quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Decreto de Concessão de Indulgência Plenária para o Ano da Fé - 2013


 Aos que este nosso Decreto virem, graça e paz! Animado pelo Espírito Santo, que nos concede e ajuda a conservar, cultivar e transmitir o precioso dom da Fé, em comunhão com a Igreja, oferecemos as seguintes orientações sobre as indulgências oferecidas pela Igreja, neste Ano da Fé, para os fiéis da Diocese de São José do Rio Preto, SP.

Considerando:

- que o Papa Bento XVI, na Carta Apostólica Porta Fidei, promulgou o Ano da Fé;
- a convocação do Santo Padre para que os fiéis celebrem com intensidade e fervor este Ano da Fé;
- que a Fé deve ser alimentada pela Palavra de Deus, pela Sagrada Tradição, pelo Magistério da Igreja, pela recepção dos sacramentos, de modo especial a Penitência e a Eucaristia, pelo conhecimento da doutrina católica contida no Catecismo da Igreja;
- que este período é um convite para um autêntico e renovado encontro com Nosso Senhor Jesus Cristo, único Salvador do mundo, e convencidos de que Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama os homens à conversão de vida por meio da remissão dos pecados;
- que este é um tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece, a fim de comemorar o dom precioso da Fé, bem como para que os fiéis tenham exata consciência de que devem reavivar, purificar, confirmar e confessar essa mesma Fé testemunhada ao longo dos séculos pelos apóstolos, santos  e mártires;
- que os fiéis podem receber os dons da misericórdia de Deus neste Ano da Fé;

De acordo com a Instrução da Penitenciaria Apostólica, de 14 de setembro de 2012, relativas às Indulgências no Ano da Fé,

DECRETAMOS que podem lucrar Indulgência Plenária da pena temporal, concedidas pela Misericórdia de Deus, para os próprios pecados e também em sufrágio pelas almas dos fiéis defuntos, os fiéis que, arrependidos de seus pecados, confessarem de modo devido, comungarem sacramentalmente, orarem pelas intenções do Sumo Pontífice e renovarem publicamente a profissão da fé católica, de acordo com as fórmulas próprias da Igreja,  participando de alguma das seguintes celebrações:

01- Da Santa Missa na Vigília da Páscoa e na Páscoa do Senhor, de 2013, em todas as Paróquias e Capelas;
02- Da Solenidade, Missa e Procissão, de Corpus Christi, no dia 30 de maio de 2013, em todas as Paróquias e Capelas;
03-  Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dia 07 de junho, em todas as Missas nas Paróquias e Capelas;
04-  Das Festas dos Padroeiros nas Paróquias e Capelas, em todas as missas, de março a novembro de 2013;
05-  Das missas  na Catedral de São José, em qualquer dia e horário;
06- Da Romaria Diocesana ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, no dia vinte e oito de setembro;
07- Das missas e romarias ao Santuário Diocesano Bom Jesus dos Castores, dia 06 de agosto de 2013;
08- Da Missa e Procissão na festa do Beato Padre Mariano Della Matta, no dia 10 de novembro de 2013, no distrito de Engenheiro Schimidt e em Cedral;
09- Das Missas no Santuário Nossa Senhora das Graças, todas as terças-feiras às 19h30; e todo dia 27 de cada mês na Missa das 19h30;
10- Das Missas na Paróquia São João Batista e Santuário das Almas toda segunda segunda-feira do mês, as 20h00;
11- Das Missas no dia 28 de cada mês no Santuário São Judas Tadeu, nas Missas da novena e no dia da festa, em 28 de outubro;
12- Das Missas no Santuário de Santa Rita de Cássia, cidade de  São José do Rio Preto, todo domingo às 19h30; todo dia 22 de cada mês, nas missas das 15h00 e 19h30;
13- Das Missas no Santuário Nossa Senhora da Paz, na última quinta feira do mês, as 20h00, na cidade de Bálsamo/SP;
14- Das  Missas na  Basílica Menor de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, todo dia 12 de cada mês as 07h00 e 19h30;  na novena  em honra Nossa Senhora Aparecida, de 03 a 11 de outubro, as 07h00 e 19h30;
15- Das Missas no XVIII  Beraká, nos dias 13 e 14 de julho de 2013;
16-  Das Missas durante a "Festa do Milho", em Jaci/SP, nos dias nove e dez de março de 2013;

