terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


          FRATERNIDADE E JUVENTUDE.
A Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil, realiza no período quaresmal, de 13 de fevereiro a 24 de março de 2013, a Campanha da Fraternidade, um intensivo tempo de ação pastoral que atinge todas as dioceses brasileiras. O tema deste ano é “FRATERNIDADE E JUVENTUDE.”

A expressão “juventude” designa um momento da vida, é um conceito; a palavra “jovem” designa uma pessoa, um existente. O objeto da Campanha da Fraternidade não é a juventude, mas os jovens, os jovens brasileiros. Hoje no Brasil, há uma exaltação da juventude, mas nem sempre uma acolhida aos jovens.

Os jovens  vivem situações peculiares na sociedade brasileira. São muitas as oportunidades de acesso a educação, saúde, trabalho e lazer. Na família, recebem uma atenção mais prolongada dos pais e avós. Não obstante isso, inúmeros jovens não possuem acesso a educação e saúde de qualidade, encontram dificuldade de inserção no mercado de trabalho, experimentam a escravidão dos vícios e terminam presos.

Nas atividades da Igreja a participação dos jovens, em número, sofre sensível diminuição. É verdade que em algumas organizações e associações religiosas, movimentos, pastorais, novas comunidades e paróquias, encontramos a presença de jovens com uma ação exemplar e de profunda significação. Olhando o número total de jovens na sociedade, os que freqüentam as atividades da Igreja são poucos, pouquíssimos.

É ingênuo pensar que a ausência dos jovens nas igrejas seja sinônimo de falta de fé, de descrença em Nosso Senhor Jesus Cristo ou de recusa explícita dos dogmas da fé. O número de jovens ateus, pagãos ou não cristãos cresce, mas ainda não assusta. Os jovens parecem desenvolver formas próprias de relação com o Sagrado, nem sempre vinculadas com nossas igrejas.

Quero crer que muitos jovens que receberam os sacramentos da iniciação cristã, Batismo, Crisma e Eucaristia, mesmo ausentes das atividades eclesiais, o que não é necessariamente recusa da Igreja, sejam bons católicos apostólicos romanos e testemunhas da fé na sociedade, orientando suas vidas pelo evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estar vinculado a um trabalho específico nas igrejas não é sinônimo de bom cristão ou bom católico.

O que define a qualidade da vida cristã e católica é a vivência sacramental, sobretudo a Eucaristia e Confissão, inspirar a vida na escuta orante da Palavra de Deus, pautar as relações sociais pela caridade, a oração em comum, sobretudo a missa dominical, e viver o dia a dia, seja estudo e ou trabalho, vida pessoal e ou familiar, lazer e ou compromissos, de acordo com a moral cristã e católica.

Certa vez, em uma conversa entre parentes, uma pessoa de minha família criticava os sobrinhos pois não participavam das atividades da Igreja e nem estavam engajados em alguma pastoral, movimento ou associação religiosa. A certo ponto, um sobrinho retrucou: “Puxa vida, eu trabalho honestamente, mais do que a média das pessoas, sou íntegro na administração do que tenho, tudo fruto do trabalho, vou a missa aos domingos, confesso, ofereço o dízimo, sou bom colega e procuro respeitar as pessoas e namoro com seriedade. Será que isto não conta para minha Igreja?”

Diante desta colocação, outros sobrinhos jovens, também presentes, começaram a relatar o modo como viviam. Ao final, minha parente, que havia feito a observação inicial, estava quieta e sem palavras, percebera ela mesma que sua visão de vida cristã  e católica era por demais limitada.  Nunca me esqueço deste fato e penso que é ilustrativo para recordar muitíssimos jovens que se enquadrariam no modo de viver descrito acima. São também eles bons cristãos e bons católicos.

O que os jovens esperam da Igreja Católica Apostólica Romana é o que a Igreja Católica Apostólica Romana tem de mais precioso e só ela pode dar aos jovens: Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa é a missão básica que a Campanha da Fraternidade nos impõe ao longo desta quaresma: ir aos jovens e propor-lhes o conhecimento, amor e seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os passos seguintes serão conseqüência natural.

Santa quaresma!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano  de São José do Rio Preto, SP.

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