quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

No Natal você é o endereço de Deus!



Que bom, é Natal! Chegou a solenidade, festa grande do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo! Missa, confissão, muita reza de louvor, glória e gratidão! Sons, luzes, cores odores e sabores! Alegria! Deus conosco! Vamos "festar"!

Dia desses vi num vídeo, no "you tube", uma meditação feita por um jovem leigo, poeta e cantor, paulista de Santa Bárbara d’Oeste, Abner Santos, que me levou às lágrimas, pois dizia nas palavras e na canção o que também experimento ser o Natal.

Vou tentar usar e combinar as palavrinhas, sem ser poeta nem cantor, para exprimir a você e aos que ama meu voto de Feliz Natal.

Às vezes nos sentimos, e pode ser que sejamos, como uma casa destelhada, de portas arrombadas e de paredes em ruína, com o mato crescendo no coração, com alguma coruja agourenta aninhada no cimo do que restou, mas confiantes no amor misericordioso de Deus.

Sentir-se destelhado é sentir-se desprotegido e requisitado a proteger, sem amparo e tendo que cuidar. Ter as portas arrombadas é sentir-se usado, explorado sem critérios, sem direito a ser querido tendo que querer.

Sentir-se com as paredes em ruínas é ter perdido a capacidade de resistir, de disciplinar a vida, de preservar a sagrada intimidade, onde só eu posso entrar, e onde até Deus respeita o meu sim e o meu não.

Sentir-se espiado pela coruja agourenta é não conseguir apreciar os elogios, os abraços e beijos e ser dominado pelos críticos negativistas de plantão que fazem da vida uma noite escura sem aurora.

Somos precários, caducos, frágeis, vulneráveis, franzinos, delicados como um cristal; porém belos, muito belos; bons, muito bons! Como diz a frase de pára-choque de caminhão: "Não sou dono do mundo, mas filho do Dono!"

Mesmo sentindo-se precário assim, ou assim sendo, você é o endereço de Deus no Natal: Jesus Cristo vem a você, vem morar em mim, casa destelhada, de portas arrombadas, de paredes em ruínas e com coruja de atalaia.

Porque sou o endereço de Deus no Natal? O Menino Jesus nasceu em um espaço empobrecido, onde tinha o mínimo do mínimo, mas não faltou  dignidade. As condições de seu nascimento não foram improvisadas, a solicitude e o zelo de José e Maria prepararam o possível, enquanto possível, para uma família itinerante em viagem de recenseamento, para oferecer ao Menino todo o amor do mundo, não foram uns "desmazelados".

O Menino deitado na manjedoura, envolto em panos, é o retrato da contingência humana. Bendita precariedade humana que suscitou o desejo de Deus de fazer-se precário e vir saciar a sua e a nossa saudade.

O corpo do Menino envolto em faixas no presépio, é o corpo do Crucificado com a faixa na cintura, é o corpo do Ressuscitado que deixou no sepulcro os lençóis dobrados. Inaudita continuidade entre a Encarnação, a Morte e a Ressurreição, o mistério da fé, Deus Criador e Salvador.

No Natal, em nossa precariedade, Deus faz-se precário e vem habitar em nós e entre nós! No Natal, você, eu, nós, somos o endereço de Deus!

Feliz Natal! Receba meu abraço, bem, bem apertado! Acolha meu ósculo no seu coração, e o transmito a pedido de Deus! Em espírito, não mal assombrado, sento-me à sua mesa com os seus e alegro-me com a alegria que a todos contagia neste tempo de Natal.

Não me esqueço dos que nestes dias estão imersos na solidão, no sofrimento, na tristeza e no luto. Permita-me enxugar-lhes as lágrimas, ainda que por uma horinha! É Natal! Tem esperança! Um bispo, pecador na sucessão dos apóstolos, reza com e por você.

Amplexo e todo bem!!!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

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