Observando-se as mesmas condições acima indicadas, também podem lucrar a Indulgência Plenária os fiéis que:

1 - Lerem e meditarem diariamente a Sagrada Escritura por, ao menos, 30 minutos;
2-  Dedicarem, ao menos, uma hora semanal ao estudo do Catecismo da Igreja Católica, ou ao Compêndio do Catecismo, ou ao Youcat/Catecismo Jovem;
3- Visitarem, com caridade cristã, pessoas doentes ou encarceradas, ou praticarem as obras de misericórdia indicadas no capítulo vinte e cinco do Evangelho de São Mateus;
4- Dedicarem, ao menos, uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, semanalmente, em qualquer igreja, em favor da vocação sacerdotal, religiosa, missionária e matrimonial  e pela obra missionária e evangelizadora da Diocese de São José do Rio Preto;

Recomendo aos Sacerdotes que preguem sobre os conteúdos da fé católica ao longo do Ano da Fé e que sejam oferecidas ao povo abundantes oportunidades para a recepção do perdão de Deus através do Sacramento da Penitência.

Este Decreto tem validade a partir da presente data até a conclusão do Ano da Fé, no dia 24 de novembro de 2013. Dado e passado em nossa Cúria Diocesana "Coração Imaculado  de Maria", na cidade de São José do Rio Preto, aos vinte e sete de fevereiro de 2013. Eu Dr. Aparecido José Santana, Chanceler do Bispado, lavrei o presente Decreto e subscrevi.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.

Aparecido José Santana
Chanceler do Bispado

Prot. 001.13

Os jovens Davi e Jônatas


Encontramos na Sagrada Escritura edificantes e bonitas histórias. Como não se encantar com a história de José do Egito, ou de Rute, de Moisés, de Abraão, de Tobias, entre outras?  No contexto da Campanha da Fraternidade deste ano de 2013, que tem os jovens por objeto, vale a pena recordar a história  de Jônatas e Davi, narrada no Primeiro Livro de Samuel, que poderia ser uma boa opção de leitura para os jovens nesta quaresma e boa preparação para a Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio de Janeiro, precedida pela Semana Missionária a ser realizada em nossas paróquias.

Jônatas e Davi eram jovens: Jônatas era filho de Saul, Rei de Israel; Davi, fora escolhido por Deus para suceder a Saul no governo do Povo Eleito. Longe de sentir-se traído por Davi, Jônatas, o herdeiro natural do trono, estabelece com ele uma profunda relação de amizade e admiração, pois reconhece-o como  escolhido de Deus para conduzir o seu povo. Não se desenvolve entre ambos o ciúme e a inveja, mas a mútua cooperação em vista de um bem maior, o Povo de Deus.

Jônatas e Davi reconhecem o primado de Deus em suas vidas e na vida do povo de Israel. O primeiro sabe que não é ele que deverá suceder a Saul no governo, mas que esta responsabilidade caberá a Davi que para tal foi escolhido por Deus. Ambos reconhecem e desejam fazer a Vontade de Deus em suas vidas e na vida do povo ao qual pertencem. Há uma renúncia da vontade própria, de sonhos e projetos pessoais para permitir acontecer o desejo de Deus para o seu povo.

Jônatas e Davi reconhecem a Saul como rei de Israel, escolhido por Deus. Ambos sabem e aceitam que a autoridade de Saul é proveniente de Deus e diante dele cultivam um respeito sagrado. Na relação triádica estabelecida entre Saul, Jônatas e Davi, é clara a consciência dos dois jovens de que o poder do rei de Israel é proveniente de Deus e do respeito que se deve à autoridade legitimamente constituída. Em diversas ocasiões Davi tem a possibilidade de eliminar a Saul, mas não o faz: "Que o Senhor me livre de fazer uma coisa dessas ao ungido do Senhor, levantando a minha mão contra ele, o ungido do Senhor"( 1Sm 24, 7).

