipos familiares, hoje mais acentuado que no passado, lembrar a pessoa de São José como membro da Sagrada Família é um exemplo profético. A presença do pai na constituição da família é um dado natural i.é compreendido pela Igreja Católica Apostólica Romana como expressão da genuína vontade de Deus, que deseja na formação de cada núcleo familiar a presença do pai.

A pessoa de São José está intimamente conectada com o período da vida oculta de Nosso Senhor Jesus Cristo na cidadela de Nazaré. O tempo da Sagrada Família no escondimento de Nazaré é expressão da cotidianidade da vida familiar: convivência dos genitores e filhos, vida doméstica, trabalho, lazer e educação. Gestos simples constitutivos da vida em família, vividos de modo extraordinário pela Sagrada Família sob a preciosa orientação de São José. Hoje, por força da sociedade, tem-se pouca vida familiar em casa, trocada pela creche, pela escola, pela universidade, trabalho e tantos outros imperativos que dificultam a convivência de pais e filhos em casa por um tempo mais prolongado. A amizade, também na família, pressupõe espaço comum e tempo condividido.

Na tradição da Igreja Católica Apostólica Romana, fundada na Sagrada Escritura, São José é o homem silencioso. Nos evangelhos, nos relatos da infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Sagrada Família é um homem sem palavras, mais do que Nossa Senhora. Palavras e imagens inundam nossa vida hodierna, uma poluição sonora e visual, deixando pouco ou nenhum espaço para o silêncio. Não há vida humana saudável e não é possível vida de fé madura e fecunda sem o silêncio. A vida e a experiência de fé incluem necessariamente tempos de silêncio, de clausura, de um saudável ostracismo e hibernação.

São José é o padroeiro dos trabalhadores. O trabalho dignifica a pessoa humana e não é só fonte de sustento da pessoa e da família. A pessoa de São José é associada ao trabalho em uma oficina de marcenaria, por isso é invocado como “São José Operário”. Há falta de oportunidade de trabalho para todos, muitos não conseguem ou não querem uma qualificação que lhes permita uma inserção no mercado de trabalho, outros ainda são submetidos a duras jornadas de trabalho ou a trabalho em regime de quase escravidão. Em muitas situações dá-se primazia ao trabalho em detrimento da pessoa humana. O trabalho é para o homem, mas não o homem para o trabalho.

Partilhamos alegria e gratidão com a cidade de São José do Rio Preto, nos seus cento e sessenta e um anos. Uma cidade é feita pela sua gente. Aqui encontramos gente valorosa, trabalhadora, honesta e bem intencionada, com coração aberto para Deus e para o próximo. Parabéns e amplexo ao bom povo de São José do Rio Preto.

Associo-me às autoridades civis e militares do município de São José do Rio Preto, somos servidores deste povo confiado aos nossos cuidados. Tenhamos diante de nós a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Bom Pastor, que Ele inspire o nosso relacionamento com a população e o serviço que a ela devemos prestar, por dever de ofício, mas iluminado pela fé, esperança e caridade.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.


quarta-feira, 6 de março de 2013

UM JOVEM AO PÉ DA CRUZ



“Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe’! A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu”(Jo 19, 26-27).
Entre os numerosos discípulos, Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu doze apóstolos para que o acompanhassem mais proximamente, com os quais condividiu de modo singular a sua vida e a sua missão. Pedro recebeu o “poder das chaves” (cf Mt 16, 18-20), foi feito a referência para o grupo, mesmo tendo negado, na hora do julgamento, pertencer ao grupo do Divino Salvador (cf Mt 26, 69-75). Tiago, participou da transfiguração (cf Mt 17,1), mas dormiu como os outros, quando devia vigiar com o Mestre na hora da agonia(cf Mt 26,37). André, irmão de Pedro, identificou o menino que tinha consigo os cinco pães de cevada e os dois peixes que deram origem à fartura da multiplicação dos pães (cf Jo 6,9). Judas Iscariotes, não o Tadeu, foi o baluarte da traição (cf Jo 18, 1-11).

O Apóstolo São João, também evangelista, ao que tudo indica, era o mais jovem entre os apóstolos. Foi testemunha ocular, com Pedro e Tiago, da transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf Mt 17,1-9), de quem era o “discípulo amado”, segundo suas próprias palavras (cf Jo 19,26). Na hora da cruz, quando os outros apóstolos não estavam, ele marcava presença, ao lado da Virgem Maria, Nossa Senhora. O jovem João não se escondeu na hora da morte do amigo.
Nosso Senhor Jesus Cristo, minutos antes de morrer, confia ao apóstolo São João, o jovem, a missão de cuidar de sua Mãe e nossa. Pela lógica humana, Jesus  confiaria Maria aos cuidados de Pedro, o chefe, o mais determinado, o homem maduro. Mas não, Nosso Senhor Jesus Cristo confia o cuidado da Mãe de Deus ao mais jovem de seus apóstolos, a João, o discípulo amado, o que permaneceu diante da cruz com Ele.

