quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Um jovem, cristão e soldado, chamado Sebastião


Estamos nos primeiros séculos do cristianismo, na Itália. Havia uma perseguição feroz aos cristãos, sobretudo em Roma, que fora evangelizada pelos apóstolos São Pedro e São Paulo, e seus auxiliares, homens que molharam o chão daquela cidade com o seu sangue, sendo um martirizado crucificado, de cabeça para baixo, e o outro tendo a cabeça decepada a fio de espada.

Era proibido ser cristão, não se podia ser amigo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ser cristão era sinônimo de marginalidade. Era uma temeridade ser católico. Professar a fé era causa de morte. O católico era tido como inimigo do Estado, causador de problemas, uma ameaça à segurança das estruturas políticas, econômicas e religiosas estabelecidas.

No norte da Itália havia um jovem soldado que se deixara fazer cristão, recebera o batismo depois de converter-se e colocar-se no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. O seu nome era Sebastião. Ele tinha boa reputação como militar, era bem considerado entre os companheiros da tropa. Era um exímio profissional.

No coração do jovem soldado Sebastião havia uma tristeza profunda, sentia pesares pelas notícias que chegavam de Roma: seus irmãos cristãos eram perseguidos, presos, maltratados e levados à morte violenta. Ele pensava que poderia estar lá para, como soldado e homem de fé, ajudar na defesa dos cristãos que padeciam pavorosos e terrificantes sofrimentos.

O cristão Sebastião, jovem soldado, não agüentou e se dirigiu para Roma. Queria defender os cristãos, queria sofrer com eles, com eles morrer se preciso fosse para demonstrar o seu apaixonado amor a Nosso Senhor Jesus Cristo. Como militar, nas fileiras do exército romano, Sebastião não escondeu a sua fé, mas testemunhava-a com seu modo de vida, suas palavras e sua defesa intrépida em favor dos cristãos.

O comportamento do jovem Sebastião, cristão e soldado, não agradou a seus superiores hierárquicos, que comunicaram os fatos ao imperador, que deu ordens para que fosse instado a abandonar a fé e deixar de proteger os cristãos. Mas o soldado, jovem cristão, não titubeou nem um instante sequer: Jesus Cristo era seu tesouro, por Ele valeria a pena perder tudo, até a própria vida se preciso fosse para estar com Ele no céu.

Sebastião foi preso, torturado, condenado à morte. Impuseram a ele os mais terríveis tormentos, mas ele não foi um fraco, não renegou a Jesus Cristo e não abandonou a Igreja, que é a de Jesus Cristo, da qual se sentia parte e membro ativo. O seu corpo, em diversas ocasiões, ficou em carne viva, como o de Jesus Cristo durante os seus padecimentos. Ele estava feliz por  sofrer como Jesus Cristo sofrera e disposto a abraçar a morte como Jesus Cristo fez para em tudo realizar a Vontade do Pai.

O jovem soldado Sebastião foi amarrado em uma árvore e flechado várias vezes. A árvore foi a sua cruz, as cordas fizeram o papel dos cravos para prendê-lo, as flechas traspassaram seu jovem corpo, como traspassado foi o corpo de Jesus Cristo pelos cravos que o prenderam na cruz e a lança que feriu seu coração. Ainda exalando o sopro da vida,  ele foi socorrido por uma mulher, dizem que se chamava Irene, que o levou para sua casa e tratou-o com caridade.

Recuperado, Sebastião reapresentou-se ao exército e testemunhou uma vez mais a fé e o amor que tinha por Jesus Cristo e pela sua Igreja. Os comandantes ficaram enfurecidos, o imperador mais ainda, pois pensavam que morto e sepulto já estivesse. Veio então nova ordem, agora ainda mais severa e com ameaças: Sebastião deveria morrer, como deveriam morrer todos os cristãos. Nenhum amigo de Jesus Cristo poderia viver! E assim aconteceu, foi morto o jovem soldado, o cristão Sebastião.

É a vida e o exemplo deste jovem soldado cristão que recordamos no dia vinte de janeiro. São Sebastião é o Padroeiro dos Militares, de todas as forças. Ele é o protetor dos sitiantes, fazendeiros e agricultores, invocado como protetor contra a fome, a peste e a guerra. Somos agradecidos a Deus pela santidade de São Sebastião e pelas graças que Ele nos concede com sua intercessão.

Queridos jovens, aprendamos a amar Nosso Senhor Jesus Cristo com a mesma intensidade de São Sebastião, sem medo, mas corajosamente testemunhando em alto e bom som a nossa fé. Nosso Senhor Jesus Cristo faz bem aos jovens, mostra-lhes o ca
minho da perene e fecunda jovialidade.
Caros Militares, de todos os seguimentos, não tenham receio de seguir o exemplo do padroeiro de vocês: conheçam a Jesus Cristo, amem-no mais do que a tudo, sigam-no como Caminho, Verdade e  Vida. Obrigado a vocês que no desempenho do seu ofício oferecem-nos proteção no dia a dia, Deus os proteja dos perigos e os guarde sempre das falcatruas do inimigo.

Saudamos os fiéis das paróquias confiadas ao patrocínio do glorioso mártir São Sebastião. Sigam o exemplo dele: amem a Nosso Senhor Jesus Cristo e sejam suas testemunhas, ardorosas, com a vida e a palavra, insistentemente, de modo conveniente e inconveniente, até que todos recebam em suas vidas a salvação de Deus.

Viva São Sebastião! Viva os militares! Viva a juventude! Viva os agricultores, fazendeiros, sitiantes e pecuaristas!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

Um comentário:

  1. Reverendíssimo Dom Tomé,
    Salve Maria!

    Muito obrigado por este texto que tanto estimula os jovens como eu!
    Agradeço ao Sr. de modo muito especial pela benignidade com que recebeu o pedido da celebração da Missa no rito extraordinário na Paróquia Maria Mãe de Deus. Muito obrigado!
    Sempre me lembro do senhor nas intenções de meu terço cotidiano.
    Sua benção.

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