Entre Jônatas e Davi se estabelece uma relação singular de amizade: “Jônatas fez uma aliança com Davi, que ele amava como a si mesmo”(1Sm 18,3). Entre os dois há o encontro entre amizade e fraternidade: uma fraterna amizade e uma amizade fraterna. Não é uma amizade puramente humana, mas de fundo espiritual, místico, que nasce da consciência da vontade de Deus para ambos.

“Saul ficou com medo de Davi, porque o Senhor estava com ele, enquanto se tinha retirado de Saul”(1 Sm 18, 12). Diante de Saul, enciumado e irado pelos feitos guerreiros de Davi e pela admiração que ele suscitava no povo, Jônatas se coloca como defensor intransigente de seu amigo. Em diversas ocasiões, a intervenção de Jônatas é fundamental para a sobrevida de Davi. Aqui a amizade se transforma em cuidado. Cuidado que é expressão de amor e de cumplicidade: “Não temas, pois a mão de meu pai não te atingirá”(1 Sm 23, 17).

Na plenitude de sua juventude, Davi tem consciência de servir a Deus, não como sacerdote, mas como político. Mesmo antes de assumir o governo, não fica à sombra de Saul no conforto do palácio, mas sai para os campos de batalha, vence não só Golias, mas muitos outros povos inimigos de Israel. Davi tem a vitalidade,  força e disposição de um guerreiro incansável.

A bela e edificante história de Davi e Jônatas faz emergir uma série de virtudes, atitudes e posturas que podem e devem estar presentes na vida de nossos jovens: o cultivo da amizade e fraternidade; ter a liberdade interior de renunciar à vontade própria para em tudo fazer a Vontade de Deus; ter consciência do primado de Deus na vida humana e na história; estabelecer relações de paz e de cuidado recíproco; inserir-se na vida política, movido por um ideal maior de serviço às pessoas, como expressão da caridade; respeito à autoridade legitimamente constituída; superar qualquer desejo de agir violentamente e capacidade de ação movida pela fé dentro de contextos hostis.

+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Via-sacra, a oração da piedade popular na quaresma.


Uma das obras típicas da quaresma, juntamente com o jejum e a caridade, a oração é um precioso auxílio para a conversão, retorno a uma convivência amiga com Nosso Senhor Jesus Cristo. São muitas as formas de oração, mas nenhuma delas se sobrepõe à celebração da Eucaristia, referencial, ponto de partida e de chegada para as outras formas de oração.

A Via-Sacra é uma oração, valiosa expressão da piedade popular, muito usada no tempo da quaresma, sobretudo nas sextas feiras, dia da semana em que se recorda o mistério da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em quinze momentos, denominados estações, se faz a recordação, iluminada pela Bíblia e pela Tradição, dos últimos momentos da vida de nosso Divino Salvador, da sua prisão à sua ressurreição. Entre um passo e outro, canta-se um piedoso lamento, intercalado com um belo refrão dedicado a Nossa Senhora das Dores: “Pela Virgem Dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.”

Em nossas igrejas, nas paredes, você encontrará os quinze quadros da Via-Sacra, em pintura ou escultura, que também pode estar representada por quinze cruzes. Em toda igreja Católica Apostólica Romana deve ter os quadros da Via-Sacra. Em algumas, esta representação é muito bonita, verdadeira obra de arte que educa a fé pela visão, fazendo das imagens um caminho pedagógico para a evangelização e a catequese.

Encontramos vários formulários para a oração da Via-Sacra. Alguns bem sucintos e apropriados, pois os relatos estão fundados nos fatos bíblicos e na Tradição. Nos últimos tempos surgiram alguns textos muito longos, excessivamente interpretativos, quase uma releitura ideologizada dos últimos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso encontrar e saber escolher um bom subsídio, pois do contrário somos levados ao cansaço e desânimo, pois a oração da Via-Sacra torna-se demasiado longa e enfadonha.