A atitude de Nosso Senhor Jesus Cristo em relação a João, o jovem apóstolo, é profundamente sugestiva. Ele confia no jovem e coloca em seu coração a responsabilidade de cuidar de sua Mãe, Nossa Senhora. Ele não pensou em esperar que João se tornasse maduro, em um futuro, para confiar-lhe tão preciosa missão. O Mestre confiou no jovem apóstolo no presente. Nesta hora, para o Redentor, não contou a idade, mas o amor. João amava o Mestre de um modo diverso dos demais. Ao que muito amou, muito confiou!

São João foi também o escolhido por Nosso Senhor Jesus Cristo para preparar a ceia pascal (cf Jo 22, 7-13); juntamente com São Pedro e São Tiago, esteve mais perto de Nosso Senhor na hora de sua agonia no Getsêmani (cf Mc 14, 32-34).

Não gosto quando se diz que o jovem é o futuro da sociedade e da Igreja. Por quê ele é o futuro e não o presente? O jovem é parte constitutiva da Igreja, responde por ela já desde a sua mocidade, no presente. A afirmação usual esconde um preconceito em relação ao jovem, considerando-o imaturo e incapaz. Na Igreja, quem amadurece e capacita é  o Espírito Santo, e Ele realiza isto com o jovem, também com o adolescente e a criança. Basta olhar para a história do Povo de Deus.

 A ausência dos jovens, adolescentes e crianças nas instâncias eclesiais pode ser fruto de uma inconsciente manobra dos adultos e idosos que não querem abrir mão dos espaços conquistados ou se sentem incomodados e inseguros diante do novo que emerge com a infância e a juventude e que se traduz em questionamentos, observações e propostas que fogem do cotidiano estabelecido.

A relação de Nosso Senhor Jesus Cristo com o Apóstolo São João mostra-nos que não precisamos protelar a presença e a corresponsabilidade do jovem na Igreja.  Do mesmo modo como o Divino Mestre confiou ao jovem João missões importantes, não devemos temer integrar nossos jovens, no presente, na vida e na missão da Igreja.

Amplexo e gratidão aos jovens que conhecem, amam e seguem a Nosso Senhor Jesus Cristo e marcam presença em nossa Igreja Católica Apostólica Romana.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.

sábado, 2 de março de 2013

Carta Aberta à toda Diocese de São José do Rio Preto / SP


São José do Rio Preto, 02 de março de 2013.

Senhores Padres,
Religiosas e Consagrados,
Fiéis Leigos.
Graça e paz!

Estamos na terceira semana da Quaresma. O evangelho deste domingo é um incisivo apelo à conversão, mostrando-nos a paciência de Deus, que aguarda a decisão de nossa liberdade. Não há gesto mais livre do que nossa opção por voltar a caminhar com Deus, na Igreja,  movidos pelo Espírito Santo, salvos por Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus seja louvado!

Vivemos a singularidade da Sede Vacante em Roma. Estamos sem Papa! Inicia-se o processo para a abertura e realização do Conclave. Agradeçamos a Deus a vida e o ministério do Papa Emérito Bento XVI. Que Deus lhe conceda a graça que mais deseja o seu coração neste momento, ser apenas um peregrino a viver a última etapa de sua romaria nesta terra.

Rezemos pela Igreja, espalhada por todo o mundo, sobretudo pelos fiéis que vivem em países e ambientes hostis à fé cristã e ao catolicismo romano. Não seja menos intensa nossa oração pelos nossos bispos, sacerdotes e diáconos, para que se mantenham firmes e serenos na condução do Povo de Deus nesta hora peculiar.

Seja fervorosa a nossa prece pelos Cardeais reunidos no Conclave. Invoquemos sobre eles a luz do Espírito Santo, que estejam atentos aos sinais dos tempos e à Vontade de Deus na escolha do novo Papa.

Solicito aos fiéis, leigos, sacerdotes, diáconos, religiosas e consagrados, que façam destes dias um tempo de intensa oração. Nas celebrações da Santa Missa, diariamente, e em outras oportunidades de encontro dos fiéis, também em família e nos ambientes de trabalho, se façam preces fervorosas nas intenções acima delineadas.

Não seja esquecida a invocação da intercessão de Nossa Senhora, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, sobretudo através da oração do Rosário ou de parte dele.

Uma vez eleito o novo Papa, que as igrejas e capelas expressem de imediato a alegria que esperamos, e então estará realizada, com o toque dos sinos, música no sistema de som das igrejas e, se for o caso, fogos de artifício, neste caso com o devido cuidado.

Uma vez finalizada a eleição, nos dias sucessivos, celebre-se em cada paróquia e capela, com grande participação dos fiéis, ao menos uma Santa Missa em Ação de Graças.

Em nossas paróquias é tempo do mutirão de confissões. Vamos todos em busca do perdão de Deus. Obrigado aos sacerdotes que estão se desdobrando para distribuir aos fieis  o perdão de Deus. Ninguém de nós chegue à Páscoa sem o ter recebido o sacramento da Confissão.

A todos o meu amplexo e gratidão. Deus lhes pague!
+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.