Após o anúncio de cada estação da Via-Sacra faz-se uma bela invocação. O coordenador proclama: “Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos!” Ao que os demais participantes respondem: “Por que pela vossa Santa Cruz remistes o mundo!” Durante esta súplica, genuflexo, dobrando  um dos joelhos, faz-se um belo gesto de amor e veneração aos mistérios que cercam a prisão, condenação, morte e ressurreição de nosso Redentor.
Convido-o a rezar, ao menos uma vez por semana, a oração da Via-Sacra nesta quaresma. Faça em grupo com os vizinhos, os amigos, os companheiros de trabalho ou de escola, em família ou mesmo só. Eu, pessoalmente, gosto muito de fazer sozinho, mesmo em outros momentos do ano. Entro na Igreja, procuro a Via-Sacra, e sem uso de formulário algum, mas apenas no silêncio, vou contemplando e rezando os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O material da Campanha da Fraternidade deste ano oferece um roteiro de Via-Sacra. Também o subsídio preparado pela coordenação de pastoral da Diocese de São José do Rio Preto, para os tempos da quaresma e Páscoa, oferece uma sugestão de texto. Ou ainda, procure nas livrarias, nas estantes e gavetas de sua casa e certamente você encontrará algum modelo.

Bom seria se as paróquias, capelas e comunidades, também fizessem algumas celebrações da Via-Sacra pelas ruas do bairro ou da cidade, é uma boa oportunidade para mostrar publicamente a nossa identidade de Católicos Apostólicos Romanos neste ano da fé. É uma boa ocasião para revelar  a todos o mistério central da nossa vida de fé: a glorificação de Nosso Senhor Jesus Cristo pela sua morte e ressurreição.

Algumas paróquias ou grupos realizam a “Via-Sacra ao vivo”, com pessoas representando os fatos recordados. São boas iniciativas que, se bem preparadas, se tornam momentos orantes e evangelizadores. Estas representações não deveriam ser realizadas sem fé, apenas como cultura e ou folclore. É preciso cuidado na caracterização dos personagens para não trair os fatos bíblicos ou cair no ridículo por uma releitura ou interpretação inadequada. Há um mistério de fé na Via-Sacra, o maior para os cristãos, que deve ser respeitado. Nestas ocasiões é preciso cuidado com a saúde e preservação da vida dos atores, toda atenção com a segurança é pouco.

Acolha meu abraço, saudação e bênção para uma santa quaresma. Não deixe de rezar a Via-Sacra. De minha parte, quando o fizer, farei também em suas intenções. Amplexo e todo bem!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


          FRATERNIDADE E JUVENTUDE.
A Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil, realiza no período quaresmal, de 13 de fevereiro a 24 de março de 2013, a Campanha da Fraternidade, um intensivo tempo de ação pastoral que atinge todas as dioceses brasileiras. O tema deste ano é “FRATERNIDADE E JUVENTUDE.”

A expressão “juventude” designa um momento da vida, é um conceito; a palavra “jovem” designa uma pessoa, um existente. O objeto da Campanha da Fraternidade não é a juventude, mas os jovens, os jovens brasileiros. Hoje no Brasil, há uma exaltação da juventude, mas nem sempre uma acolhida aos jovens.

Os jovens  vivem situações peculiares na sociedade brasileira. São muitas as oportunidades de acesso a educação, saúde, trabalho e lazer. Na família, recebem uma atenção mais prolongada dos pais e avós. Não obstante isso, inúmeros jovens não possuem acesso a educação e saúde de qualidade, encontram dificuldade de inserção no mercado de trabalho, experimentam a escravidão dos vícios e terminam presos.

Nas atividades da Igreja a participação dos jovens, em número, sofre sensível diminuição. É verdade que em algumas organizações e associações religiosas, movimentos, pastorais, novas comunidades e paróquias, encontramos a presença de jovens com uma ação exemplar e de profunda significação. Olhando o número total de jovens na sociedade, os que freqüentam as atividades da Igreja são poucos, pouquíssimos.

É ingênuo pensar que a ausência dos jovens nas igrejas seja sinônimo de falta de fé, de descrença em Nosso Senhor Jesus Cristo ou de recusa explícita dos dogmas da fé. O número de jovens ateus, pagãos ou não cristãos cresce, mas ainda não assusta. Os jovens parecem desenvolver formas próprias de relação com o Sagrado, nem sempre vinculadas com nossas igrejas.

Quero crer que muitos jovens que receberam os sacramentos da iniciação cristã, Batismo, Crisma e Eucaristia, mesmo ausentes das atividades eclesiais, o que não é necessariamente recusa da Igreja, sejam bons católicos apostólicos romanos e testemunhas da fé na sociedade, orientando suas vidas pelo evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estar vinculado a um trabalho específico nas igrejas não é sinônimo de bom cristão ou bom católico.

O que define a qualidade da vida cristã e católica é a vivência sacramental, sobretudo a Eucaristia e Confissão, inspirar a vida na escuta orante da Palavra de Deus, pautar as relações sociais pela caridade, a oração em comum, sobretudo a missa dominical, e viver o dia a dia, seja estudo e ou trabalho, vida pessoal e ou familiar, lazer e ou compromissos, de acordo com a moral cristã e católica.

Certa vez, em uma conversa entre parentes, uma pessoa de minha família criticava os sobrinhos pois não participavam das atividades da Igreja e nem estavam engajados em alguma pastoral, movimento ou associação religiosa. A certo ponto, um sobrinho retrucou: “Puxa vida, eu trabalho honestamente, mais do que a média das pessoas, sou íntegro na administração do que tenho, tudo fruto do trabalho, vou a missa aos domingos, confesso, ofereço o dízimo, sou bom colega e procuro respeitar as pessoas e namoro com seriedade. Será que isto não conta para minha Igreja?”

Diante desta colocação, outros sobrinhos jovens, também presentes, começaram a relatar o modo como viviam. Ao final, minha parente, que havia feito a observação inicial, estava quieta e sem palavras, percebera ela mesma que sua visão de vida cristã  e católica era por demais limitada.  Nunca me esqueço deste fato e penso que é ilustrativo para recordar muitíssimos jovens que se enquadrariam no modo de viver descrito acima. São também eles bons cristãos e bons católicos.

O que os jovens esperam da Igreja Católica Apostólica Romana é o que a Igreja Católica Apostólica Romana tem de mais precioso e só ela pode dar aos jovens: Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa é a missão básica que a Campanha da Fraternidade nos impõe ao longo desta quaresma: ir aos jovens e propor-lhes o conhecimento, amor e seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os passos seguintes serão conseqüência natural.

Santa quaresma!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano  de São José do Rio Preto, SP.

JEJUM E ABSTINÊNCIA


A quarta feira de cinzas e a sexta feira santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência de carne.

Estão OBRIGADOS à lei da ABSTINÊNCIA DE CARNE aqueles que tiverem completado 14 anos de idade.

Estão OBRIGADOS à lei do JEJUM todos os que completaram 18 anos até os 60 anos começados.

No Brasil, toda sexta feira é dia de penitência. Os fiéis se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade.

Também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência de carne, sejam estimulados à prática penitencial.

A abstinência pode ser substituída por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia.

Boa e santa Quaresma a você e aos que ama.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

QUARESMA: A ESMOLA, A ORAÇÃO E O JEJUM.


A vida litúrgica da Igreja Católica Apostólica Romana tem dois grandes núcleos: a ressurreição e o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os fiéis se aproximam da celebração litúrgica destes eventos da salvação com uma adequada preparação desenvolvida ao longo dos tempos denominados de quaresma e advento. As celebrações das duas solenidades são prolongadas através do tempo pascal e do tempo do natal.

A Quaresma, precedida pelo carnaval que originalmente era restrito a uma terça feira quando  se despedia das festas na iminência de começar um retiro espiritual, é um tempo sóbrio e austero, marcado por três obras bem específicas: o jejum, a oração e a esmola, muito bem descritos no Evangelho de São Mateus, capítulo seis, versículos um a dezoito.
Para nós, fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana, a quaresma é tempo sério de penitência e conversão que não deve ser vivido do mesmo modo como os outros dias do ano. O modo como ele é assumido é determinante para a forma como se viverá a semana santa, de maneira  especial o Tríduo Pascal, coração da vida cristã e litúrgico-sacramental da Igreja. Brincar com a quaresma é não levar a sério a salvação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Quando você der alguma coisa a uma pessoa necessitada, não fique contando o que fez (...) Faça isso de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo fique sabendo do que você fez. Isso deve ficar em segredo; e o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa”(Mt 6, 2-4).

A esmola, expressão viva da caridade, sobretudo quando se partilha o necessário, é modo saudável de restabelecer a fraternidade entre as pessoas, sempre ferida pelo pecado do egoísmo. Ela pode constituir-se, se o quisermos, num degrau para que num determinado ponto de nossa evolução espiritual façamos de nós mesmos uma oferta, doação de si ao Pai do Céu, como fez Nosso Senhor Jesus Cristo ao longo de sua vida, sobretudo no mistério de sua crucifixão e morte.

“Você, quando orar, vá para  o seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que não pode ser visto. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa. Nas suas orações, não fiquem repetindo o que vocês já disseram (...) Orem assim: Pai nosso, que estás no céu, que todos reconheçam que o teu nome é santo. Venha o teu reino. Que a tua vontade seja feita aqui na terra como é feita no céu! Dá-nos hoje o alimento que precisamos. Perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam. E não deixes que sejamos tentados, mas livra-nos do mal”( Mt 6, 5-14).

A oração quaresmal é oportuno instrumento que permite solidificar a relação do fiel cristão com Deus centrando-o na vida do próprio Deus, abismo de amor que atrai a pessoa humana para si plenificando e saciando os seus desejos mais íntimos e profundos. “Quem reza é salvo, quem não reza se condena”, afirma um conhecido adágio popular. É impossível ser amigo de Nosso Senhor Jesus Cristo e filho da Igreja Católica Apostólica Romana sem dedicar-se a uma consolidada vida de oração no tempo da quaresma.

“Você, quando jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o seu Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa”(Mt 6, 16-18).

Jejuar é abster-se de algum alimento ou bebida, ou até de algum comportamento, em vista de um bem maior, movido por uma causa interior ou de natureza religiosa. A disciplina do jejum contribui decisivamente para o equilíbrio físico, psíquico e espiritual da pessoa. Nosso Senhor Jesus Cristo e também São João Batista praticaram o jejum e nos deixaram o exemplo a ser seguido.

Convido-o a preparar-se para celebrar a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo vivendo bem o tempo da quaresma. Viver bem o tempo da quaresma é vivê-la praticando a esmola, a oração e o jejum. Nossa Senhora das Dores nos ajude a viver bem este tempo de penitência e conversão.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Seria possível brincar o carnaval de modo cristão?

Estamos próximos do carnaval, festa espalhada por muitos países, mas que no Brasil adquiriu uma feição singular, senão única: pela extensão da duração, pela diversidade das expressões regionais, pelo investimento público e privado realizado, como momento de expressão de facetas culturais diversificadas, pela alegria com que é vivido e pelos excessos.

Em muitos países, como foi na sua origem, o carnaval é vivido em um único dia, na terça feira que precede a quarta feira de cinzas. Este era o dia em que, na iminência da quaresma, tempo de jejum, oração, penitência e caridade, os cristãos se permitiam uma despedida das carnes, bebidas e festas com uma intensidade maior. Entre nós o carnaval nem mais é vivido em quatro dias, de sábado a terça feira, mas inicia-se na sexta feira. Em muitos lugares inicia-se no ano novo, em outros se estende para o interior da quaresma. Diversas cidades realizam um carnaval fora de tempo. Há um exagero na extensão do carnaval brasileiro, que oficialmente deveria ser realizado apenas na terça feira, feriado nacional. A quem interessa e a que interesses serve um carnaval tão extenso e esta carnavalização de outros dias do ano?

Não podemos falar de um único carnaval no mundo, cada país ou cultura o experimenta de modo próprio. O mesmo ocorre no Brasil, cada região tem sua festa carnavalesca com colorido, música, dança, comidas e folguedos próprios. Entre o norte, nordeste, centro oeste, sul e sudeste do Brasil, a única festa exprime-se em variadas formas. O carnaval brasileiro é um mosaico cultural diversificado nas suas expressões. Como manifestação cultural, o carnaval acaba se tornando um instrumento divulgador de valores e hábitos regionais. E enquanto tal, manifestação cultural, apresenta expressões de beleza que encantam os olhos, os ouvidos e o paladar.

O carnaval brasileiro, salvo casos raros, tornou-se objeto de grandes investimentos públicos e privados, transformando-se em um negócio, às vezes rentável, outras nem tanto, envolvendo número expressivo de pessoas, em tempo integral ou não, tornando-se uma fonte de trabalho e ocupação para muitos. Temos uma indústria carnavalesca no Brasil que movimenta muitos milhões de reais. É preciso repensar o investimento público nas festas de carnaval. Até que ponto é justo, honesto e saudável as prefeituras e os estados investirem pequenas ou altas somas de dinheiro na promoção do carnaval? São investimentos resultantes dos impostos que são recolhidos para fins muito específicos. Diante de tantas carências, o dinheiro oferecido ao carnaval parece e pode irrigar práticas escusas, promover um enfraquecimento da consciência crítica, repetir a práxis do “pão e circo” como forma de esconder ou mascarar outras situações.

Nem tudo é fútil no carnaval. No Brasil, ele tornou-se uma nascente de expressões culturais, sobretudo no que diz respeito à música, dança e hábitos alimentares. Em alguns lugares, como no Rio de Janeiro, a teatralização do carnaval constrói um expressivo espetáculo público de grandes proporções, agregando diversos matizes da arte, da engenharia e da arquitetura. Tem sido um espaço livre para a criatividade. A escolha de temas para as diversas corporações acaba por tornar-se veículo de divulgação de temas históricos, culturais, políticos ou de expressão de necessidades específicas da população.

Uma nota comum no carnaval brasileiro é a alegria. Somos conhecidos como um povo alegre. Este sentimento aflora mais livre e expressivamente durante o carnaval. A alegria é uma dimensão saudável da vida, é também uma virtude cristã. Porém, a alegria carnavalesca não identifica-se com a alegria cristã e também não é pura expressão da alegria humana saudável, sobretudo quando é produzida artificialmente pelo consumo de bebidas alcoólicas, estimulantes, energizantes e dos mais diversos tipos de droga. No reinado do momo, muitas vezes, não necessariamente, esta alegria está associada a um processo de erotização das pessoas, apresentadas como objeto de prazer, escravizando-as e submetendo-as a um processo de destruição de sua dignidade pela pública exposição corporal sem critérios ou pautada por critérios questionáveis.

O excesso é um elemento comum no carnaval brasileiro. E nenhum excesso é bom. Os excessos apontam para a necessidade de repensar as expressões do carnaval. Este reposicionamento deve partir das pessoas e das famílias, mas também dos poderes públicos constituídos. Por sua própria natureza, as igrejas cristãs, sobretudo a Católica Apostólica Romana,  devem dar a sua contribuição, pois são formadoras de consciência e de opinião. Os padres e pastores podem e devem usar do púlpito, e de outros meios disponíveis, para ajudar a repensar o reinado do momo, pois do contrário continuaremos caminhando para um abismo esculpido pelo pecado.

Seria possível brincar o carnaval de modo cristão? Possível, sim, mas não provável; seria muito difícil, com raras exceções. Por isso, é “melhor prevenir do que remediar”.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP.